Como virei professora de alemão

Todo mundo me conhece um pouco sabe que eu sou professora professora de inglês. O que poucos sabem é que, há dois anos, eu resolvi encarar mais um novo desafio na minha vida: o de ensinar alemão como segunda língua. Desde que resolvi explorar essa nova possibilidade profissional, foram muitas novas histórias e aprendizados e eu gostaria de dividir alguns deles aqui com vocês. Mas deixa eu contar primeiro como foi que essa coisa de ensinar alemão começou pra mim.

Imagem: Pixabay

Tudo aconteceu meio de repente. A guerra no Oriente Médio e diversos problemas socioeconômicos pelo mundo afora deram impulso a mais uma gigantesca onda migratória para a Europa Central. Essa onda migratória atingiu um pico em 2015. De repente, a Alemanha se viu tendo de dar conta de receber milhares de pedidos de asilo de uma vez e, com isso, tendo de encontrar profissionais das mais diversas áreas para manter uma estrutura que atendesse a tanta gente nova chegando. A minha profissão foi a primeira que entrou em demanda rapidamente. 

Ainda hoje, estima-se que Bremen precise de mais 350 professores para suprir o número de professores necessários para dar conta da formação dessa criançada nova que está entrando no sistema escolar. Uma das matérias que precisa ser aprendida com mais urgência nas escolas é obviamente o alemão, por ser a porta de entrada para absolutamente todo o resto. Por isso praticamente todo professor virou um potencial professor de alemão como segunda língua.

Lá pro final de 2015, bem no momento em que o número de pessoas chegando aqui em busca de refúgio chegou a atingir a marca de uns 6.000 por dia, eu resolvi me candidatar a uma vaga de emprego como professora de inglês na secretaria de educação de Bremen. Até então eu trabalhava como professora freelancer dando aulas principalmente pra adultos em empresas. Fui chamada para a entrevista feliz da vida, sem nem imaginar o que aconteceria depois. 

No meio da entrevista, comecei a perceber que o entrevistador me perguntava demais sobre como foi meu próprio processo aprendendo alemão e depois queria saber se eu teria a flexibilidade, se fosse necessário, de ensinar essa língua também além do inglês. Disse que sim, porque achei que o cara tava de brincadeira, fazendo uma dessas perguntas hipotéticas de entrevista de emprego, até mesmo porque ele estava me ouvindo falar e eu não achava (e pra falar a verdade ainda não acho) que meu alemão seja assim tão maravilhoso e confiável a ponto de levar alguém a achar que dá pra ensinar. 

Vocês podem imaginar a surpresa que tive quando eles me chamaram dizendo que queriam me contratar, mas em primeira linha para ensinar alemão. Primeiro me tremi toda. Perguntei se tinha sido engano. Não era, estavam seguros e era isso mesmo. Me deram um tempo pra pensar e acho que aquela semana foi a mais demorada que já vivi na minha vida. Ia e voltava o tempo todo na decisão. 

Imagem: Pixabay

Até que chegou o dia de dar a resposta e eu ainda não sabia o que diria. Sentia um frio na barriga todas as vezes que me imaginava entrando na sala de aula, olhando para a cara daquele monte de adolescente e me apresentando como sua professora de alemão. Sentia muito medo, mas não sabia exatamente de quê. Até que chegou o dia da ligação na qual eu teria de comunicar minha decisão. 

Poucas horas antes, estava convencida a rejeitar o trabalho. Dizia para mim mesma: “Você mesma não sabe falar direito a língua, como quer se meter a ensiná-la?”; “Vai ficar muito claro que você não tem competência pra ensinar alemão. Vai se queimar feio.”; “Pra que procurar esse tipo de sarna pra se coçar? Recuse educadamente, deixe bem claro que você é professora de inglês, fale que, se aparecer outra oportunidade desse tipo, você estará às ordens.”; “Muitos alunos virão com história de traumas, muitos terão contato com escola agora pela primeira vez. Você não tem experiência para lidar com esse tipo de turma.”; “A estrutura das aulas por aqui é diferente daquelas com as quais você é acostumada”. Vai ser difícil se adaptar ao conceito pedagógico daqui.”; “São muitas novidades ao mesmo tempo. Você vai enlouquecer!” Repetia todas esses argumentos mentalmente para poder recusar com firmeza e para não deixar brechas para possíveis insistências.

