Histórias de Migração: Svenja Fritsch

Olá, eu sou Svenja e nasci em Lübeck, uma cidade no estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha. Morar fora sempre foi um desejo meu. Eu sempre fui muito curiosa para conhecer outras culturas, outras realidades e outros contextos geográficos também.

A migração está muito presente na minha história familiar. Minha mãe é austríaca e meu pai nasceu em uma cidade que, hoje, pertence à Polônia. Ainda quando bebê, ele e sua família fugiram para o sul da Alemanha. Viagens para visitar a família sempre foram muito comuns na minha infância, ou seja, desde muito cedo eu tinha consciência de que existiam outras realidades e outras culturas. Eu sou uma pessoa com um histórico de migração, mas isso frequentemente passa despercebido aqui na Alemanha pelo fato de eu ser uma mulher branca que fala alemão sem sotaque.

Minha primeira experiência morando fora da Alemanha foi através de um estágio de 6 semanas em Viena, na Áustria. Este estágio, em uma agência de intercâmbio internacional, fez aumentar em mim a vontade que já existia de viajar e conhecer novas culturas. Nessa época eu conheci pessoas muitos legais, mas eu senti uma conexão toda especial com as da América do Sul.

Aproveitando as oportunidades que a minha faculdade proporcionava, tratei logo de organizar mais um estágio, desta vez no Chile. A minha temporada no Chile deveria durar uns 6 meses e eu acabei estendendo por um ano para realmente poder viver de forma bem intensa tudo o que Valparaíso tinha para me oferecer. Uma curiosidade: Valparaíso me lembra muito Salvador, mas deixa que eu já conto como foi que se deu a minha experiência com o Brasil.

Em agosto de 2009, eu tinha terminado a faculdade e estava muito cansada do mundo acadêmico. Sentia que precisava ganhar distância. Estava numa fase meio de crise, sem saber exatamente o que eu queria para a minha vida. Eu meditava muito. Um dia, escutando uma música de um documentário, eu tive uma espécie de visão. As imagens que me vinham naquele momento me lembravam a Bahia. Não tive dúvida: comprei a passagem para o Brasil e, por via das dúvidas, marquei a viagem de volta pra seis meses depois, saindo de Santiago do Chile, que eu já conhecia e onde tinha amigos.

Minha ida para a Bahia foi como uma espécie de chamado. Depois disso, foram muitas coisas se sincronizando e me mostrando que seria a decisão certa ir para lá. Chegando no Brasil, eu fui me deixando levar pelos acontecimentos. Prorroguei meu visto de turista, deixei minha passagem vencer e fui ficando. Morei em Salvador, na Chapada Diamantina, e em Imbassaí, que pertence ao município de Mata de São João. Eu trabalhava em troca de alojamento e ia me virando como dava.

Voltei para a Alemanha somente porque meu pai estava completando 70 anos e eu queria fazer uma surpresa para ele. Nessa ocasião, já estava bem claro para mim que, depois da festa de meu pai, eu organizaria minhas coisas e migraria de vez para o Brasil. Foi exatamente isso o que eu fiz. Voltei pra Bahia e fiquei lá por um ano. Acabei voltando outra vez para a Alemanha porque, depois de um término bem complicado de relacionamento, eu precisava me recuperar tanto emocionalmente quanto economicamente.

Morar no Brasil, para mim, foi como um processo de cura. A Bahia e a Alemanha estão, no meu ponto de vista, em dois polos extremos e eu gostei muito de ter aprendido uma forma diferente de conviver. Aprendi muito sobre solidariedade, gostei da leveza que as pessoas têm para se entregarem às coisas e como a arte é presente em tudo na Bahia. Além disso, eu gosto muito da culinária baiana e até hoje sinto falta.

A religiosidade de matriz africana da Bahia também me encanta. A presença de rituais que têm um sentido mais profundo. A conexão com a natureza e com a vida é muito mais forte no Brasil. Fico muito tocada em ver como as pessoas de lá se conectam com suas ancestralidades. Acho que, aqui na Alemanha, a gente vive de forma muito desconectada com nossas origens. Morar fora me ajudou a refletir sobre a minha própria origem. A Bahia me fez entender muito sobre a minha própria cultura.

