Português X Espanhol: Falsos Amigos

Não há dúvidas de que há muita proximidade entre os idiomas português e espanhol e que isso ajuda muito na comunicação entre pessoas nativas destas duas línguas. Elas são tão ligadas que, em algumas situações, é muito possível até mesmo duas pessoas conversarem, uma falando em espanhol e a outra em português.

No entanto, tamanha semelhança pode nos levar a cair em algumas armadilhas do famigerado “portunhol”. Uma dica boa é prestar atenção aos falsos amigos (ou falsos cognatos), que são aquelas palavras iguais (ou muito parecidas) em sua escrita e/ou pronúncia, mas com significados totalmente diferentes.

Não importa se você vai para morar ou só de visita, separamos alguns exemplos de falsos amigos que vão te ajudar a não entrar numa saia justa ao chegar na Espanha ou outro país nativo do idioma castelhano.

No restaurante, preste muita atenção: “un vaso” é um copo, “una copa” é uma taça e “una taza” é uma xícara! Confuso, né? Imagina a cara da garçonete caso você peça uma “taza” de vinho? Vai achar, no mínimo, estranho alguém curtir beber um vinhozinho na xícara.

Ah! Se você gosta de batata frita, lembre-se de pedir “patatas fritas”. Batata, pelo menos na Espanha, é a nossa batata doce.

Outro exemplo clássico e que causa muita confusão são as palavras “pronto” e “luego”. Em espanhol, pronto significa cedo e não tem nada a ver com o nosso “pronto” em português. Se você quer dizer, em espanhol, que uma coisa está pronta, você deve dizer que “está lista”. Já o “luego” tem sentido oposto ao nosso “logo”. Em espanhol, “luego”, significa depois, mais tarde. Portanto, se você precisa que algo seja feito logo, pedir para “luego” pode lhe atrasar um bocado.

A palavra “grasa” tem a pronúncia igual a “graça”, mas, é claro, seus significados são completamente diferentes. A palavra espanhola significa gordura, oleosidade! Chamar alguém de “engraçado”, num país hispanofalante, é o mesmo que dizer que essa pessoa está toda engordurada. Desagradável, né?

E essa lista não para de crescer! Olha aqui mais alguns exemplos de palavras em espanhol que são super parecidas (ou iguais) em português, mas que significam outra coisa:

  • Cachorro = filhote
  • Balcón = varanda
  • Camarero/Camarera = garçom/garçonete
  • Bolsa = sacola
  • Bolso = bolsa
  • Escoba = vassoura
  • Guitarra = violão

Você já passou por alguma situação inusitada por recorrer ao portunhol e acabar usando uma palavra nada ver com o contexto da conversa? Conta para a gente! Vamos adorar conhecer mais da sua história.

Gostou do tema e quer saber mais? A Comissão Europeia lançou uma lista enorme de falsos amigos e vale a pena dar uma olhada!

https://ec.europa.eu/translation/portuguese/magazine/documents/folha47_lista_pt.pdf

*Imagens: Pixabay e Canva.

A trajetória profissional na migração

Você, que sempre acompanha o Continuidade, escuta o tempo todo que eu sou “a professora, educadora e linguista” Cris Oliveira. Essa repetição tem um valor simbólico muito significativo para mim. É que nós, migrantes, muitas vezes, temos de percorrer um caminho bem mais longo do que as pessoas locais para chegarmos ao mesmo patamar profissional.

Nossas trajetórias raramente são linhas retas. Por um lado, isso pode ser muito interessante e nos levar a lugares antes inimagináveis para nós, mas também pode trazer consigo muitas dificuldades, decepções e retrocessos.

Calma, não precisa se desesperar! Uma forma de lidar com as bolas cruzadas que a migração nos lança, principalmente no que diz respeito às nossas trajetórias profissionais, é nos fortalecendo emocionalmente, prestando atenção aos processos psicológicos comuns da migração para sabermos selecionar que estratégias fazem mais sentido para cada situação enfrentada.

Assim, podemos decidir com mais segurança, a depender da situação que estamos vivendo, se devemos fazer um novo curso, procurar mais informações, nos organizar melhor, desviar de caminho completamente ou, simplesmente, manter a calma, respirar fundo e persistir no mesmo objetivo.