Preparadíssima para a hora da verdade, fiz a ligação. Fui atendida por uma funcionária muito simpática do RH que peguntou meu nome. Quando e falei ela imediatamente puxou papo. Queria saber se eu era portuguesa ou espanhola. Disse que era brasileira, mas que falamos português no Brasil. “Ah que interessante”, disse ela, e continuou com uma certa conversinha fiada, provavelmente para quebrar o gelo. 

De repente a conversa dela pendeu pra direção do trabalho, das aulas, do que seria esperado de mim. A partir daquele ponto, ela começou a conduzir a conversa de forma bem estruturada, do jeito que alemão gosta e, antes de ir direto ao ponto, resumiu: “A senhora passou no processo seletivo e nós gostaríamos de lhe oferecer um contrato assim, assim, assim, mas como o trabalho tem esses prós e esses contras, resolvemos oferecer-lhe uma semana pra que a senhora pensasse e decidisse se realmente se imagina trabalhando conosco.” 

Enquanto ela listava os aspectos positivos e negativos do trabalho, me dei conta de que estava ouvindo aquilo tudo de uma forma diferente. Parecia que estava ouvindo a lista dos prós pela primeira vez e, de repente, minha lista de argumentos contra parecia meio fraquinha. 

No meio disso tudo, uma frase dela ficou martelando minha cabeça: “Tem todos esses desafios, no entanto é uma função super importante, porque dominar a língua vai ser o trampolim que eles precisam para poder se integrar nessa sociedade. Para muitas famílias, a senhora será o único contato com a sociedade alemã, já que muita gente vem pra cá sem ter ninguém. A senhora estará ajudando a mudar a vida de muitas pessoas.” 

Imagem: Pixabay

Enfim, chegou a hora da verdade: “E então? Agora gostaria de saber o que a senhora decidiu. Ou ainda teria alguma pergunta a que eu possa responder?”

Nem acreditei na resposta que saiu de mim, sem que eu tivesse tido tempo de titubear:

-“Sim. Quando começo?”

*Por Cris Oliveira

*Revisado por Marina Hatty

Este texto foi originalmente publicado no blog A Saltimbanca, em 29 de novembro de 2018.

Imagem de destaque: Pixabay.

Giro Pelo Mundo: 6 Dicas do Que Fazer em Madri

Madri é uma cidade encantadora não somente pela arquitetura, mas principalmente pela sua gente. Quando cheguei aqui pela primeira vez, bateu logo aquele “click” que dizia: eu bem que poderia morar aqui. Os anos passaram e, quem diria, cá estou!

Nesse post, quero dividir com vocês alguns dos meus cantinhos preferidos da cidade. Muitos são clichês, mas o que seria da vida sem eles, não é mesmo? Sabemos que o momento não está muito propício a viagens, mas já guarda aí as dicas para quando essa fase difícil passar.

1. Passeio no Parque do Retiro

Parque do Retiro. Imagem: Daniel Salazar por Pixabay

Com certeza, o Parque do Retiro é um dos lugares mais lindos da cidade. Ele é enorme e cheio de atrações de tirar o fôlego. Além de um passeio super agradável, lá você também vai encontrar os Palácios de Cristal e de Velazquez. O lago central e seus jardins também são muito lindos e cercados de bares e restaurantes.

2. Pôr do sol no Templo de Debod

Templo de Debod. Imagem: Flickr / jiuguangw / CC BY-SA 2.0

É, com certeza, a minha vista preferida da cidade. O monumento em si não é nada demais, mas vale muito o passeio para apreciar o pôr do sol incrível. Uma boa dica é levar uma canga para sentar na grama e aproveitar o espetáculo.

3. Domingo na Feira do Rastro

El Rastro. Imagem: OLMO CALVO por elmundo.es

O Rastro é uma feita livre que acontece todos os domingos de manhã no bairro de La Latina. A feira se espalha por várias ruas e há uma variedade enorme de produtos: utensílios para casa, roupas, bijuterias, artigos em couro, prata, além de sebos de livros e artigos vintage. Mas é preciso ter atenção aos bolsos e bolsas, viu? O Rastro costuma ser muito cheio e é comum haver pequenos furtos, principalmente de aparelhos celulares.