Por outro lado, é muito difícil conviver com tanta violência. O forte racismo, assaltos, ataques contra a população LGBTQIA+ e a presença sempre constante da polícia me incomodavam muito. Uma vez, eu presenciei uma perseguição policial na qual os policiais dispararam tiros contra os fugitivos, sem se importarem com as pessoas (muitas crianças) que estavam em volta. Também não me sentia muito bem com a constante desconfiança das pessoas, resultado da sua história violenta, de uma realidade marcada por tanta injustiça social e pela clara corrupção.

Mesmo assim, o Brasil continua sendo muito importante para mim. Eu falo cinco idiomas e sinto que cada parte de minha personalidade se revela de forma diferente quando falo cada um deles.

Com o português, eu sinto que posso expressar uma parte muito forte de minha personalidade. O Brasil tem um status muito especial para mim, pois foi lá que eu consegui entrar em contato com minhas paixões de dança, de música e de culinária. O Brasil me ajudou a me conectar com minha alma. Aqui na Alemanha muita gente me pergunta se eu sou brasileira e eu respondo “não no passaporte, mas no sentimento sim”.

Eu sou Svenja e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

*Depoimento transcrito por Cris Oliveira

Como virei professora de alemão

Todo mundo me conhece um pouco sabe que eu sou professora professora de inglês. O que poucos sabem é que, há dois anos, eu resolvi encarar mais um novo desafio na minha vida: o de ensinar alemão como segunda língua. Desde que resolvi explorar essa nova possibilidade profissional, foram muitas novas histórias e aprendizados e eu gostaria de dividir alguns deles aqui com vocês. Mas deixa eu contar primeiro como foi que essa coisa de ensinar alemão começou pra mim.

Imagem: Pixabay

Tudo aconteceu meio de repente. A guerra no Oriente Médio e diversos problemas socioeconômicos pelo mundo afora deram impulso a mais uma gigantesca onda migratória para a Europa Central. Essa onda migratória atingiu um pico em 2015. De repente, a Alemanha se viu tendo de dar conta de receber milhares de pedidos de asilo de uma vez e, com isso, tendo de encontrar profissionais das mais diversas áreas para manter uma estrutura que atendesse a tanta gente nova chegando. A minha profissão foi a primeira que entrou em demanda rapidamente. 

Ainda hoje, estima-se que Bremen precise de mais 350 professores para suprir o número de professores necessários para dar conta da formação dessa criançada nova que está entrando no sistema escolar. Uma das matérias que precisa ser aprendida com mais urgência nas escolas é obviamente o alemão, por ser a porta de entrada para absolutamente todo o resto. Por isso praticamente todo professor virou um potencial professor de alemão como segunda língua.

Lá pro final de 2015, bem no momento em que o número de pessoas chegando aqui em busca de refúgio chegou a atingir a marca de uns 6.000 por dia, eu resolvi me candidatar a uma vaga de emprego como professora de inglês na secretaria de educação de Bremen. Até então eu trabalhava como professora freelancer dando aulas principalmente pra adultos em empresas. Fui chamada para a entrevista feliz da vida, sem nem imaginar o que aconteceria depois. 

No meio da entrevista, comecei a perceber que o entrevistador me perguntava demais sobre como foi meu próprio processo aprendendo alemão e depois queria saber se eu teria a flexibilidade, se fosse necessário, de ensinar essa língua também além do inglês. Disse que sim, porque achei que o cara tava de brincadeira, fazendo uma dessas perguntas hipotéticas de entrevista de emprego, até mesmo porque ele estava me ouvindo falar e eu não achava (e pra falar a verdade ainda não acho) que meu alemão seja assim tão maravilhoso e confiável a ponto de levar alguém a achar que dá pra ensinar. 