Histórias de Migração: Flora Regis Campe

Oi, eu sou Flora. Sou soteropolitana, psicóloga e apaixonada pela busca incessante de compreender o olhar do outro e a sua forma de construir a realidade. Já morei em diversos estados do Brasil antes de decidir sair dele, ou seja, a migração já fazia parte de minha vida antes mesmo de eu, de fato, emigrar.

Aos 17 anos, voltei a viver na capital baiana, almejando entrar para a universidade de psicologia e, ali, firmar pouso para o resto da vida (bem dramática). Já na Universidade, no ano de 2001, eis que um estudante alemão aparece na minha vida e me faz mudar de opinião em relação a criar raízes em Salvador. Com isso, me deixei levar para Bremen, cidade dos Saltimbancos, no norte da Alemanha.

Morando em solo alemão desde 2004, fui em busca de reconhecer meu diploma de psicóloga. Foram 4 anos de muitas dúvidas e noites de estudo numa língua completamente nova. Eu, pessoa tímida, um pouco insegura e muito observadora, fui, passo a passo, sem pressa, passando nas provas orais de final de curso e aumentando minha autoestima de psicóloga migrante no país das grandes cabeças da psicologia ocidental.

Acabei me tornando mestra em psicologia, especializada nos efeitos psicossociais da migração. Fui trabalhar na área de assistência familiar, utilizando todo o meu conhecimento para empoderar pais e filhos nos seus desafios de educar e se tornarem independentes.

A psicologia clinica sempre foi a minha grande paixão. É no consultório e nos trabalhos de grupo, empoderando migrantes e alemães, que eu me realizo plenamente em minha missão de vida.

E o Continuidade Podcast? Nas minhas caminhadas diárias, amava ouvir um podcast muito especial e veio daí a ideia de começar a produzir o meu próprio conteúdo na podosfera. Ser encorajada por minha parceira de muitas aventuras reflexivas foi essencial para sair da zona de conforto e me mostrar, com todas as minhas imperfeições.

Ah, como é desafiador falar de mim mesma (muitas vezes com o português defasado), mostrar a cara! Mas aqui estamos nós, nos motivando mutuamente, sendo apoiadas por outras grandes amigas e amigos, errando algumas vezes, mas aprendendo sempre.


Eu sou Flora e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

Histórias de Migração: Cris Oliveira

Oi, eu sou Cris. Nasci em Salvador e minha história de migração começou muito antes de eu ter consciência de que eu já estava sonhando em me aventurar pelo mundo. Desde criança, sempre fui fascinada por línguas estrangeiras. Mesmo sem entender nada, adorava ouvir, tentar decifrar palavras desconhecidas, repetir as expressões mentalmente. Aos 10 anos, comecei a aprender inglês e, quando via fotos das cidades americanas nos livros, ficava imaginando que eu estava passeando por lá.

O tempo foi passando e eu comecei a fazer planos mais concretos para descobrir aqueles lugares que, até então, só via nos livros. Queria conhecer os 5 “boroughs” de Nova Iorque, ver a ponte de Londres, poder contar minhas próprias histórias de aeroportos, ter amigos espalhados pelo mundo e contar anedotas que terminavam em risos por causa de confusões linguísticas.

O tempo foi passando e eu comecei a fazer planos mais concretos para descobrir aqueles lugares que, até então, só via nos livros. Resolvi, então, organizar um intercâmbio para quando terminasse a faculdade de Letras, mas, antes de concretizar esses planos, acabei conhecendo um polonês-alemão que me fez mudar o destino de minha viagem. Fui parar em Bremen, na Alemanha, uma cidade sobre a qual não sabia muita coisa. Mal sabia eu que estava iniciando a minha mais importante viagem. A viagem para dentro de mim mesma, onde eu aprenderia a me perceber de forma diferente, a me reinventar várias vezes e, com isso, me tornar uma versão mais segura de mim.

Hoje, sou professora de adolescentes que acabaram de chegar de vários lugares do mundo e, através de seus olhares, acabo revisitando minha própria história de imigração continuamente.

O Continuidade Podcast me ajuda a organizar minhas reflexões a estabelecer contato com outras pessoas e a descobrir outras partes de mim.

Eu sou Cris Oliveira e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?