Canções de Migração: Sweet Virginia

Sabe aquele frio na barriga que dá quando a gente decide imigrar? É dessa sensação que a música de hoje me faz lembrar. Aquele medo de sair de casa, somado a toda esperança de que o novo será tão bom quanto, se não melhor.

Sweet Virginia é uma canção de Keith Richards e Mick Jagger. Foi lançada pelos The Rolling Stones em 1972, fazendo parte do álbum Exile on Main St.. Nela, o eu lírico se despede da sua vida na Califórnia para ir rumo a novas vivências no estado da Virginia.

Ainda que a canção não deixe claro se a Califórnia é ou não o seu lugar de origem, era lá onde ele estava. Ele se despede com carinho, agradecendo pelo que foi bom, mas também pelo que não foi assim tão doce.

Thank you for your wine, California
Thank you for your sweet and bitter fruits

Obrigado pelo seu vinho, Califórnia / Obrigado por suas frutas doces e amargas

Na mesma sintonia, ele pede à Virgínia que “venha de mansinho”, na intenção de que essas novas vivências sejam positivas.

But come on come on down Sweet Virginia
Come on honey child I beg of you
Come on come on down you got it in you

Mas aproxime-se, venha de mansinho, Doce Virginia
Venha, querida, eu imploro por você
Aproxime-se, venha de mansinho, você tem isso dentro de você

Aperte o play pra ouvir a música!

Agora é sua vez: qual canção de migração você gostaria de ver por aqui? Conte para a gente nos comentários!

*Por Lali Souza

Pausa

Estamos em pausa há algumas semanas. Uma pausa necessária. Cris precisou voltar para Salvador por um tempo, sua cidade tão querida. Infelizmente, desta vez não foi por um motivo alegre. Ela foi ficar perto de sua mãe – mesmo sem poder ter contato físico – que precisou ser internada em decorrência da COVID-19. Foram dias de aflição, alternados de muita esperança.

Dona Delzira lutou bravamente e chegou a vencer essa doença terrível. No entanto, na última segunda-feira, o seu coração não resistiu e descansou. Lembraremos com carinho dessa mulher guerreira e destemida, baiana retada, e que nos deu o melhor presente que poderíamos ter: a nossa Cris.

Apesar da tristeza, Cris está forte. Agradecemos muito por toda a torcida daqueles que sabiam o que estava acontecendo e, de antemão, às mensagens de carinho e conforto que, sabemos, chegarão a partir desta nota.

Muito obrigada. Voltamos em breve!

Mulheres Migrantes: Rupi Kaur

A escritora e poetisa Rupi Kaur nos inspira, não somente pelo seu trabalho, mas pela força com que defende as mulheres e os nossos direitos. Hoje, aproveitamos esse espaço para falar um pouco sobre ela, sua história de migração toda a luta que representa.

Rupi Kaur cresceu no Canadá, onde foi morar com sua família quando ainda tinha 4 anos. Ela nasceu na Índia, na cidade de Panjabe. Dentro do Canadá, chegou a morar em várias cidades diferentes e, hoje, tem residência em Brampton, na província de Ontario.

A sua hstória com as palavras e a literatura começou desde muito nova. Em entrevista ao site El Mundo, ela conta que escrever foi a sua forma de se libertar das dores que sentia por ser uma criança tímida e solitária, que era perseguida na escola.

O seu refúgio saiu do papel e ganhou o mundo online. Foi através de textos publicados em redes sociais que Rupi se tornou conhecida, principalmente pelo cunho feminista de suas palavras. Ela ganhou vizibilidade internacional quando, em 2015, uma fotos publicadas no Instagram, na qual aparece deitada e com a roupa manchada de menstruação, foi excluída duas vezes pela plataforma. A revolta de Rupi viralizou – e a imagem também – resultando na recuperação do post, acompanhado de um pedido de desculpas por parte do Instagram.

Imagem: Rupi Kaur

Rupi Kaur publicou o seu primeiro livro também em 2015: Outros jeitos de usar a boca (título original: Milk and Honey). A antologia fala sobre feminilidade, suas dores, abusos e capacidade de sobrevivência. Ela vendou mais 8 milhões de cópias e foi traduzida para 42 idiomas.

Despois do sucesso do primeiro, a autora já lançou mais dois livros: O que o Sol faz com as flores e Home Body.