Vocês podem imaginar a surpresa que tive quando eles me chamaram dizendo que queriam me contratar, mas em primeira linha para ensinar alemão. Primeiro me tremi toda. Perguntei se tinha sido engano. Não era, estavam seguros e era isso mesmo. Me deram um tempo pra pensar e acho que aquela semana foi a mais demorada que já vivi na minha vida. Ia e voltava o tempo todo na decisão. 

Imagem: Pixabay

Até que chegou o dia de dar a resposta e eu ainda não sabia o que diria. Sentia um frio na barriga todas as vezes que me imaginava entrando na sala de aula, olhando para a cara daquele monte de adolescente e me apresentando como sua professora de alemão. Sentia muito medo, mas não sabia exatamente de quê. Até que chegou o dia da ligação na qual eu teria de comunicar minha decisão. 

Poucas horas antes, estava convencida a rejeitar o trabalho. Dizia para mim mesma: “Você mesma não sabe falar direito a língua, como quer se meter a ensiná-la?”; “Vai ficar muito claro que você não tem competência pra ensinar alemão. Vai se queimar feio.”; “Pra que procurar esse tipo de sarna pra se coçar? Recuse educadamente, deixe bem claro que você é professora de inglês, fale que, se aparecer outra oportunidade desse tipo, você estará às ordens.”; “Muitos alunos virão com história de traumas, muitos terão contato com escola agora pela primeira vez. Você não tem experiência para lidar com esse tipo de turma.”; “A estrutura das aulas por aqui é diferente daquelas com as quais você é acostumada”. Vai ser difícil se adaptar ao conceito pedagógico daqui.”; “São muitas novidades ao mesmo tempo. Você vai enlouquecer!” Repetia todas esses argumentos mentalmente para poder recusar com firmeza e para não deixar brechas para possíveis insistências.

Preparadíssima para a hora da verdade, fiz a ligação. Fui atendida por uma funcionária muito simpática do RH que peguntou meu nome. Quando e falei ela imediatamente puxou papo. Queria saber se eu era portuguesa ou espanhola. Disse que era brasileira, mas que falamos português no Brasil. “Ah que interessante”, disse ela, e continuou com uma certa conversinha fiada, provavelmente para quebrar o gelo. 

De repente a conversa dela pendeu pra direção do trabalho, das aulas, do que seria esperado de mim. A partir daquele ponto, ela começou a conduzir a conversa de forma bem estruturada, do jeito que alemão gosta e, antes de ir direto ao ponto, resumiu: “A senhora passou no processo seletivo e nós gostaríamos de lhe oferecer um contrato assim, assim, assim, mas como o trabalho tem esses prós e esses contras, resolvemos oferecer-lhe uma semana pra que a senhora pensasse e decidisse se realmente se imagina trabalhando conosco.” 

Enquanto ela listava os aspectos positivos e negativos do trabalho, me dei conta de que estava ouvindo aquilo tudo de uma forma diferente. Parecia que estava ouvindo a lista dos prós pela primeira vez e, de repente, minha lista de argumentos contra parecia meio fraquinha. 

No meio disso tudo, uma frase dela ficou martelando minha cabeça: “Tem todos esses desafios, no entanto é uma função super importante, porque dominar a língua vai ser o trampolim que eles precisam para poder se integrar nessa sociedade. Para muitas famílias, a senhora será o único contato com a sociedade alemã, já que muita gente vem pra cá sem ter ninguém. A senhora estará ajudando a mudar a vida de muitas pessoas.” 

Imagem: Pixabay

Enfim, chegou a hora da verdade: “E então? Agora gostaria de saber o que a senhora decidiu. Ou ainda teria alguma pergunta a que eu possa responder?”

Nem acreditei na resposta que saiu de mim, sem que eu tivesse tido tempo de titubear:

-“Sim. Quando começo?”

*Por Cris Oliveira

*Revisado por Marina Hatty

Este texto foi originalmente publicado no blog A Saltimbanca, em 29 de novembro de 2018.

Imagem de destaque: Pixabay.

