Histórias de Migração: Svenja Fritsch

Olá, eu sou Svenja e nasci em Lübeck, uma cidade no estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha. Morar fora sempre foi um desejo meu. Eu sempre fui muito curiosa para conhecer outras culturas, outras realidades e outros contextos geográficos também.

A migração está muito presente na minha história familiar. Minha mãe é austríaca e meu pai nasceu em uma cidade que, hoje, pertence à Polônia. Ainda quando bebê, ele e sua família fugiram para o sul da Alemanha. Viagens para visitar a família sempre foram muito comuns na minha infância, ou seja, desde muito cedo eu tinha consciência de que existiam outras realidades e outras culturas. Eu sou uma pessoa com um histórico de migração, mas isso frequentemente passa despercebido aqui na Alemanha pelo fato de eu ser uma mulher branca que fala alemão sem sotaque.

Minha primeira experiência morando fora da Alemanha foi através de um estágio de 6 semanas em Viena, na Áustria. Este estágio, em uma agência de intercâmbio internacional, fez aumentar em mim a vontade que já existia de viajar e conhecer novas culturas. Nessa época eu conheci pessoas muitos legais, mas eu senti uma conexão toda especial com as da América do Sul.

Aproveitando as oportunidades que a minha faculdade proporcionava, tratei logo de organizar mais um estágio, desta vez no Chile. A minha temporada no Chile deveria durar uns 6 meses e eu acabei estendendo por um ano para realmente poder viver de forma bem intensa tudo o que Valparaíso tinha para me oferecer. Uma curiosidade: Valparaíso me lembra muito Salvador, mas deixa que eu já conto como foi que se deu a minha experiência com o Brasil.

Em agosto de 2009, eu tinha terminado a faculdade e estava muito cansada do mundo acadêmico. Sentia que precisava ganhar distância. Estava numa fase meio de crise, sem saber exatamente o que eu queria para a minha vida. Eu meditava muito. Um dia, escutando uma música de um documentário, eu tive uma espécie de visão. As imagens que me vinham naquele momento me lembravam a Bahia. Não tive dúvida: comprei a passagem para o Brasil e, por via das dúvidas, marquei a viagem de volta pra seis meses depois, saindo de Santiago do Chile, que eu já conhecia e onde tinha amigos.

Minha ida para a Bahia foi como uma espécie de chamado. Depois disso, foram muitas coisas se sincronizando e me mostrando que seria a decisão certa ir para lá. Chegando no Brasil, eu fui me deixando levar pelos acontecimentos. Prorroguei meu visto de turista, deixei minha passagem vencer e fui ficando. Morei em Salvador, na Chapada Diamantina, e em Imbassaí, que pertence ao município de Mata de São João. Eu trabalhava em troca de alojamento e ia me virando como dava.

Voltei para a Alemanha somente porque meu pai estava completando 70 anos e eu queria fazer uma surpresa para ele. Nessa ocasião, já estava bem claro para mim que, depois da festa de meu pai, eu organizaria minhas coisas e migraria de vez para o Brasil. Foi exatamente isso o que eu fiz. Voltei pra Bahia e fiquei lá por um ano. Acabei voltando outra vez para a Alemanha porque, depois de um término bem complicado de relacionamento, eu precisava me recuperar tanto emocionalmente quanto economicamente.

Morar no Brasil, para mim, foi como um processo de cura. A Bahia e a Alemanha estão, no meu ponto de vista, em dois polos extremos e eu gostei muito de ter aprendido uma forma diferente de conviver. Aprendi muito sobre solidariedade, gostei da leveza que as pessoas têm para se entregarem às coisas e como a arte é presente em tudo na Bahia. Além disso, eu gosto muito da culinária baiana e até hoje sinto falta.

A religiosidade de matriz africana da Bahia também me encanta. A presença de rituais que têm um sentido mais profundo. A conexão com a natureza e com a vida é muito mais forte no Brasil. Fico muito tocada em ver como as pessoas de lá se conectam com suas ancestralidades. Acho que, aqui na Alemanha, a gente vive de forma muito desconectada com nossas origens. Morar fora me ajudou a refletir sobre a minha própria origem. A Bahia me fez entender muito sobre a minha própria cultura.