Sobre ser uma pessoa imigrante, Rupi Kaur é gente como a gente e destaca que as suas dores são bem comuns àqueles que saem muito novos do seu país de origem. Ela se vê como uma pessoa de duas culturas, não perdeu a sua origem e está muito bem integrada ao local de acolhida. Por isso, diz que que “casa é um conceito complicado”.

“Aqui no Canadá, eles me olham e me veem de forma diferente, não me reconhecem como um deles, porque minha pele escura não se encaixa nos cânones ocidentais. Mas na Índia a mesma coisa acontece comigo, eles também me veem como uma estranha.”

Rupi Kaur em entrevista ao El Mundo, 2017.

*Por Lali Souza

Imagem de destaque: Rupi Kaur Oficial

Fontes:

Rupi Kaur – site otifical
Wikipedia
Fala Universidades
El Mundo

Saudade

Saudade de imigrante é assim, não tem hora para bater e, às vezes, vem em horas tão inesperadas… quando se vê uma estampa colorida, um cheiro, um gosto “que parece com”, alguém que pergunta de onde você é e, de repente, de algo de lá que conhece. Ou então quando lembramos de quem “se era” no país de origem, tanto nos laços afetivos, na rotina como na identidade profissional.

Ela vem quando é uma data super querida e nossa família liga com a mesa farta e mostra quem está ao seu redor.

Ela vem quando os sobrinhos questionam “tia, quando é que você vem?”.

Ela nos visita quando estamos diante de situações desafiadoras do lado de cá e a gente pensa “ah, eu só queria estar no aconchego da minha língua, dos meus pares”.

A saudade também nos traz, por outro lado, um gosto maravilhoso quando a gente revê quem amamos. Ela também nos movimenta para achar jeitos de estar presente, mesmo com muitos quilômetros de distância. Isso pode ser feito com chamadas de vídeo para conversar, para mostrarmos a eles a neve ou para eles nos mostrarem a praia. Pode ser por mensagens, por cartas, pelas encomendas que amigos levam para as pessoas que amamos e que trazem para a gente matar saudade.

E a música “Sonho Meu”, de Delcio Carvalho e Yvonne Lara, retrata bem esse desejo de estar onde se está, mesmo sem perder a vontade de ir para perto dos nossos conterrâneos, do sol, de lugares e atividades que gostamos.

“Sonho meu, sonho meu

Vá buscar quem mora longe

Sonho meu

Sonho meu, sonho meu

Vá buscar quem mora longe

Sonho meu

Vá mostrar essa saudade

Sonho meu

Com a sua liberdade

Sonho meu”

Vá, sonho meu, “com a sua liberdade”, una esses dois lares que temos e as dualidades dos nossos sentimentos! Por favor, nos ensine a trazer um pouco de Brasil nas músicas que ouvimos em casa, nas receitas que aprendemos, nas corridas dos mercadinhos típicos e nas intermináveis conversas lá com o Brasil ou com os nossos conterrâneos que vivem aqui. E, sonho meu, traga aquele sorriso de canto de boca de quando a gente arruma a mala – cheia de lembrancinhas – com destino a Guarulhos. Ah, sonho meu, “traz a pureza de um samba / Sentido, marcado de mágoas de amor / Samba que mexe o corpo da gente/ Vento vadio embalando a flor”.

*Por Daniele Stivanin

Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay*

*Artista: Bunksy

Pausa para cuidar da família

Um dos maiores fantasmas da vida da pessoa que migra é como lidar com situações de urgência com a família no país de origem. O pensamento de que algo pode vir a acontecer a nossos pais e familiares quando estamos longe, sem que tenhamos a possibilidade de rapidamente estar perto deles, acompanha a vida de muitas pessoas migrantes como uma espécie de sombra constante em todos os momentos da vida fora de nosso país de origem. Todas nós, pessoas migrantes, aceitamos a possibilidade de não podermos estar presentes em momentos decisivos das vidas de nossos familiares e amigos. Temos ciência de que não participaremos de todos os aniversários, nascimentos, formaturas e que talvez, ao chegarmos, seja tarde demais para um último adeus.