Giro Pelo Mundo: 6 Dicas do Que Fazer em Madri

Madri é uma cidade encantadora não somente pela arquitetura, mas principalmente pela sua gente. Quando cheguei aqui pela primeira vez, bateu logo aquele “click” que dizia: eu bem que poderia morar aqui. Os anos passaram e, quem diria, cá estou!

Nesse post, quero dividir com vocês alguns dos meus cantinhos preferidos da cidade. Muitos são clichês, mas o que seria da vida sem eles, não é mesmo? Sabemos que o momento não está muito propício a viagens, mas já guarda aí as dicas para quando essa fase difícil passar.

1. Passeio no Parque do Retiro

Parque do Retiro. Imagem: Daniel Salazar por Pixabay

Com certeza, o Parque do Retiro é um dos lugares mais lindos da cidade. Ele é enorme e cheio de atrações de tirar o fôlego. Além de um passeio super agradável, lá você também vai encontrar os Palácios de Cristal e de Velazquez. O lago central e seus jardins também são muito lindos e cercados de bares e restaurantes.

2. Pôr do sol no Templo de Debod

Templo de Debod. Imagem: Flickr / jiuguangw / CC BY-SA 2.0

É, com certeza, a minha vista preferida da cidade. O monumento em si não é nada demais, mas vale muito o passeio para apreciar o pôr do sol incrível. Uma boa dica é levar uma canga para sentar na grama e aproveitar o espetáculo.

3. Domingo na Feira do Rastro

El Rastro. Imagem: OLMO CALVO por elmundo.es

O Rastro é uma feita livre que acontece todos os domingos de manhã no bairro de La Latina. A feira se espalha por várias ruas e há uma variedade enorme de produtos: utensílios para casa, roupas, bijuterias, artigos em couro, prata, além de sebos de livros e artigos vintage. Mas é preciso ter atenção aos bolsos e bolsas, viu? O Rastro costuma ser muito cheio e é comum haver pequenos furtos, principalmente de aparelhos celulares.

4. Noite de Malasaña

Um dos bairros mais badalados de Madri, cheio de bares e discotecas. Não faltam boas opções de onde tomar um drink e provar as famosas tapas.

5. Compras na Gran Vía

Gran Vía. Imagem: donfalcone por Pixabay

A Gran Vía é uma avenida enorme e cheia de prédios com uma arquitetura lindíssima. Concentra um número enorme de lojas e é também onde estão os grandes teatros musicais de Madri. Mesmo que o seu objetivo não seja o de ir às compras, vale muito a pena dar uma volta pela Gran Vía.

6. Visita aos Museus do Prado e Reina Sofia

Um passeio pelos museus do Prado e Reina Sofia também é um programa imperdível para quem gosta de arte. No Museu do Prado você vai encontrar, por exemplo, obras de artistas renomados como Salvador Dalí. No Reina Sofia, um dos astros é o famoso quadro Guernica, de Pablo Picaso.  

Dica bônus: Escapada para Toledo

Imagem: Anne & Saturnino Miranda por Pixabay

Ué, mas Toledo nem é Madri! Verdade. Mas a cidade é tão  linda que vale a pena tirar um dia para ir lá. O centro histórico Toledo está elevado e a vista de seus miradouros é maravilhosa. A cidade está bem pertinho de Madri, a uma hora de ônibus.

E você? Conhece Madri? Qual o seu cantinho preferido da cidade?

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Juan Miguel González por Pixabay.

Canções de Migração: Asa Branca

Asa Branca, de Luiz Gonzaga, é uma canção que retrata uma realidade difícil, em que o eu lírico não vê outra solução que não deixar sua terra e sua gente e partir em busca de uma vida melhor em outro lugar. É um exemplo de um tipo de migração muito comum no Brasil: o êxodo rural.

A música toca pela sinceridade e simplicidade, além de descrever uma situação de grande sofrimento. Num contexto de pobreza e seca, a constatação de que migrar é única solução possível para a sobrevivência.

Que braseiro, que fornaia

Nem um pé de plantação

Por falta d’água perdi meu gado

Morreu de sede meu alazão

O luto está presente em todas as estrofes da canção, seja na tristeza ao se deparar com a realidade, seja dor de deixar para trás sua terra, sua gente e até mesmo um amor.