Por outro lado, é muito difícil conviver com tanta violência. O forte racismo, assaltos, ataques contra a população LGBTQIA+ e a presença sempre constante da polícia me incomodavam muito. Uma vez, eu presenciei uma perseguição policial na qual os policiais dispararam tiros contra os fugitivos, sem se importarem com as pessoas (muitas crianças) que estavam em volta. Também não me sentia muito bem com a constante desconfiança das pessoas, resultado da sua história violenta, de uma realidade marcada por tanta injustiça social e pela clara corrupção.

Mesmo assim, o Brasil continua sendo muito importante para mim. Eu falo cinco idiomas e sinto que cada parte de minha personalidade se revela de forma diferente quando falo cada um deles.

Com o português, eu sinto que posso expressar uma parte muito forte de minha personalidade. O Brasil tem um status muito especial para mim, pois foi lá que eu consegui entrar em contato com minhas paixões de dança, de música e de culinária. O Brasil me ajudou a me conectar com minha alma. Aqui na Alemanha muita gente me pergunta se eu sou brasileira e eu respondo “não no passaporte, mas no sentimento sim”.

Eu sou Svenja e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

*Depoimento transcrito por Cris Oliveira

Como virei professora de alemão

Todo mundo me conhece um pouco sabe que eu sou professora professora de inglês. O que poucos sabem é que, há dois anos, eu resolvi encarar mais um novo desafio na minha vida: o de ensinar alemão como segunda língua. Desde que resolvi explorar essa nova possibilidade profissional, foram muitas novas histórias e aprendizados e eu gostaria de dividir alguns deles aqui com vocês. Mas deixa eu contar primeiro como foi que essa coisa de ensinar alemão começou pra mim.

Imagem: Pixabay

Tudo aconteceu meio de repente. A guerra no Oriente Médio e diversos problemas socioeconômicos pelo mundo afora deram impulso a mais uma gigantesca onda migratória para a Europa Central. Essa onda migratória atingiu um pico em 2015. De repente, a Alemanha se viu tendo de dar conta de receber milhares de pedidos de asilo de uma vez e, com isso, tendo de encontrar profissionais das mais diversas áreas para manter uma estrutura que atendesse a tanta gente nova chegando. A minha profissão foi a primeira que entrou em demanda rapidamente. 

Ainda hoje, estima-se que Bremen precise de mais 350 professores para suprir o número de professores necessários para dar conta da formação dessa criançada nova que está entrando no sistema escolar. Uma das matérias que precisa ser aprendida com mais urgência nas escolas é obviamente o alemão, por ser a porta de entrada para absolutamente todo o resto. Por isso praticamente todo professor virou um potencial professor de alemão como segunda língua.

Lá pro final de 2015, bem no momento em que o número de pessoas chegando aqui em busca de refúgio chegou a atingir a marca de uns 6.000 por dia, eu resolvi me candidatar a uma vaga de emprego como professora de inglês na secretaria de educação de Bremen. Até então eu trabalhava como professora freelancer dando aulas principalmente pra adultos em empresas. Fui chamada para a entrevista feliz da vida, sem nem imaginar o que aconteceria depois. 

No meio da entrevista, comecei a perceber que o entrevistador me perguntava demais sobre como foi meu próprio processo aprendendo alemão e depois queria saber se eu teria a flexibilidade, se fosse necessário, de ensinar essa língua também além do inglês. Disse que sim, porque achei que o cara tava de brincadeira, fazendo uma dessas perguntas hipotéticas de entrevista de emprego, até mesmo porque ele estava me ouvindo falar e eu não achava (e pra falar a verdade ainda não acho) que meu alemão seja assim tão maravilhoso e confiável a ponto de levar alguém a achar que dá pra ensinar. 

Vocês podem imaginar a surpresa que tive quando eles me chamaram dizendo que queriam me contratar, mas em primeira linha para ensinar alemão. Primeiro me tremi toda. Perguntei se tinha sido engano. Não era, estavam seguros e era isso mesmo. Me deram um tempo pra pensar e acho que aquela semana foi a mais demorada que já vivi na minha vida. Ia e voltava o tempo todo na decisão. 