4. Noite de Malasaña

Um dos bairros mais badalados de Madri, cheio de bares e discotecas. Não faltam boas opções de onde tomar um drink e provar as famosas tapas.

5. Compras na Gran Vía

Gran Vía. Imagem: donfalcone por Pixabay

A Gran Vía é uma avenida enorme e cheia de prédios com uma arquitetura lindíssima. Concentra um número enorme de lojas e é também onde estão os grandes teatros musicais de Madri. Mesmo que o seu objetivo não seja o de ir às compras, vale muito a pena dar uma volta pela Gran Vía.

6. Visita aos Museus do Prado e Reina Sofia

Um passeio pelos museus do Prado e Reina Sofia também é um programa imperdível para quem gosta de arte. No Museu do Prado você vai encontrar, por exemplo, obras de artistas renomados como Salvador Dalí. No Reina Sofia, um dos astros é o famoso quadro Guernica, de Pablo Picaso.  

Dica bônus: Escapada para Toledo

Imagem: Anne & Saturnino Miranda por Pixabay

Ué, mas Toledo nem é Madri! Verdade. Mas a cidade é tão  linda que vale a pena tirar um dia para ir lá. O centro histórico Toledo está elevado e a vista de seus miradouros é maravilhosa. A cidade está bem pertinho de Madri, a uma hora de ônibus.

E você? Conhece Madri? Qual o seu cantinho preferido da cidade?

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Juan Miguel González por Pixabay.

Continuidade Indica: filme Casamento Grego

Casamento Grego é um filme independente de comédia lançado em 2002, que trata de uma relação romântica intercultural entre a grega Toula (Nia Vardalos, que também escreveu o longa) e o “não-grego branco anglo-saxão protestante” Ian (John Corbett). O pai de Toula sonha em vê-la casada com um homem também grego. Já imagina que deu ruim, né?

Eu não vou falar muitos detalhes do filme, porque a intenção aqui não é fazer uma crítica nem, muito menos, dar spoiler, mas queria aproveitar o gancho da indicação para refletir um pouquinho sobre as tais relações interculturais que até já foram tema de episódio no nosso podcast (ainda não ouviu? Clica aqui!). No filme, o tema é tratado com muito bom humor, mas na vida real nem sempre é assim.

Ian (John Corbett) e Toula (Nia Vardalos) no filme O Casamento Grego

Os relacionamentos interculturais podem trazer grandes desafios não somente para as partes diretamente envolvidas (o casal), mas também para as suas famílias. Ainda usando como exemplo a história de Toula, a sua família relutou muito em aceitar que ela se casasse com um homem de uma cultura diferente da sua, como se essa atitude significasse um rompimento com a sua gente a sua origem.

Por outro lado, há também as dificuldades entre o par em questão, por terem que lidar no dia a dia com uma pessoa de costumes muito diferentes dos seus. Em Casamento Grego, Ian se viu diante de um grande obstáculo: convencer a família de Toula de que ele era digno de casar-se com ela – mesmo não tendo a mesma nacionalidade – e o de se adaptar aos costumes e aos valores dessa nova cultura.

É preciso muito respeito e cuidado para encontrar o equilíbrio e a harmonia numa relação intercultural. Um bom exercício é entender que o outro é apenas diferente de vocês, o que não significa que essa pessoa está errada. Muitas vezes, as diferenças até ajudam a alimentar o amor e a trazer dinâmica para as relações. Porém, se está muito difícil e você se sente mais triste do que feliz, acenda o sinal vermelho de alerta repense se vale a pena seguir ou não nesse relacionamento. Se precisar de ajuda, já sabe: conta com a gente!

Por fim, Casamento Grego é uma comédia romântica muito leve e divertida, ótima pedida para uma tarde de domingo. O sucesso foi grande tão grande que a história ganhou uma continuação, lançada em 2016: Casamento Grego 2.

Assista e conte pra gente o que achou!

*Por Lali Souza

Fontes:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-45569/
https://pt.wikipedia.org/wiki/My_Big_Fat_Greek_Wedding

Mulheres Migrantes: Anousheh Ansari

O Mulheres Migrantes de hoje é dedicado a Anousheh Ansari. A fama da empresária veio depois de sua ida ao espaço, para uma estada de nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional em 2006. Ansari, mesmo não sendo a primeira mulher a sair da atmosfera terrestre, é considerada a primeira mulher a visitar o espaço como turista, já que foi ela mesma quem pagou pela sua passagem para fora do planeta Terra.