Inté mesmo a asa branca

Bateu asas do sertão

Entonce eu disse, adeus Rosinha

Guarda contigo meu coração

Assim como muitos migrantes que deixam seu local de origem não por vontade, mas por necessidade, o desejo de voltar pra casa se faz presente na canção. O retorno é amparado na esperança de dias melhores.

Quando o verde dos teus olhos

Se espalhar na plantação

Eu te asseguro não chore não, viu

Que eu voltarei, viu

Meu coração

Luiz Gonzaga viveu o êxodo rural, quando saiu de sua terra natal, a cidade de Exu, no sertão pernambucano. Luiz viveu em Fortaleza, no Ceará, e, depois, no Rio de Janeiro. Gonzagão, como também era chamado, ficou conhecido como o Rei do Baião e levava a cultura sertaneja nas roupas, na música e na sua história.

A música Asa Branca foi um dos primeiros sucessos do artista, lançada em 1947. Até hoje é considerada um dos grandes clássicos da música brasileira.

*Por Lali Souza

Fontes:
e biografia – Luiz Gonzaga
Brasil Escola

A imigração japonesa no Brasil

A maior comunidade Japonesa fora do Japão está no Brasil. No entanto, pouco se fala sobre esse 1,6 milhão de pessoas no território brasileiro. Quando falamos na comunidade japonesa no Brasil, a primeira associação que se faz é o bairro da Liberdade, em São Paulo. Além disso, pensa-se também em comidas e bebidas como Sushi e Sakê, que ganharam muita popularidade nas cenas urbanas das grandes cidades brasileiras. Mas você sabe como se deu a imigração japonesa para o Brasil?

Depois de uma brasileira de descendência japonesa contar sua história para gente no segundo episódio da segunda temporada do nosso podcast (clica aqui pra ouvir!), decidimos que precisávamos saber mais sobre a comunidade japonesa no Brasil.

A emigração Japonesa teve início em 1868, tendo sempre pontos altos nos períodos pós-guerra. No Brasil, ela chegou apenas em 1908, em consequência das políticas emigratórias japonesas e de mudanças sociais no Brasil.

Para o Japão da época, fazia sentindo estimular uma nova política migratória, com objetivo amenizar tensões sociais que surgiam devido à escassez de terras e endividamento de trabalhadores rurais. O Brasil, por sua vez, buscava trabalhadores estrangeiros para substituir a mão-de-obra das pessoas escravizadas, depois da abolição da escravatura.

No início do século XX os Estados Unidos, que eram o destino preferido dos japoneses, vetaram a entrada desses imigrantes em seu território. Com isso, o Brasil acabou recebendo um fluxo ainda maior de pessoas vindas da Terra do Sol Nascente.

“Sakura”, a flor de cerejeira, é linda e muito típica do Japão.

A comunidade japonesa, no entanto, ao contrário dos emigrantes europeus, foram alvo de grande preconceito ao pisar em solo brasileiro. Não podemos esquecer que, nessa época, havia uma política de embranquecimento da população brasileira e os japoneses enfrentavam grande resistência vinda da sociedade local por serem considerados exóticos demais.

No Brasil reinava a ideia racista de que os asiáticos eram impossíveis de se adaptarem devido às diferenças étnicas, físicas e culturais e sua presença era sempre vista com desconfiança e restrições sistemáticas. Os desdobramentos da Segunda-Guerra Mundial também foram responsáveis por gerar um sentimento de grande hostilidade contra imigrantes japoneses pelo mundo.

Apesar dessa história meio conturbada, Brasil e Japão têm uma longa história de migração em ambas as direções. Hoje em dia, brasileiros são maior grupo étnico “não-asiático” dentro do Japão e a migração de descentes de japoneses para o Japão é ainda bastante expressiva.