Imagem: Pixabay

Até que chegou o dia de dar a resposta e eu ainda não sabia o que diria. Sentia um frio na barriga todas as vezes que me imaginava entrando na sala de aula, olhando para a cara daquele monte de adolescente e me apresentando como sua professora de alemão. Sentia muito medo, mas não sabia exatamente de quê. Até que chegou o dia da ligação na qual eu teria de comunicar minha decisão. 

Poucas horas antes, estava convencida a rejeitar o trabalho. Dizia para mim mesma: “Você mesma não sabe falar direito a língua, como quer se meter a ensiná-la?”; “Vai ficar muito claro que você não tem competência pra ensinar alemão. Vai se queimar feio.”; “Pra que procurar esse tipo de sarna pra se coçar? Recuse educadamente, deixe bem claro que você é professora de inglês, fale que, se aparecer outra oportunidade desse tipo, você estará às ordens.”; “Muitos alunos virão com história de traumas, muitos terão contato com escola agora pela primeira vez. Você não tem experiência para lidar com esse tipo de turma.”; “A estrutura das aulas por aqui é diferente daquelas com as quais você é acostumada”. Vai ser difícil se adaptar ao conceito pedagógico daqui.”; “São muitas novidades ao mesmo tempo. Você vai enlouquecer!” Repetia todas esses argumentos mentalmente para poder recusar com firmeza e para não deixar brechas para possíveis insistências.

Preparadíssima para a hora da verdade, fiz a ligação. Fui atendida por uma funcionária muito simpática do RH que peguntou meu nome. Quando e falei ela imediatamente puxou papo. Queria saber se eu era portuguesa ou espanhola. Disse que era brasileira, mas que falamos português no Brasil. “Ah que interessante”, disse ela, e continuou com uma certa conversinha fiada, provavelmente para quebrar o gelo. 

De repente a conversa dela pendeu pra direção do trabalho, das aulas, do que seria esperado de mim. A partir daquele ponto, ela começou a conduzir a conversa de forma bem estruturada, do jeito que alemão gosta e, antes de ir direto ao ponto, resumiu: “A senhora passou no processo seletivo e nós gostaríamos de lhe oferecer um contrato assim, assim, assim, mas como o trabalho tem esses prós e esses contras, resolvemos oferecer-lhe uma semana pra que a senhora pensasse e decidisse se realmente se imagina trabalhando conosco.” 

Enquanto ela listava os aspectos positivos e negativos do trabalho, me dei conta de que estava ouvindo aquilo tudo de uma forma diferente. Parecia que estava ouvindo a lista dos prós pela primeira vez e, de repente, minha lista de argumentos contra parecia meio fraquinha. 

No meio disso tudo, uma frase dela ficou martelando minha cabeça: “Tem todos esses desafios, no entanto é uma função super importante, porque dominar a língua vai ser o trampolim que eles precisam para poder se integrar nessa sociedade. Para muitas famílias, a senhora será o único contato com a sociedade alemã, já que muita gente vem pra cá sem ter ninguém. A senhora estará ajudando a mudar a vida de muitas pessoas.” 

Imagem: Pixabay

Enfim, chegou a hora da verdade: “E então? Agora gostaria de saber o que a senhora decidiu. Ou ainda teria alguma pergunta a que eu possa responder?”

Nem acreditei na resposta que saiu de mim, sem que eu tivesse tido tempo de titubear:

-“Sim. Quando começo?”

*Por Cris Oliveira

*Revisado por Marina Hatty

Este texto foi originalmente publicado no blog A Saltimbanca, em 29 de novembro de 2018.

Imagem de destaque: Pixabay.

A imigração japonesa no Brasil

A maior comunidade Japonesa fora do Japão está no Brasil. No entanto, pouco se fala sobre esse 1,6 milhão de pessoas no território brasileiro. Quando falamos na comunidade japonesa no Brasil, a primeira associação que se faz é o bairro da Liberdade, em São Paulo. Além disso, pensa-se também em comidas e bebidas como Sushi e Sakê, que ganharam muita popularidade nas cenas urbanas das grandes cidades brasileiras. Mas você sabe como se deu a imigração japonesa para o Brasil?