Por isso, para a pessoa que migra, ter a possibilidade de voltar para o país de origem quando se tem vontade, saudade ou quando alguma emergência exige, é uma grande oportunidade que a maioria de nós agarra mesmo, sem titubear. Recentemente, o Continuidade se viu diante de uma dessas situações. O que fazer quando uma pessoa da família está gravemente doente e precisa de nós? Essas situações geralmente nos pegam de surpresa e, na migração, a surpresa vem acompanhada da pressão do tempo.

Durante uma pandemia, então, é a pressão do tempo mais as incertezas relacionadas a todo o resto. De repente, tudo fica urgente e a pessoa migrante trava uma corrida contra o tempo para organizar a burocracia e encarar uma viagem de volta ao país de origem, dessa vez deixando para trás as pessoas no país de acolhida para se reorganizarem com a lacuna súbita que foi deixada. Grande parte da vida de migrante consiste em administrar as ausências e faltas.

Pedimos compreensão com esse nosso momento de lidar com a lacuna repentina deixada por Cris, que teve de encarar essa turbulenta e incerta viagem de volta ao Brasil para estar perto de sua mãe que está internada com COVID. Nós, que desta vez somos a família que ficou, estamos aqui nos reorganizando para poder, em breve, voltar a produzir conteúdo para vocês.

*Por Cris Oliveira

Imagem de destaque: Free Foto by Pixabay

História de Migração: Stela Zaleski

Olá, eu sou a Stela, tenho 35 anos e nasci em um dos lugares mais lindos do mundo: Maceió, Alagoas, Brasil.

Aos 17 anos vim morar na Alemanha, que era meu sonho desde quando estive aqui pela primeira vez, com 7 aninhos. Com 12 anos, vim mais uma vez visitar o país que se tornaria um dia meu lar. Minha mãe já tinha vindo quase 2 anos antes de mim para morar. Quando ela veio, eu fiquei no Brasil pra concluir a escola e vir logo depois.

Chegando aqui tive duas experiências que me marcaram muito. Primeiro, que apesar da minha mãe viver e estar casada na Alemanha, eu não tive direito a um visto permanente. Durante um ano, ia a cada três meses buscar um visto de turista, sempre com medo de não receber e ser mandada de volta. Não queria ficar mais longe da minha mãe. Outra coisa que também foi muito difícil foi não ter amigos e não me sentir pertencente a um grupo.

Bom, tudo isso passou. Consegui, então, um visto de um ano, fiz estágios em dois lugares. No meu primeiro estágio, percebi bem rápido que não era minha praia. Já no segundo, logo vi que adorava trabalhar com gente. Isso é mais a minha cara. E assim foi. Fiz um ano de estágio e fui contratada pra fazer um “Ausbildung” (curso profissionalizante) que tinha duração de três anos. Com isso, consegui mais três anos de visto e eu sabia também que, se depois eu fosse contratada, tendo um emprego fixo, poderia ficar.

A minha primeira amiga aqui na Alemanha foi e é minha irmã e comadre também, Cris Oliveira. Fizemos amizade muito rápido no curso de alemão, mas lá ainda não sabíamos que nos tornaríamos irmãs 😘. Nossa história é um caso à parte. Fazer amigos aqui na Alemanha não foi nada fácil e se sentir pertencente a um grupo, diria que “danou-se”.

Depois de doze anos vivendo aqui, frequentando festas que minha comadre sempre me levava, e onde normalmente também estavam as mesmas pessoas, ainda assim não conseguia fazer conexões para além das festas, apesar de me dar bem com todo mundo. Pelo menos era o que sentia. Até que um dia abri meu e-mail e vi um convite pessoal de um deles me chamando para ir a uma festa na sua casa (onde provavelmente eu iria sem convite mesmo, levada por minha comadre🤣🤣🤣).

Como já falei, eu provavelmente iria de qualquer jeito, mas ter sido convidada daquela forma me deu uma sensação de ser pertencente a um grupo. Não sei explicar exatamente porque, mas essa experiência particularmente me marcou bastante.

Toda minha história aqui, na verdade, me enche de orgulho. Cheguei, tive alguns probleminhas com meu visto e o fato de não ter meus amigos por perto. Na época também não existia WhatsApp, Skype e etc. Isso teria facilitado bastante a minha vida. Conheci meu namorado assim que cheguei na Alemanha. Com ele, casei, tive três filhos, construímos uma casa e durante quatorze anos fomos um casal.

