Histórias de Migração: Daniel Castelani

Olá. Meu nome é Daniel Castelani. Sou brasileiro, nascido em Campinas, interior de São Paulo, e editor deste podcast. E não, não é uma “carteirada” eu dizer logo de cara que edito o Continuidade. Na verdade, isto é importante pra caramba, pois foi tendo o privilégio de ouvir todos os episódios em primeiríssima mão que me dei conta do quão migrante sou e de quantas fases eu já vivi e revivi sem nem sentir. Mas deixe-me contar um pouco sobre minha história de migração.

Como disse lá em cima, sou natural de Campinas, onde vivi os primeiros 6 anos de minha vida. Meu pai recebeu, em 1982, uma oferta de emprego em Salvador, na Bahia, sua terra natal, e a família toda se mudou para terras soteropolitanas: eu, minha irmã de 3 para 4 anos, minha mãe, uma paulista de Valinhos, e meu pai, o baiano expatriado que já era mais paulista que nada.

Cresci em Salvador, onde cultivei amizades, aprendi a ser gente e recebi toda sorte de contribuições culturais, mas, no fundo, sempre me senti um “outsider”. Em casa, éramos paulistas e essa dicotomia sempre me acompanhou.

Fui pai muito cedo, aos 18 anos. Minha namorada, a Fran, também tinha um histórico de migração em sua família. Filha de pai gaúcho e mãe do interior da Bahia, foi levada para morar, com apenas dois aninhos, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Voltou com 6 anos para Salvador e acredito que sofreu da mesma dificuldade que eu: uma sensação de não pertencimento.

Após 3 anos de casados, resolvi fazer o caminho inverso de meu pai e voltar para Campinas. Fomos eu, Fran e Bia, minha filha que, com 3 anos, saía de sua terra natal para viver na minha (incrível como repetimos padrões de nossos pais mesmo que de forma inconsciente).

Vivemos por seis anos em Campinas e foram anos mágicos. A cidade é muito gostosa e nos sentimos pela primeira vez como uma família de verdade. Foi um tempo de crescimento e reafirmação para todos nós, mas, um dia, recebi um telefonema com uma proposta de trabalho irrecusável em Salvador. Após uma reunião familiar, decidimos voltar.

Mais 10 anos de Salvador, tempo em que obtive crescimento profissional, construímos uma casa, nos endividamos, enfim, a vida aconteceu.

No final de 2014, após uma série de acontecimentos que culminaram em desemprego e desespero, resolvemos tentar a vida em Santa Catarina, mais precisamente em Timbó, local de onde escrevo este texto para o site do Continuidade.

Estou convicto de que estas mudanças de estado e cidade moldaram boa parte de minha personalidade. Por vezes, me pego pensando em como seria se tivesse vivido na mesma cidade, no mesmo bairro, na mesma casa, como tantas pessoas que conheço. Como seria minha vida?

Mas sabe de uma? Com certeza não teria as experiências que tive, os sotaques que experimentei, nem a diversidade de pensamento e tolerância com o diferente que tenho hoje. De quebra, ainda acho que transmiti para minha filha este gosto por viver em cidades diferentes.

Sou, hoje, fruto das minhas vivências e escolhas e a migração, sem dúvida, faz parte de quem eu sou.

Eu sou Daniel Castelani e esta é minha história de migração, qual é a sua?

*Por Daniel Castelani

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