Anousheh Ansari nasceu e foi criada no Irã. Por ser um país com estudos limitados para meninas, a sua família a enviou para viver nos Estados Unidos com uma tia, aos 16 anos, para que pudesse seguir seus estudos na área da Ciência. Hoje, Anousheh fala fluentemente inglês e francês, além do seu primeiro idioma, o persa. Ela se formou em eletrônica e engenharia da computação, seguido de um mestrado em engenharia elétrica, ambos na Universidade George Washington. Ela ainda tem um doutorado honorário da International Space University.

Ansari foi naturalizada estadunidense e se tornou uma grande empresária no ramo digital. Para ajudar a impulsionar a comercialização da indústria espacial, Anousheh e sua família patrocinaram o Ansari X Prize, um prêmio em dinheiro de US$ 10 milhões para a primeira organização não governamental a lançar uma espaçonave tripulada reutilizável ao espaço por duas vezes no intervalo de duas semanas.

Imagem: Divulgação

Segundo a sua biografia, Anousheh é membro do Círculo de Visão da Fundação X Prize, bem como de seu Conselho de Curadores. Ela é membro vitalício da Association of Space Explorers e do conselho consultivo do projeto Teacher’s in Space. Ela já recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira e, hoje, dedica-se também a capacitar empreendedores sociais para a promoção de mudanças radicais em todo o mundo.

Olhando para toda a sua história de vida e conquistas, quando perguntada pelo portal Entrepreneur Middle East sobre que conselho daria às meninas e mulheres do oriente médio que têm sonhos tão grandiosos como os dela, disse: “nunca desista, porque o resto você dá um jeito. Se você desistir, nunca vai saber”.

*Por Lali Souza

Imagem de destque: X Prize

FONTES:

http://www.anoushehansari.com/about/

https://www.entrepreneur.com/article/339408

https://pt.wikipedia.org/wiki/Anousheh_Ansari

Que língua é essa? 5 dicas para aprender Espanhol

Aprender a língua local é um dos primeiros desafios que o imigrante encontra no seu país de destino. Acabou de chegar num país hispano falante? Pois pode soltar um suspiro aliviado: esse post é para você.

A professora espanhola Mari Paz separou umas dicas sensacionais, práticas e aplicáveis no dia a dia, que vão te ajudar muito no aprendizado do idioma castelhano.

Pega papel e caneta ou se prepare para os prints! Vamos lá?

1. Mude o idioma de equipamentos e aplicativos para o Espanhol

Essa é uma forma muito eficiente de inserir o novo idioma no seu dia a dia, além de aprender palavras e expressões úteis. O celular e o computador são ótimos para isso, pois você já sabe onde estão as coisas e não vai se confundir. O mesmo vale para o GPS, que pode ser usado mesmo em caminhos que já conhece, assim não vai se perder e ainda aprenderá vocabulário relacionado a receber e dar direções, por exemplo.

2. Escreva a lista de compras em Espanhol

Não precisa nem dizer o quanto essa dica é útil para aprender um vasto vocabulário sobre alimentos, itens de limpeza e tudo o mais que se pode encontrar num supermercado, né? É uma oportunidade não só de aprender e buscar palavras novas, mas também de praticar a escrita.

Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

3. Dedique um tempinho do seu dia para pensar em Espanhol

Essa dica demanda algum nível mínimo do idioma, claro, mas você pode fazer isso com as palavras que conhece. A ideia é: todos os dias, nem que seja por cinco minutos, pare um pouquinho para pensar em Espanhol. Pense, por exemplo, no que você fez naquele dia ou quais são seus planos para o fim de semana. O tema é livre e essa prática ajuda muito (e sem medo de errar). Ah! Se sentir falta de alguma palavra para completar o raciocínio, essa é a deixa para pesquisar e aprender ainda mais.

Pode ser até enquanto toma um sorvete. Boa ideia, hein? | Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

4. Invista tempo em ler e assistir séries, filmes e televisão em Espanhol

Parece óbvio, mas a verdade é que muita gente não dá o devido valor a essa dica. Lendo em espanhol, é possível aprender novas palavras e também se familiarizar com a sua grafia. Ler e escrever são duas habilidades totalmente conectadas.