Durante todo esse tempo, eu fui e fiz diversas coisas aqui. Em 2016, passei a trabalhar como autônoma. Foi bom enquanto durou e ano passado resolvi, a princípio, parar com um pequeno salão de estética no qual eu atendia. Em 2017 um novo capítulo se iniciou na minha vida. Me separei, e agora dou outros rumos à minha vida.

Só posso dizer que fui e sou muito feliz aqui. Continuo morando com meus 3 pequenos homens na casa em que construí com o pai deles e isso facilita minha vida em vários aspectos. O que mais me alegra é ter a certeza de que, mesmo vivendo num país que não é o meu de origem, hoje sei que existiu e existem pessoas deste país que sempre me ajudaram a construir minha história aqui. E eu sou muito grata a cada uma delas.😉

No momento, imagino várias coisas para meu futuro, porém nada ainda muito concreto. Tenho vontade de voltar a estudar, mas no momento isso ainda não tem como se tornar uma prioridade.

Se meu filhos resolvessem migrar um dia, eu acho que eu diria a eles pra terem paciência e a correrem atrás daquilo que querem conquistar ao mesmo tempo. Que dominar o idioma do lugar escolhido é quase que um grito de independência e que eles não devem se concentrar em um único caminho, pois, como sabemos, vários caminhos nos levam a Roma. Diria que também respeitem os valores do lugar escolhido para migrar.

A primeira coisa que eu faço quando volto de férias a meu país de origem é comer, comer e comer. 😂 Isso, além de visitar lugares que me trazem algumas boas recordações, com pessoas que fazem parte da história. 😉 Apesar de ser dificil de eleger o que há de melhor para fazer em Maceió, uma coisa é certa: vai ter praia no roteiro. Tem muitos lugares lindos como as dunas de Marapé, a praia de Paripoeira, as piscinas naturais da Pajuçara, a praia do Francês, a Barra de São Miguel, a Praia do Gunga, São Miguel dos Milagres, Maragogi, a Foz do Rio São Francisco e os Cânions do Rio São Francisco. Esses lugares são lindos demais, e tem praias pra todo gosto. Sem falar nas comidas, que são de comer rezando. 😂

Se eu pudesse voltar no tempo para o dia em que resolvi migrar pela primeira vez, os conselhos que eu diria para mim mesma seriam: aprenda a língua do lugar o mais rápido que você puder, não se desespere, tenha paciência, vá com calma, mas vá em frente. Mas também pare, respire fundo e deixe fluir aquilo que não está sob o seu controle.

Daqui a dez anos eu quero estar falando inglês fluentemente, para poder me comunicar por onde eu passar. Pretendo passear por muito lugares do mundo, mas sempre voltar pra casa, a Alemanha. 😉 Eu acho que ter vivido no Brasil e depois ter vindo pra cá foi uma das melhores experiências que eu poderia ter. Construí uma base sólida e aprendi muitas coisas com essas duas culturas.

Eu sou Stela Zaleski e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

*Por Stela Zaleski

Episódio #76 Entrevista com Aline Djokic

No episódio de hoje nós conversamos com a querida Aline Djokic. Aline é mestra em língua e literatura portuguesa, bacharelanda em biblioteconomia e escritora. Ela foi responsável por muitas conexões entre o Continuidade e muitas outras mulheres fantásticas. Ela é uma amiga querida além de ser mãe do fofíssimo Oscar, que estava ansioso pra ver essa entrevista com a mamãe dele acontecer. Clica no play e vem se deliciar com a gente com essa entrevista super leve e divertida.

Para comprar Mitomaníaca, o mais novo EBook de Aline:

https://www.editorajaguatirica.com.br/produtos/ebook-mitomaniaca/

Leia o blog de Aline:
https://autocanibalia.art.blog/

Aline no Twitter:

Você pode ouvir o podcast Continuidade em qualquer plataforma digital, escolhe uma e segue a gente:

Home Base Groove de Kevin MacLeod é licenciada de acordo com a licença Atribuição 4.0 da Creative Commons. https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Fonte: http://incompetech.com/music/royalty-free/index.html?isrc=USUAN1100563

Artista: http://incompetech.com/

Ser Mulher

Nesta semana comemoramos o Dia Internacional das Mulheres. Além das famosas rosas que são entregues nesta data, este dia nos lembra a luta de muitas mulheres que vieram antes de nós, as dores, os avanços e os papéis que podemos e queremos desempenhar, inclusive na imigração.