*Por Cris Oliveira

Fonte: https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/japoneses/a-identidade-japonesa-e-o-abrasileiramento-dos-imigrantes.html

Continuidade Indica: filme Casamento Grego

Casamento Grego é um filme independente de comédia lançado em 2002, que trata de uma relação romântica intercultural entre a grega Toula (Nia Vardalos, que também escreveu o longa) e o “não-grego branco anglo-saxão protestante” Ian (John Corbett). O pai de Toula sonha em vê-la casada com um homem também grego. Já imagina que deu ruim, né?

Eu não vou falar muitos detalhes do filme, porque a intenção aqui não é fazer uma crítica nem, muito menos, dar spoiler, mas queria aproveitar o gancho da indicação para refletir um pouquinho sobre as tais relações interculturais que até já foram tema de episódio no nosso podcast (ainda não ouviu? Clica aqui!). No filme, o tema é tratado com muito bom humor, mas na vida real nem sempre é assim.

Ian (John Corbett) e Toula (Nia Vardalos) no filme O Casamento Grego

Os relacionamentos interculturais podem trazer grandes desafios não somente para as partes diretamente envolvidas (o casal), mas também para as suas famílias. Ainda usando como exemplo a história de Toula, a sua família relutou muito em aceitar que ela se casasse com um homem de uma cultura diferente da sua, como se essa atitude significasse um rompimento com a sua gente a sua origem.

Por outro lado, há também as dificuldades entre o par em questão, por terem que lidar no dia a dia com uma pessoa de costumes muito diferentes dos seus. Em Casamento Grego, Ian se viu diante de um grande obstáculo: convencer a família de Toula de que ele era digno de casar-se com ela – mesmo não tendo a mesma nacionalidade – e o de se adaptar aos costumes e aos valores dessa nova cultura.

É preciso muito respeito e cuidado para encontrar o equilíbrio e a harmonia numa relação intercultural. Um bom exercício é entender que o outro é apenas diferente de vocês, o que não significa que essa pessoa está errada. Muitas vezes, as diferenças até ajudam a alimentar o amor e a trazer dinâmica para as relações. Porém, se está muito difícil e você se sente mais triste do que feliz, acenda o sinal vermelho de alerta repense se vale a pena seguir ou não nesse relacionamento. Se precisar de ajuda, já sabe: conta com a gente!

Por fim, Casamento Grego é uma comédia romântica muito leve e divertida, ótima pedida para uma tarde de domingo. O sucesso foi grande tão grande que a história ganhou uma continuação, lançada em 2016: Casamento Grego 2.

Assista e conte pra gente o que achou!

*Por Lali Souza

Fontes:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-45569/
https://pt.wikipedia.org/wiki/My_Big_Fat_Greek_Wedding

Mulheres Migrantes: Anousheh Ansari

O Mulheres Migrantes de hoje é dedicado a Anousheh Ansari. A fama da empresária veio depois de sua ida ao espaço, para uma estada de nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional em 2006. Ansari, mesmo não sendo a primeira mulher a sair da atmosfera terrestre, é considerada a primeira mulher a visitar o espaço como turista, já que foi ela mesma quem pagou pela sua passagem para fora do planeta Terra.

Anousheh Ansari nasceu e foi criada no Irã. Por ser um país com estudos limitados para meninas, a sua família a enviou para viver nos Estados Unidos com uma tia, aos 16 anos, para que pudesse seguir seus estudos na área da Ciência. Hoje, Anousheh fala fluentemente inglês e francês, além do seu primeiro idioma, o persa. Ela se formou em eletrônica e engenharia da computação, seguido de um mestrado em engenharia elétrica, ambos na Universidade George Washington. Ela ainda tem um doutorado honorário da International Space University.

Ansari foi naturalizada estadunidense e se tornou uma grande empresária no ramo digital. Para ajudar a impulsionar a comercialização da indústria espacial, Anousheh e sua família patrocinaram o Ansari X Prize, um prêmio em dinheiro de US$ 10 milhões para a primeira organização não governamental a lançar uma espaçonave tripulada reutilizável ao espaço por duas vezes no intervalo de duas semanas.