Já os filmes, séries e programas de TV vão te ajudar muito na compreensão do idioma em sua forma oral. Colocar legendas em espanhol também pode ajudar a identificar aquela palavra que você não entendeu bem ou ainda aprender como se escreve. Anote as palavras e expressões desconhecidas para depois pesquisar o seu significado.

Imagem: Michal Jarmoluk por Pixabay.

5. Evite decorar listas extensas de palavras soltas

Um idioma não é puramente um monte de palavras, é preciso conhecer a forma de usá-las. Uma boa dica para aprender vocabulário é colocar as palavras dentro de um contexto. Pense nelas numa frase ou pequeno diálogo, assim fica muito mais fácil não só aprender a palavra (por conseguir chegar nela através de associações de ideias), mas também saber como e quando utilizá-la.

Esperamos que essas dicas sejam úteis no seu aprendizado. Se você tem mais alguma dica infalível para ajudar no aprendizado do castelhano, compartilha aqui com a gente nos comentários, ok? Até a próxima!

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Cindy Parks por Pixabay.

Histórias de Migração: Mariana Riccio

Nascida e criada em terras soteropolitanas, apesar de ser bisneta de italiano, minha história de migração começou mesmo com uma pergunta que minha mãe me fez: “filha, por que você não faz um intercambio? ”

Até 2006, nunca havia pensando em sair do país, muito menos de Salvador. Na minha familia até tinha alguns casos de migração, mas eu vivia a vida tranquilamente, tinha questões internas em relação à cidade e a mim mesma, mas não era nada demais.  Adentrei 2007 embarcando para minha primeira viagem internacional e completamente sozinha, fui fazer um interncambio de 6 semanas em Malta.

Posso dizer que foi a partir daí que uma formiguinha me picou e a sensação de “preciso viver mais disso e conhecer mais lugares” nunca mais parou de coçar. Em 2008, me formei em jornalismo e, dois meses depois, embarquei para um novo intercambio, desta vez de um ano, em São Francisco, California. 

Depois que retornei ao Brasil, fiquei pingando de emprego em emprego, de cidade em cidade. Cheguei em Salvador, depois morei em São Paulo, passei um período no Rio procurando emprego, voltei pra Salvador, fiz campanha política no interior da Bahia.

Quando arranjei um emprego fixo, entrei em um ritmo de vida mais estável na minha cidade natal. Mas sabe aquela coceirinha? Continuava ali.  Comecei a pesquisar sobre migrar para a Califórnia, já que tinha feito grandes amigos por lá e conhecia bem o local. Depois, cheguei a estudar francês pensando em migrar para o Canadá. Enfim, pesquisava aqui e acolá, mas nada se concretizava.

E foi num show do Maroon 5, em março de 2016, que minha melhor amiga me disse que estava pensando em migrar para Portugal através dos estudos (confira o relato dela aqui). Quando ela acabou de falar qual era a sua ideia, eu disse sem dúvida alguma: “também vou”.

Neste mês de setembro, completo 4 anos em Portugal. Honestamente, posso dizer que tem sido uma relação agridoce. Aqui conheci pessoas muito especiais, ganhei o título de mestre pela Universidade do Porto, aprendi mais sobre pertencer, sobre como é díficil criar laços depois dos 30, passei o pão que o diabo amassou para consegui um emprego, bati de frente com as burocracias da migração e do dia-a-dia, ouvi muito “não sei como é no Brasil, mas aqui…”.

Mas também foi aqui, bem no inicio da minha aventura em terras lusitanas, que conheci um português muito tímido e gentil, que entrou na minha vida e fez tudo ficar mais leve e fácil. Hoje somos casados e estamos prestes a receber o nosso primeiro filho.

Eu sou Mariana Riccio e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?


*Por Mariana Riccio

Continuidade Indica: Two Caravans, de Marina Lewycka

A dica de hoje é de uma leitura leve, emocionante e muito divertida: Two Caravans, de Marina Lewycka.

Marina Lewycka é uma escritora de origem ucraniana que nasceu em um campo de refugiados em Kiel, na Alemanha, e que, ainda criança, migrou para a Inglaterra com sua família. Em seus livros, ela sempre incorpora elementos da cultura ucraniana e até mesmo de sua história familiar. Suas personagens são sempre figuras peculiares, muito humanas e cheias de humor.