Depois de uma brasileira de descendência japonesa contar sua história para gente no segundo episódio da segunda temporada do nosso podcast (clica aqui pra ouvir!), decidimos que precisávamos saber mais sobre a comunidade japonesa no Brasil.

A emigração Japonesa teve início em 1868, tendo sempre pontos altos nos períodos pós-guerra. No Brasil, ela chegou apenas em 1908, em consequência das políticas emigratórias japonesas e de mudanças sociais no Brasil.

Para o Japão da época, fazia sentindo estimular uma nova política migratória, com objetivo amenizar tensões sociais que surgiam devido à escassez de terras e endividamento de trabalhadores rurais. O Brasil, por sua vez, buscava trabalhadores estrangeiros para substituir a mão-de-obra das pessoas escravizadas, depois da abolição da escravatura.

No início do século XX os Estados Unidos, que eram o destino preferido dos japoneses, vetaram a entrada desses imigrantes em seu território. Com isso, o Brasil acabou recebendo um fluxo ainda maior de pessoas vindas da Terra do Sol Nascente.

“Sakura”, a flor de cerejeira, é linda e muito típica do Japão.

A comunidade japonesa, no entanto, ao contrário dos emigrantes europeus, foram alvo de grande preconceito ao pisar em solo brasileiro. Não podemos esquecer que, nessa época, havia uma política de embranquecimento da população brasileira e os japoneses enfrentavam grande resistência vinda da sociedade local por serem considerados exóticos demais.

No Brasil reinava a ideia racista de que os asiáticos eram impossíveis de se adaptarem devido às diferenças étnicas, físicas e culturais e sua presença era sempre vista com desconfiança e restrições sistemáticas. Os desdobramentos da Segunda-Guerra Mundial também foram responsáveis por gerar um sentimento de grande hostilidade contra imigrantes japoneses pelo mundo.

Apesar dessa história meio conturbada, Brasil e Japão têm uma longa história de migração em ambas as direções. Hoje em dia, brasileiros são maior grupo étnico “não-asiático” dentro do Japão e a migração de descentes de japoneses para o Japão é ainda bastante expressiva.

*Por Cris Oliveira

Fonte: https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/japoneses/a-identidade-japonesa-e-o-abrasileiramento-dos-imigrantes.html

Continuidade Indica: Two Caravans, de Marina Lewycka

A dica de hoje é de uma leitura leve, emocionante e muito divertida: Two Caravans, de Marina Lewycka.

Marina Lewycka é uma escritora de origem ucraniana que nasceu em um campo de refugiados em Kiel, na Alemanha, e que, ainda criança, migrou para a Inglaterra com sua família. Em seus livros, ela sempre incorpora elementos da cultura ucraniana e até mesmo de sua história familiar. Suas personagens são sempre figuras peculiares, muito humanas e cheias de humor.

Two Caravans conta a história de imigrantes do leste europeu que vão trabalhar na Inglaterra, na colheita de morangos. A história retrata encontros, desilusões, mal-entendidos e muitas idas e vindas de personagens que deixaram seus lares para trás e foram em busca de seus sonhos em um lugar desconhecido.

Two Caravans é o segundo livro de Lewycka e, infelizmente, ainda não tem tradução para o português. Mas, se você consegue ler em inglês, vale muito a pena! Esta história vai te emocionar, fazer rir e surpreender.

Boa leitura!

*Por Cris Oliveira

Giro pelo mundo: 5 dicas do que fazer em Berlim

Deixa eu falar com vocês sobre Berlim. A capital alemã é uma cidade imponente, agitada, cosmopolita, jovem e muito vibrante. A primeira vez que fui, já me apaixonei, e, desde então, sempre dou um jeitinho de voltar.

Berlim é uma cidade com mais de 360 milhões de habitantes e que acolhe bem seus turistas. Ela tem uma estrutura incrível, oferece atividades para todos os gostos e idades e, todas as vezes que estive lá, fiquei impressionada como se pode comer bem sem gastar muito, até mesmo nos bairros mais hipsters da cidade.