Imagem: Divulgação

Segundo a sua biografia, Anousheh é membro do Círculo de Visão da Fundação X Prize, bem como de seu Conselho de Curadores. Ela é membro vitalício da Association of Space Explorers e do conselho consultivo do projeto Teacher’s in Space. Ela já recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira e, hoje, dedica-se também a capacitar empreendedores sociais para a promoção de mudanças radicais em todo o mundo.

Olhando para toda a sua história de vida e conquistas, quando perguntada pelo portal Entrepreneur Middle East sobre que conselho daria às meninas e mulheres do oriente médio que têm sonhos tão grandiosos como os dela, disse: “nunca desista, porque o resto você dá um jeito. Se você desistir, nunca vai saber”.

*Por Lali Souza

Imagem de destque: X Prize

FONTES:

http://www.anoushehansari.com/about/

https://www.entrepreneur.com/article/339408

https://pt.wikipedia.org/wiki/Anousheh_Ansari

Que língua é essa? 5 dicas para aprender Espanhol

Aprender a língua local é um dos primeiros desafios que o imigrante encontra no seu país de destino. Acabou de chegar num país hispano falante? Pois pode soltar um suspiro aliviado: esse post é para você.

A professora espanhola Mari Paz separou umas dicas sensacionais, práticas e aplicáveis no dia a dia, que vão te ajudar muito no aprendizado do idioma castelhano.

Pega papel e caneta ou se prepare para os prints! Vamos lá?

1. Mude o idioma de equipamentos e aplicativos para o Espanhol

Essa é uma forma muito eficiente de inserir o novo idioma no seu dia a dia, além de aprender palavras e expressões úteis. O celular e o computador são ótimos para isso, pois você já sabe onde estão as coisas e não vai se confundir. O mesmo vale para o GPS, que pode ser usado mesmo em caminhos que já conhece, assim não vai se perder e ainda aprenderá vocabulário relacionado a receber e dar direções, por exemplo.

2. Escreva a lista de compras em Espanhol

Não precisa nem dizer o quanto essa dica é útil para aprender um vasto vocabulário sobre alimentos, itens de limpeza e tudo o mais que se pode encontrar num supermercado, né? É uma oportunidade não só de aprender e buscar palavras novas, mas também de praticar a escrita.

Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

3. Dedique um tempinho do seu dia para pensar em Espanhol

Essa dica demanda algum nível mínimo do idioma, claro, mas você pode fazer isso com as palavras que conhece. A ideia é: todos os dias, nem que seja por cinco minutos, pare um pouquinho para pensar em Espanhol. Pense, por exemplo, no que você fez naquele dia ou quais são seus planos para o fim de semana. O tema é livre e essa prática ajuda muito (e sem medo de errar). Ah! Se sentir falta de alguma palavra para completar o raciocínio, essa é a deixa para pesquisar e aprender ainda mais.

Pode ser até enquanto toma um sorvete. Boa ideia, hein? | Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

4. Invista tempo em ler e assistir séries, filmes e televisão em Espanhol

Parece óbvio, mas a verdade é que muita gente não dá o devido valor a essa dica. Lendo em espanhol, é possível aprender novas palavras e também se familiarizar com a sua grafia. Ler e escrever são duas habilidades totalmente conectadas.

Já os filmes, séries e programas de TV vão te ajudar muito na compreensão do idioma em sua forma oral. Colocar legendas em espanhol também pode ajudar a identificar aquela palavra que você não entendeu bem ou ainda aprender como se escreve. Anote as palavras e expressões desconhecidas para depois pesquisar o seu significado.

Imagem: Michal Jarmoluk por Pixabay.

5. Evite decorar listas extensas de palavras soltas

Um idioma não é puramente um monte de palavras, é preciso conhecer a forma de usá-las. Uma boa dica para aprender vocabulário é colocar as palavras dentro de um contexto. Pense nelas numa frase ou pequeno diálogo, assim fica muito mais fácil não só aprender a palavra (por conseguir chegar nela através de associações de ideias), mas também saber como e quando utilizá-la.