Two Caravans conta a história de imigrantes do leste europeu que vão trabalhar na Inglaterra, na colheita de morangos. A história retrata encontros, desilusões, mal-entendidos e muitas idas e vindas de personagens que deixaram seus lares para trás e foram em busca de seus sonhos em um lugar desconhecido.

Two Caravans é o segundo livro de Lewycka e, infelizmente, ainda não tem tradução para o português. Mas, se você consegue ler em inglês, vale muito a pena! Esta história vai te emocionar, fazer rir e surpreender.

Boa leitura!

*Por Cris Oliveira

Um ano de Continuidade!

Foram as caminhadas matinais ouvindo podcasts, que despertaram em mim, Flora, o desejo de ter o meu próprio. Para Cris, foi a necessidade de, literalmente, colocar sua voz em algum projeto criativo. E assim começamos a conversar cada vez mais sobre essas possibilidades e desejos.

Na verdade, desde novembro de 2018 já vínhamos nos sintonizando com o desejo de criar pontes. Há alguns anos, tínhamos feito uma especialização juntas e, desde então, era muito grande em nós duas a necessidade de compartilhar esses conhecimentos com o mundo. Nossas próprias vivências enquanto mulheres migrantes nos qualificavam ainda mais para apoiar outras pessoas que se aventuraram a mudar de país, seja de forma voluntária ou involuntária.

Foram mais de 6 meses de testes, criação de roteiros, construção do nome, testando formatos. E como, se estivéssemos predestinadas para virar podcasters, assim que começamos a falar de forma mais concreta de nosso desejo, amigos nos presentearam com o que a amizade tem de mais especial:  apoiar o outro no seu sonho, seja ele qual for!

Du Conti, amigo de Cris de milhões de anos, compôs nosso lindo jingle. Ele ainda foi além e fez a ponte para Cris retomar o contato com outro grande amigo de infância, Daniel Castelani, que acabou se tornando nosso editor. Foi a filha de Daniel, Beatrice Castelani, que criou nosso logo, dando assim mais uma voltinha nessas linhas intrincadas e contínuas que compõem a vida.

A migração nos ofereceu muitos obstáculos, mas também nos presenteou com muitos amigos e amigas queridas. Uma delas é Clarisse. Ela embarcou na loucura de apoiar duas “analfabetas” digitais a se tornarem influenciadoras e, hoje, deixa nosso Instagram exuberante, além de propor e nos conectar com pessoas que geram parcerias lindas para o Continuidade Podcast.

Para fortalecer ainda mais esse nosso grupo, uma comunicóloca baiana retada também nos ofereceu ajuda ao ficar sabendo de nosso desespero e fomos muito sábias em aceitar. A nossa caçulinha Lali Souza é uma mulher forte, de sorriso contagiante e voz encantadora; Escritora de mão cheia, além de colaborar com nosso site, deixando-o todo especial, ainda nos ajuda também nos assuntos midiáticos. Pense numa equipe iluminada!

Foto: Clarisse Och

O Continuidade Podcast começou como hobby e foi tomando cada vez mais espaço em nossas vidas. É um espaço que cedemos com prazer porque ele acabou se tornando uma missão de vida pra gente. Muitas vezes dizemos que ele é mais que um podcast, já se tornou um canal de cura no nosso processo de desenvolvimento pessoal e profissional.

Através do Continuidade mostramos nossas imperfeições sem vergonha de julgamentos, ressignificando a ideia de que, para sermos aceitas, precisaríamos almejar a perfeição. No campo profissional, alcançamos migrantes que nos ajudam a refletir e empoderá-los nas suas escolhas de construir uma nova versão de si mesmos(as) e de suas identidades culturais.

Que desafio resolvemos encarar! Esse hobby tomou uma dimensão tão grande que, algumas vezes, pensamos em puxar o freio de mão e diminuir… mais aí vêm as reuniões, vem nossa equipe linda com milhões de ideias e parcerias novas – tanto fôlego que não quis parar de gerar conteúdo nem nas férias – para nos lembrar que, uma vez construídas as pontes, elas devem continuar servindo para conectar pessoas.

Feliz aniversário para nós! E rumo à segunda temporada!

