As Fases da Migração

No Continuidade Podcast falamos muito sobre como o processo de migração é composto por algumas fases comuns à maioria das pessoas. Decidimos revisitar e registrar aqui também as nossas reflexões sobre quais são essas fases e como elas influenciam na adaptação dos imigrantes no país de acolhida.

A primeira fase está ligada aos emaranhados psicológicos que vivemos ao chegar no novo país e tudo o que envolve o início dessa adaptação. Nesta fase, revisitamos o nosso sentimento de identidade, lidamos com as perdas e com o luto que elas trazem.

Somos fruto de nossa história de vida e cada um de nós tem a sua bagagem cultural. Ao mudar de país, muitas vezes nos deparamos com uma cultura totalmente diferente da nossa, o que pode levar algum tempo até nos acostumarmos. É neste processo que enfrentamos dificuldades relacionadas ao nosso sentimento de identidade, afinal é preciso compreender os hábitos locais e estabelecer uma relação com eles.

Adaptar-se não significa negar suas origens, mas aprender a conviver com a cultura local. Quando nos sentimos bem onde vivemos, estabelecemos relações mais saudáveis não somente com o lugar em si, mas também com as pessoas que nos cercam.

A migração é uma despedida e as perdas são inerentes a ela. Perdemos, por exemplo, o convívio com os amigos e a família que ficaram no país de origem, os lugares onde costumávamos ir, as comidas, as festividades e, com o tempo, até mesmo as nossas referências e alguns vínculos.

É preciso estar alerta para as consequências que essas perdas podem causar à nossa psique, como a tendência de responsabilizar os outros, a culpa e a negação da dor. É importante reconhecer que a dor existe para entender como lidar com ela. Estabelecer novos vínculos afetivos com pessoas e com o lugar de acolhida pode ajudar muito no enfrentamento dessas dores. Aprender o idioma local também auxilia na construção da sensação de pertencimento.

Ao enfrentar essas perdas, entramos na fase de processamento dos lutos migratórios. Nesta fase, é comum que haja uma desorganização da nossa psique, que se reflete numa necessidade urgente de reaver o que deixamos para trás. Podemos incorrer numa romantização do nosso passado, do lugar de origem, e, até mesmo, passar a negar o país de acolhida.

Mas como saber se estamos passando por uma fase de luto? O desligamento emocional das pessoas à sua volta, passar a enxergar apenas o lado ruim da nova vida, estabelecer grandes barreiras entre si e o novo são sinais claros dessa fase. Se você se encontra nesse momento, não tenha medo de vivê-lo. Passar pelo luto faz parte do processo de recuperar o sentimento de continuidade da própria vida.[INSERIR IMAGEM INTEGRATION]

Aproveite esse período mais reflexivo para encontrar estratégias de como se sentir melhor. Buscar abrigo emocional com pessoas que passaram (ou estão passando) pelo mesmo processo que você costuma ser uma ótima ideia.

Processar o luto é fundamental para atingir a multiculturalidade. Aqui, usamos este termo para tratar da fase em que já estamos bem no nosso novo lar. É quando, finalmente, nos sentimos em casa e conseguimos estabelecer uma relação equilibrada entre o passado e o presente.

Uma coisa muito importante é saber que essas fases não seguem uma linha reta. O processo migratório é muito complexo e podemos, ao longo da vida, entrar e sair dessas fases várias vezes. Entender as diferentes fases da migração e saber reconhecer o lugar onde estamos nos ajuda a olhar com clareza a realidade à nossa volta e a traçar as estratégias necessárias para seguir adiante, em busca de uma vida mais feliz.

E nem precisamos dizer que você pode contar com a gente nessa sua jornada, né? Se você tem alguma dúvida ou apenas gostaria de compartilhar o seu momento, a sua história, manda uma mensagem para a gente e faremos o possível para te ajudar. Estamos juntos!

*Por Lali Souza

Imagens: Gerd Altmann por Pixabay.

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