Esperamos que essas dicas sejam úteis no seu aprendizado. Se você tem mais alguma dica infalível para ajudar no aprendizado do castelhano, compartilha aqui com a gente nos comentários, ok? Até a próxima!

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Cindy Parks por Pixabay.

Histórias de Migração: Mariana Riccio

Nascida e criada em terras soteropolitanas, apesar de ser bisneta de italiano, minha história de migração começou mesmo com uma pergunta que minha mãe me fez: “filha, por que você não faz um intercambio? ”

Até 2006, nunca havia pensando em sair do país, muito menos de Salvador. Na minha familia até tinha alguns casos de migração, mas eu vivia a vida tranquilamente, tinha questões internas em relação à cidade e a mim mesma, mas não era nada demais.  Adentrei 2007 embarcando para minha primeira viagem internacional e completamente sozinha, fui fazer um interncambio de 6 semanas em Malta.

Posso dizer que foi a partir daí que uma formiguinha me picou e a sensação de “preciso viver mais disso e conhecer mais lugares” nunca mais parou de coçar. Em 2008, me formei em jornalismo e, dois meses depois, embarquei para um novo intercambio, desta vez de um ano, em São Francisco, California. 

Depois que retornei ao Brasil, fiquei pingando de emprego em emprego, de cidade em cidade. Cheguei em Salvador, depois morei em São Paulo, passei um período no Rio procurando emprego, voltei pra Salvador, fiz campanha política no interior da Bahia.

Quando arranjei um emprego fixo, entrei em um ritmo de vida mais estável na minha cidade natal. Mas sabe aquela coceirinha? Continuava ali.  Comecei a pesquisar sobre migrar para a Califórnia, já que tinha feito grandes amigos por lá e conhecia bem o local. Depois, cheguei a estudar francês pensando em migrar para o Canadá. Enfim, pesquisava aqui e acolá, mas nada se concretizava.

E foi num show do Maroon 5, em março de 2016, que minha melhor amiga me disse que estava pensando em migrar para Portugal através dos estudos (confira o relato dela aqui). Quando ela acabou de falar qual era a sua ideia, eu disse sem dúvida alguma: “também vou”.

Neste mês de setembro, completo 4 anos em Portugal. Honestamente, posso dizer que tem sido uma relação agridoce. Aqui conheci pessoas muito especiais, ganhei o título de mestre pela Universidade do Porto, aprendi mais sobre pertencer, sobre como é díficil criar laços depois dos 30, passei o pão que o diabo amassou para consegui um emprego, bati de frente com as burocracias da migração e do dia-a-dia, ouvi muito “não sei como é no Brasil, mas aqui…”.

Mas também foi aqui, bem no inicio da minha aventura em terras lusitanas, que conheci um português muito tímido e gentil, que entrou na minha vida e fez tudo ficar mais leve e fácil. Hoje somos casados e estamos prestes a receber o nosso primeiro filho.

Eu sou Mariana Riccio e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?


*Por Mariana Riccio

Continuidade Indica: Two Caravans, de Marina Lewycka

A dica de hoje é de uma leitura leve, emocionante e muito divertida: Two Caravans, de Marina Lewycka.

Marina Lewycka é uma escritora de origem ucraniana que nasceu em um campo de refugiados em Kiel, na Alemanha, e que, ainda criança, migrou para a Inglaterra com sua família. Em seus livros, ela sempre incorpora elementos da cultura ucraniana e até mesmo de sua história familiar. Suas personagens são sempre figuras peculiares, muito humanas e cheias de humor.

Two Caravans conta a história de imigrantes do leste europeu que vão trabalhar na Inglaterra, na colheita de morangos. A história retrata encontros, desilusões, mal-entendidos e muitas idas e vindas de personagens que deixaram seus lares para trás e foram em busca de seus sonhos em um lugar desconhecido.

Two Caravans é o segundo livro de Lewycka e, infelizmente, ainda não tem tradução para o português. Mas, se você consegue ler em inglês, vale muito a pena! Esta história vai te emocionar, fazer rir e surpreender.

Boa leitura!

*Por Cris Oliveira