O dia 08 de março relembra a luta de mulheres operárias, que antes tinham poucas possibilidades de ter um papel social e laboral fora de casa. Quando elas foram para as fábricas, se depararam com horas exaustivas de trabalho e condições muito precárias para exercê-lo. Ao reivindicarem melhorias e direitos, tiveram uma forte resistência, inclusive com uma represália que causou a morte de muitas delas. Esse fato tornou a data um dia mundial de lembrar as lutas que tanto desejamos e o quão necessárias elas são.

Tiveram lutas antes, como por exemplo, de ter concepções ou habilidades diferentes, e serem consideradas “bruxas” ou “loucas”. Depois disso, tiveram que lutar para votar (e em alguns lugares, isso é um direito recente ou ainda não é concedido), de escolherem seus rumos sobre os relacionamentos, sobre ter filhos (quando e se querem tê-los), de serem aquelas que dizem o que pode ou não ser feito com os seus corpos (e serem escutadas) e de desejarem ser quem quiserem (e da forma que quiserem).

Huelga Feminista Madrid, 8 de Março de 2020 | Foto: Lali Souza

Nestas mudanças, desejos, dores e lutas, muito foi conquistado, embora ainda tenhamos muito de construir em um caminho de mais equidade nas empresas, na política e em casa, no respeito e na diminuição dos índices de violência contra a mulher. Enquanto isso somamos a este turbilhão de sentimentos, desejos e realidade, as representações sobre o que é ser mulher, que fomos aprendendo desde o que era falado e autorizado nas nossas famílias de origem e nas nossas comunidades, e o que aprendemos em seguida nos diversos grupos que participamos. Inclusive no contato com uma nova cultura, no caso da imigração.

A imigração pode trazer formas diferentes de ver o ser mulher, se comparado com o país de origem, com ampliação dos direitos ou ainda mais restrições. A vida no interior da casa também pode ser alterada, quando, por exemplo, um do casal vem empregado e o outro precisa construir habilidades com a língua e validar a sua experiência profissional, para se inserir no mercado de trabalho ou nos estudos no novo país. E isso sem contar com as redes de suporte que antes conhecia. Neste momento, pode vir o medo de estar “dando passos para atrás” ao ser “responsável” pelas casas e pelos filhos ou não ter atividade remunerada. E isso é ser menos mulher?

Nós, aqui, consideramos que ser mulher autêntica é ser a mulher que lhe faz sentido, que cabe ao seu momento e que pode ser tão valioso como ser nomeada CEO de uma empresa. Por exemplo, se a escolha é desprender os esforços em cuidar do seu filho, que representa cuidar de um novo cidadão ou nova cidadã, isso não é um papel e tanto? Dar um tempo para se adaptar no novo país, considerando as condições financeiras da família, também pode ser uma opção de respeito consigo. E muitos outros exemplos que vocês e nós poderíamos citar aqui, sem julgamento ou avaliando com olhos de quem classifica o que é válido ou vale mais.

As lutas feministas aconteceram e acontecem para que o poder de escolha seja real, validado e autêntico para cada um. E é isso que desejamos a nós todas neste dia: que a gente continue caminhando, pessoalmente e como comunidade, para garantir o direito de ser quem se é e da forma que desejar, e ser respeitada (e respeitar). Que todas nós possamos completar a nossa apresentação “brasileira (ou do país que for), imigrante e …” com tranquilidade e sendo acolhida e valorizada da forma que somos (inclusive por nós mesmas). 

*Por Daniele Stivanin

Imagem de destaque: Aryl Irudayam

Episódio #75 Multilinguismo na educação de crianças binacionais

No episódio desta semana conversamos sobre como é educar os filhos que estão crescendo em um ambiente multilíngue. Uma situação que oferece um tremendo desafio que muitas vezes vem acompanhado de inúmeras dificuldades e exigências especiais para toda a família.

Ressaltamos também as oportunidades que o multilinguíssimo oferece, principalmente na construção de uma identidade multicultural.

Você pode ouvir o podcast Continuidade em qualquer plataforma digital, escolhe uma e segue a gente:

Home Base Groove de Kevin MacLeod é licenciada de acordo com a licença Atribuição 4.0 da Creative Commons. https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Fonte: http://incompetech.com/music/royalty-free/index.html?isrc=USUAN1100563

Artista: http://incompetech.com/