Berlim traz a sua história estampada em cada rua. Não dá para caminhar pela cidade sem ser relembrada, constantemente, de que ela já foi dividida, sem pensar na Guerra Fria, na Segunda Guerra Mundial, nas perseguições étnicas e no Holocausto.

Com tudo isso, Berlim vai fazer você se apaixonar e querer voltar mais vezes, até mesmo porque ela é uma cidade gigantesca e super interessante. Eu vou deixar aqui as minhas cinco atividadades favoritas para se fazer na capital alemã.

1. Comer

Em Berlim, é possível encontrar comidas de todas as partes do mundo com facilidade e qualidade. O melhor de tudo é que você não vai precisar gastar muito para comer bem. No entanto, uma das especialidades mais famosas da cidade é salsicha grelhada, mais conhecida como Currywurst. Os berlinenses sempre sabem onde tem a melhor e mais tradicional Currywurst, mas o fato é que esse petisco é vendido em toda parte: restaurantes, bares, quiosques e até pequenas lanchonetes.

Imagem: Currywurst por hansiline@Pixabay

2. Passeio de barco pelo rio Spree

Esse passeio de barco, praticamente, cruza a cidade. Você vai passar por vários monumentos e edifícios importantes da história de Berlim, como a catedral e o Reichtag, a sede o governo alemão.

Imagem: Rio Spree por analogicus@Pixabay

3. Karaokê do Mauerpark

Apesar de ser uma grande metrópole, Berlim é uma cidade muito verde. Vale a pena visitar seus parques que, muitas vezes, aos domingos, oferecem diversas opções de lazer, como feirinhas de coisas usadas, street food e karaokê. No Mauerpark, por exemplo (pelo menos antes da crise do Corona), o karaokê do domingo mais parecia show de artista famoso. Muito badalado e super divertido.

Imagem: Mauerpark por VelentinBacu@Pixabay

4. Potsdam

Tudo bem que não é exatamente Berlim e sim Potsdam, mas, já que você está na capital, vale a pena dar uma esticadinha até lá para visitar os imponentes palácios e jardins construídos para Frederico II, Rei da Prússia. A viagem de transporte público do centro de Berlim até Potsdam dura aproximadamente 40 minutos e vale muito a pena.

Imagem: Potsdam por AchimScolty1970@Pixabay

5. Sair para fazer farra à noite

A cena noturna de Berlim é uma das mais badaladas e famosas do país. Se você for para lá, não deixe de cair na gandaia pelo menos uma noite. São inúmeras opções de festas, bares, boates temáticas e shows diferentes que fica até difícil escolher o que indicar. O centro da cidade e os bairros Friedrichshain e Kreuzberg vão te enlouquecer com tantas opções. Faça uma busca na internet do que está rolando na ciadade na noite que você estiver lá e se surpreenda com a quantidade de alternativas. Prepare-se para só voltar para casa quando estiver amanhecendo.

Dá pra encontrar um monte de dicas aqui:

https://www.visitberlin.de/de/nightlife
https://www.top10berlin.de/de/cat/nachtleben-269

Ficou faltando alguma dica imperdível do que fazer em Berlim? Compartilha com a gente aqui nos comentários!

*Por Cris Oliveira

Imagem de destaque: Brandenburger Tor por cms-archiv@Pixabay.

Você tem síndrome do nível intermediário? 5 Dicas para alavancar o seu inglês.

Imagine a seguinte situação: você resolve fazer um curso de inglês, estuda durante meses (talvez até um ano ou mais) e aprende muito nesse tempo. Aí chega uma hora em que os temas começam a ficar um pouco mais complexos. Quase sempre nesse momento, coincidentemente, as coisas começam a ficar mais apertadas no trabalho, na escola ou na faculdade.

Como não está dando para se dedicar ao aprendizado da língua da forma como gostaria, você resolve fazer uma pausa de um semestre, mas ela acaba durando um pouco (ou bem mais) do que isso. Um dia, você começa a sentir dificuldade de novo e já não consegue acompanhar tão bem as reuniões do trabalho em inglês, não sente segurança para conversar com alguém ou tenta assistir aquele programa que você gosta ou ler alguma coisa e não entende quase nada. É quando resolve voltar para um curso e, chegando lá, eles fazem um teste de nivelamento que diz: seu nível de inglês é intermediário.