*Por Flora Régis Campe

Giro pelo mundo: 5 dicas do que fazer em Berlim

Deixa eu falar com vocês sobre Berlim. A capital alemã é uma cidade imponente, agitada, cosmopolita, jovem e muito vibrante. A primeira vez que fui, já me apaixonei, e, desde então, sempre dou um jeitinho de voltar.

Berlim é uma cidade com mais de 360 milhões de habitantes e que acolhe bem seus turistas. Ela tem uma estrutura incrível, oferece atividades para todos os gostos e idades e, todas as vezes que estive lá, fiquei impressionada como se pode comer bem sem gastar muito, até mesmo nos bairros mais hipsters da cidade.

Berlim traz a sua história estampada em cada rua. Não dá para caminhar pela cidade sem ser relembrada, constantemente, de que ela já foi dividida, sem pensar na Guerra Fria, na Segunda Guerra Mundial, nas perseguições étnicas e no Holocausto.

Com tudo isso, Berlim vai fazer você se apaixonar e querer voltar mais vezes, até mesmo porque ela é uma cidade gigantesca e super interessante. Eu vou deixar aqui as minhas cinco atividadades favoritas para se fazer na capital alemã.

1. Comer

Em Berlim, é possível encontrar comidas de todas as partes do mundo com facilidade e qualidade. O melhor de tudo é que você não vai precisar gastar muito para comer bem. No entanto, uma das especialidades mais famosas da cidade é salsicha grelhada, mais conhecida como Currywurst. Os berlinenses sempre sabem onde tem a melhor e mais tradicional Currywurst, mas o fato é que esse petisco é vendido em toda parte: restaurantes, bares, quiosques e até pequenas lanchonetes.

Imagem: Currywurst por hansiline@Pixabay

2. Passeio de barco pelo rio Spree

Esse passeio de barco, praticamente, cruza a cidade. Você vai passar por vários monumentos e edifícios importantes da história de Berlim, como a catedral e o Reichtag, a sede o governo alemão.

Imagem: Rio Spree por analogicus@Pixabay

3. Karaokê do Mauerpark

Apesar de ser uma grande metrópole, Berlim é uma cidade muito verde. Vale a pena visitar seus parques que, muitas vezes, aos domingos, oferecem diversas opções de lazer, como feirinhas de coisas usadas, street food e karaokê. No Mauerpark, por exemplo (pelo menos antes da crise do Corona), o karaokê do domingo mais parecia show de artista famoso. Muito badalado e super divertido.

Imagem: Mauerpark por VelentinBacu@Pixabay

4. Potsdam

Tudo bem que não é exatamente Berlim e sim Potsdam, mas, já que você está na capital, vale a pena dar uma esticadinha até lá para visitar os imponentes palácios e jardins construídos para Frederico II, Rei da Prússia. A viagem de transporte público do centro de Berlim até Potsdam dura aproximadamente 40 minutos e vale muito a pena.

Imagem: Potsdam por AchimScolty1970@Pixabay

5. Sair para fazer farra à noite

A cena noturna de Berlim é uma das mais badaladas e famosas do país. Se você for para lá, não deixe de cair na gandaia pelo menos uma noite. São inúmeras opções de festas, bares, boates temáticas e shows diferentes que fica até difícil escolher o que indicar. O centro da cidade e os bairros Friedrichshain e Kreuzberg vão te enlouquecer com tantas opções. Faça uma busca na internet do que está rolando na ciadade na noite que você estiver lá e se surpreenda com a quantidade de alternativas. Prepare-se para só voltar para casa quando estiver amanhecendo.

Dá pra encontrar um monte de dicas aqui:

https://www.visitberlin.de/de/nightlife
https://www.top10berlin.de/de/cat/nachtleben-269

Ficou faltando alguma dica imperdível do que fazer em Berlim? Compartilha com a gente aqui nos comentários!

*Por Cris Oliveira

Imagem de destaque: Brandenburger Tor por cms-archiv@Pixabay.

Você tem síndrome do nível intermediário? 5 Dicas para alavancar o seu inglês.

Imagine a seguinte situação: você resolve fazer um curso de inglês, estuda durante meses (talvez até um ano ou mais) e aprende muito nesse tempo. Aí chega uma hora em que os temas começam a ficar um pouco mais complexos. Quase sempre nesse momento, coincidentemente, as coisas começam a ficar mais apertadas no trabalho, na escola ou na faculdade.

