Stolpersteine

Um dia desses, voltando para casa depois de sair com uma amiga, uma rosa largada no chão atraiu o meu olhar. Senti uma certa tristeza ao ver uma rosa assim, abandonada no meio da rua. Não resisti e fui vê-la de perto. Ao chegar, notei que não se tratava de uma flor acidental. Ela tinha sido colocada ali.

Fui pra casa pensando naquela flor deixada por alguém, no que parecia ser uma espécie de homenagem para algum famoso, um personagem importante da cidade, talvez. Um dia depois, no Facebook, vejo uma curta reportagem sobre o projeto “Stolpersteine,” explicando exatamente o significado daquele tijolinho que tinha chamado minha atenção na noite anterior. Que coincidência!

Stolpersteine é um projeto do artista alemão Gunter Demnig, que teve início em 1992. O fato do projeto ser chamado assim já nos leva à uma reflexão: “Stolpersteine”, em alemão, significa literalmente “uma pedra na qual se tropeça”. Essa expressão pode ser entendida também como um obstáculo a ser superado e era usada para se referir a judeus de forma pejorativa durante a época do nazismo.

As “Stolpersteine” são uma espécie de lápide memorial de pessoas que foram perseguidas, deportadas, assassinadas ou levadas ao suicídio durante este período. São bloquinhos de bronze nos quais se pode ler o nome, a data de nascimento, alguma informação do que se passou na vida daquela pessoa e a sua data de morte.

Cada um desses bloquinhos era talhado e colocado no local pelo próprio artista na última moradia voluntária daquela pessoa. Com o passar do tempo, foram tantas “Stolpersteine” que, em 2005, Demnig passou a contar com o apoio do escultor Michael Friedrichs-Friedlaender para que os blocos continuassem a ser talhados à mão.  A ideia de talhar manualmente cada bloco é uma forma simbólica de devolver a dignidade roubada das pessoas, que, ao serem deportadas para campos de concentração pelo sistema nazista, eram reduzidas a um número.

Atualmente, existem mais de 75.000 lápides memorais espalhadas por quase 1.200 cidades da Alemanha e em 25 países europeus. Com isso, o projeto de Gunter Demnig e seus representantes adquiriu o status de maior monumento descentralizado do mundo.

Cada um desses bloquinhos eterniza um destino triste e fatal de uma pessoa que se viu confrontada com a ignorância, o racismo e a intolerância de um sistema totalitário. Segundo o próprio artista, “a pessoa é esquecida quando seu nome é esquecido” e esse memorial garante que essas vítimas sejam para sempre lembradas toda vez que alguém, andando pela cidade, se depare com uma dessas pedrinhas em seu caminho.

Se quiser conhecer  este projeto mais a fundo ou ajudar a financiar uma Stolpersteine, visite as páginas oficiais do projeto. Lá vocês encontram as informações também em inglês.

A página do projeto em Bremen: http://www.stolpersteine-bremen.de/

A página europeia: http://www.stolpersteine.eu/

*Por Cris Oliveira

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