Depois de alguns meses, esse ciclo se repete e você sempre volta ao mesmo ponto. Nunca sai desse infame nível intermediário.

Imagem: Pixabay

Se conhece bem essa situação, o papo de hoje é com você. Nós vamos lhe dar 5 dicas para sair do famigerado nível intermediário e alavancar de vez o seu inglês.

  1. Encare novos desafios

Para sair do intermediário é necessário, antes de mais nada, entender que as diversas fases de aprendizado requerem esforços e estratégias de estudo diferentes. O que você fazia quando era iniciante, nem sempre vai ser suficiente para sair do intermediário e passar para o avançado. Isso quer dizer que você deve se preparar para enfrentar novos desafios, experimentar estratégias distintas e ousar mais nos exercícios que faz para praticar o idioma.

Isso nos leva diretamente para a próxima dica.

2. Aumente sua exposição a conteúdos em língua inglesa

Imagem: Nappy

Se você não vive em um lugar onde se fala inglês, é ainda mais importante criar situações que lhe exponham ao idioma. Parta de seus interesses pessoais e mande ver! Gosta de assistir séries e filmes? Então que tal assistir sua série favorita com áudio e legenda em inglês? Você pode ouvir podcasts, assinar canais de YouTube, ler blogs, livros, seguir contas de Instagram ou Twitter em inglês. Pode ser que você nem sempre entenda tudo 100%, mas aí o ideal é que você…

3. Redobre sua atenção para o que ouve e lê

Imagem: Pixabay

Então você seguiu a dica número dois e virou a louca ou o louco dos podacast, vídeos, séries, filmes, livros e músicas em inglês. Excelente! Mas lembre-se de também redobrar sua atenção para o vocabulário e estruturas gramaticais que estão chegando até você. Por exemplo, ao assistir um vídeo, atente não só para o que as pessoas estão dizendo, mas também para como elas estão falando. Preste atenção às palavras e estruturas usadas, qual a entonação, etc. Assim, você vai ampliar seu vocabulário e descobrir maneiras diferentes de se expressar.

4. Pratique muito

Imagem: Nappy

Agora que aumentou sua exposição ao idioma, você vai começar a aprender muitas expressões novas, mas vai precisar usar esse seu novo conhecimento de forma ativa para garantir que ele fique realmente salvo em seu HD mental. A melhor forma de fazer isso é praticando. Para isso, é importante que você procure situações para treinar o que você aprendeu. Você pode organizar um grupo de conversação, participar de fóruns na internet, escrever diários, etc. As redes sociais estão cheias de grupos de pessoas das mais diversas partes do mundo interessadas em praticar inglês. Uma outra opção mais clássica, porém, muito eficiente, é fazer aula de conversação, que hoje em dia pode ser presencial ou online.

5. Persistência

Imagem: Pixabay

Nossa quinta e última dica é essencial. Muita gente desiste do inglês quando está no intermediário porque, ao contrário do iniciante, neste nível não é nada fácil detectar a evolução do aprendizado. Muitas vezes, sem conseguir perceber a sua progressão, muitas pessoas acabam se desestimulando e até desistindo. É importante se manter firme, caso o seu desejo seja, realmente, avançar de nível. Tenha paciência porque esse processo pode ser difícil e demorado, a depender de quanto tempo você investe nos estudos. Evite se comparar com outras pessoas, mantenha seu foco e persista em suas atividades. Se você fizer isso, logo logo estará abrindo as portas para o nível avançado.

Experimente essas dicas e divirta-se com seu aprendizado.

*Por Cris Oliveira

Continuidade Indica: Viagem aos Seios de Duília

Hoje, queremos indicar uma leitura leve e cheia de poesia. Viagem aos Seios de Duília é um conto de Aníbal Machado, de 1944, e conta a história de José Maria, um funcionário público aposentado que embarca em uma viagem em busca de um passado idealizado. O sentimento de desconexão com o presente e a projeção desse ideal de felicidade no passado é traduzido de forma surpreendentemente poética no conto.