Como não está dando para se dedicar ao aprendizado da língua da forma como gostaria, você resolve fazer uma pausa de um semestre, mas ela acaba durando um pouco (ou bem mais) do que isso. Um dia, você começa a sentir dificuldade de novo e já não consegue acompanhar tão bem as reuniões do trabalho em inglês, não sente segurança para conversar com alguém ou tenta assistir aquele programa que você gosta ou ler alguma coisa e não entende quase nada. É quando resolve voltar para um curso e, chegando lá, eles fazem um teste de nivelamento que diz: seu nível de inglês é intermediário.

Depois de alguns meses, esse ciclo se repete e você sempre volta ao mesmo ponto. Nunca sai desse infame nível intermediário.

Imagem: Pixabay

Se conhece bem essa situação, o papo de hoje é com você. Nós vamos lhe dar 5 dicas para sair do famigerado nível intermediário e alavancar de vez o seu inglês.

  1. Encare novos desafios

Para sair do intermediário é necessário, antes de mais nada, entender que as diversas fases de aprendizado requerem esforços e estratégias de estudo diferentes. O que você fazia quando era iniciante, nem sempre vai ser suficiente para sair do intermediário e passar para o avançado. Isso quer dizer que você deve se preparar para enfrentar novos desafios, experimentar estratégias distintas e ousar mais nos exercícios que faz para praticar o idioma.

Isso nos leva diretamente para a próxima dica.

2. Aumente sua exposição a conteúdos em língua inglesa

Imagem: Nappy

Se você não vive em um lugar onde se fala inglês, é ainda mais importante criar situações que lhe exponham ao idioma. Parta de seus interesses pessoais e mande ver! Gosta de assistir séries e filmes? Então que tal assistir sua série favorita com áudio e legenda em inglês? Você pode ouvir podcasts, assinar canais de YouTube, ler blogs, livros, seguir contas de Instagram ou Twitter em inglês. Pode ser que você nem sempre entenda tudo 100%, mas aí o ideal é que você…

3. Redobre sua atenção para o que ouve e lê

Imagem: Pixabay

Então você seguiu a dica número dois e virou a louca ou o louco dos podacast, vídeos, séries, filmes, livros e músicas em inglês. Excelente! Mas lembre-se de também redobrar sua atenção para o vocabulário e estruturas gramaticais que estão chegando até você. Por exemplo, ao assistir um vídeo, atente não só para o que as pessoas estão dizendo, mas também para como elas estão falando. Preste atenção às palavras e estruturas usadas, qual a entonação, etc. Assim, você vai ampliar seu vocabulário e descobrir maneiras diferentes de se expressar.

4. Pratique muito

Imagem: Nappy

Agora que aumentou sua exposição ao idioma, você vai começar a aprender muitas expressões novas, mas vai precisar usar esse seu novo conhecimento de forma ativa para garantir que ele fique realmente salvo em seu HD mental. A melhor forma de fazer isso é praticando. Para isso, é importante que você procure situações para treinar o que você aprendeu. Você pode organizar um grupo de conversação, participar de fóruns na internet, escrever diários, etc. As redes sociais estão cheias de grupos de pessoas das mais diversas partes do mundo interessadas em praticar inglês. Uma outra opção mais clássica, porém, muito eficiente, é fazer aula de conversação, que hoje em dia pode ser presencial ou online.

5. Persistência

Imagem: Pixabay

Nossa quinta e última dica é essencial. Muita gente desiste do inglês quando está no intermediário porque, ao contrário do iniciante, neste nível não é nada fácil detectar a evolução do aprendizado. Muitas vezes, sem conseguir perceber a sua progressão, muitas pessoas acabam se desestimulando e até desistindo. É importante se manter firme, caso o seu desejo seja, realmente, avançar de nível. Tenha paciência porque esse processo pode ser difícil e demorado, a depender de quanto tempo você investe nos estudos. Evite se comparar com outras pessoas, mantenha seu foco e persista em suas atividades. Se você fizer isso, logo logo estará abrindo as portas para o nível avançado.

Experimente essas dicas e divirta-se com seu aprendizado.

*Por Cris Oliveira