Esse sentimento, captado de forma muito precisa no conto, nos remete às fases da migração sobre as quais tanto falamos nos episódios iniciais do nosso podcast (episódios 05, 08, 10 e 11 da primeira temporada). Quando imigramos, algumas vezes por falta de informação, outras por causa de um otimismo extremo e pouco crítico, acabamos idealizando demais o país de destino. Quando finalmente começamos a nos dar conta da realidade, ela pode vir acompanhada de muito sofrimento.

Mas esse não é o único momento da migração no qual idealizamos nossa vida, cidade ou país. Muitas pessoas, ao se verem confrontadas com as dificuldades da nova vida longe de sua cidade natal ou país de origem, também podem acabar idealizando o passado. De repente, esquecemos as dificuldades, os problemas e os motivos pelos quais decidimos migrar e passamos a nos lembrar de nosso passado de forma romantizada.

Viagem aos Seios de Duília retrata essa romantização do passado de forma primorosa e vai te emocionar.

Boa leitura!

*Por Cris Oliveira

Stolpersteine

Um dia desses, voltando para casa depois de sair com uma amiga, uma rosa largada no chão atraiu o meu olhar. Senti uma certa tristeza ao ver uma rosa assim, abandonada no meio da rua. Não resisti e fui vê-la de perto. Ao chegar, notei que não se tratava de uma flor acidental. Ela tinha sido colocada ali.

Fui pra casa pensando naquela flor deixada por alguém, no que parecia ser uma espécie de homenagem para algum famoso, um personagem importante da cidade, talvez. Um dia depois, no Facebook, vejo uma curta reportagem sobre o projeto “Stolpersteine,” explicando exatamente o significado daquele tijolinho que tinha chamado minha atenção na noite anterior. Que coincidência!

Stolpersteine é um projeto do artista alemão Gunter Demnig, que teve início em 1992. O fato do projeto ser chamado assim já nos leva à uma reflexão: “Stolpersteine”, em alemão, significa literalmente “uma pedra na qual se tropeça”. Essa expressão pode ser entendida também como um obstáculo a ser superado e era usada para se referir a judeus de forma pejorativa durante a época do nazismo.

As “Stolpersteine” são uma espécie de lápide memorial de pessoas que foram perseguidas, deportadas, assassinadas ou levadas ao suicídio durante este período. São bloquinhos de bronze nos quais se pode ler o nome, a data de nascimento, alguma informação do que se passou na vida daquela pessoa e a sua data de morte.

Cada um desses bloquinhos era talhado e colocado no local pelo próprio artista na última moradia voluntária daquela pessoa. Com o passar do tempo, foram tantas “Stolpersteine” que, em 2005, Demnig passou a contar com o apoio do escultor Michael Friedrichs-Friedlaender para que os blocos continuassem a ser talhados à mão.  A ideia de talhar manualmente cada bloco é uma forma simbólica de devolver a dignidade roubada das pessoas, que, ao serem deportadas para campos de concentração pelo sistema nazista, eram reduzidas a um número.

Atualmente, existem mais de 75.000 lápides memorais espalhadas por quase 1.200 cidades da Alemanha e em 25 países europeus. Com isso, o projeto de Gunter Demnig e seus representantes adquiriu o status de maior monumento descentralizado do mundo.

Cada um desses bloquinhos eterniza um destino triste e fatal de uma pessoa que se viu confrontada com a ignorância, o racismo e a intolerância de um sistema totalitário. Segundo o próprio artista, “a pessoa é esquecida quando seu nome é esquecido” e esse memorial garante que essas vítimas sejam para sempre lembradas toda vez que alguém, andando pela cidade, se depare com uma dessas pedrinhas em seu caminho.

Se quiser conhecer  este projeto mais a fundo ou ajudar a financiar uma Stolpersteine, visite as páginas oficiais do projeto. Lá vocês encontram as informações também em inglês.

A página do projeto em Bremen: http://www.stolpersteine-bremen.de/

A página europeia: http://www.stolpersteine.eu/

*Por Cris Oliveira

Você fala Deutschguês?

Depois do meu Termin fui tomar um sol no Balcão. Aí peguei meu Handy e liguei para uma amiga.

Que frase é essa, Continuidade? Enlouqueceram, foi?

Imagem: what? By Nebraska Department of Education @Pixabay

Calma, gente! Essa frase é um exemplo de Deutschuguês, uma mistura entre alemão e português, muito falada pela brasileirada na Alemanha. Traduzindo isso aí para o português padrão, ficaria assim:

Depois de meu compromisso, fui tomar um sol na varanda. Peguei meu celular e liguei para uma amiga.

O Deutschguês, não é a única “língua” híbrida que existe no mundo bilíngue. Tem gente que fala portunhol, deutschnhol, danglish, spanglish e por aí vai. Quando falamos dois ou mais idiomas fluentemente, as chances são grandes de que, em algum momento, eles acabem se misturando em uma frase ou outra. Isso é um fenômeno natural do bilinguismo chamado code-switching. Nós falamos um pouco sobre isso no episódio 14 da primeira temporada.

De forma bastante resumida, o code-switching é uma solução rápida que nosso cérebro encontra quando estamos falando com pessoas que compartilham os mesmos códigos (idiomas) que a gente. Ou seja, se eu sei que a pessoa com quem eu estou falando entende tanto o português quanto o alemão, o meu cérebro se sente à vontade para buscar vocabulário e estruturas dessas duas línguas para nos comunicarmos. É um fenômeno do bilinguismo que não significa ter menor fluência numa determinada língua.

Imagem: Brain by @elisa_riva  @ Pixabay

É muito interessante notar que crianças bilíngues não fazem code-switching quando falam com pessoas que elas sabem que não dominam os dois códigos. No entanto, se você convive com crianças em fase de desenvolvimento da linguagem (até os 4 anos de idade), vale a pena prestar atenção à forma como você se comunica com elas, já que essas crianças vão desenvolver suas habilidades linguísticas através dos exemplos gerados pela interação entre vocês.

É importante que observar também como sua linguagem se adequa às diversas situações que você vivencia. Por exemplo, é tranquilo deixar sua fala rolar como ela bem quiser quando você estiver no churrasco com seus amigos e amigas, mas é uma boa ideia prestar atenção para não ficar misturando as línguas quando estiver numa entrevista de emprego ou quando falar com algum professor na faculdade.

That’s all! Se quiser falar mais com a gente sobre isso, manda uma mensagem aqui nos comentários. Tchüss!

*Por Cris Oliveira

Continuidade Indica: Coletânea Reedificações

Criar pontes e gerar diálogos: esses são alguns dos principais objetivos do Continuidade.

Acreditamos que existe uma coisa muito poderosa no ato de nos conectarmos a pessoas com as quais compartilhamos as mesmas visões de mundo e objetivos. A certeza de não estarmos sós em nossas aflições, nos traz conforto e acalanto. Por isso, foi uma emoção indescritível nos aproximarmos, mesmo que apenas intelectualmente, da queridíssima Farah Serra.

Farah organizou a “Coletânea Reedificações”, que reúne as histórias de mulheres que se reinventaram através da migração. Esses relatos, em primeira pessoa, nos levaram às lágrimas algumas vezes e, em outras, nos mostrou que nossas dores e incertezas são compartilhadas por muito mais pessoas do que imaginamos.

A Coletânea Reedificações conta com histórias de mulheres diferentes e a sua organizadora tem um desejo em comum com o Continuidade: abrir espaços para que mais mulheres falem por si mesmas, aumentar e estimular a cooperação entre nós e ecoar o movimento de mulheres que inspiram outras mulheres.

No nosso podcast, convidamos algumas das mulheres que compartilharam suas histórias na Coletânea Reedificações e o primeiro desses episódios especiais já está no ar. Érica Martins Carneiro morou na Alemanha e há alguns anos vive na Islândia com sua família trabalhando como guia de turismo. Clica aqui para ouvir o episódio e conhecer um pouco mais sobre a história dela!

Para quem se interessou e quer saber mais sobre o projeto e/ou adquirir o livro, é só entrar e contato diretamente com a organizadora através do email: farahserra@farahserra.com.
Recomendamos muito essa leitura!

*Por Cris Oliveira