Canções de Migração: Retrovisor

Quem conhece o Continuidade, sabe que as Canções de Migração são temas que a gente adora trazer por aqui. Hoje, essa reflexão é ainda mais especial, porque vamos falar de uma música composta por amigos queridos. Retrovisor é uma criação de Têco Lopes, Eduardo Lubisco e Daniel Castelani, e nos faz pensar sobre as idas e vindas na vida do migrante, seja de pessoas ou até mesmo de sentimentos.

Quando ouvi Retrovisor pela primeira vez, pensei: “eu poderia ter escrito essa música”. Ela reflete exatamente como me sinto ao pensar nas coisas e nas pessoas que ficaram lá em casa, depois que eu decidi viver em outro pais. É uma nostalgia gostosa, que faz brotar um sorriso só de pensar nas tantas histórias vividas.

Pessoas pela vida afora

Algumas passam

E outras ficam

Tenho saudades até das brigas

Pessoas pela vida adentro

Algumas chatas

Já outras, exatas

Guardo no peito, pessoas amigas

A música segue e vem o aconchego de pensar que, apesar da saudade, tanta coisa (e tanta gente) boa veio junto com o novo lar. É importante não se deixar cegar pela saudade. Como eu disse, a nostalgia é até gostosa, mas ela deve somar com que é novo e não te prender ao passado (que muitas vezes nem era tão perfeito assim, né?).

Há lugares desconhecidos por nós dois, e eu corto a estrada

Tantas vidas, tantos rumos e eu não vejo nada

Ser imigrante também é juntar os caquinhos e seguir adiante. É encontrar força para continuar, mesmo quando a vontade de voltar para o quentinho do quarto é gigantesca. Por isso, o meu conselho é: busque essa força nos alicerces que você tem, mas siga adiante. Olhar para trás é uma excelente forma de aprender, mas é para frente que a vida anda.

A voz rouca de um velho amigo

Raras chegadas, e tantas partidas

Acelero mais, olho pra trás

No retrovisor, tantas despedidas

Depois do falatório vem a parte mais legal: curtir o som! Clica no link abaixo para ouvir Retrovisor e conhecer o time massa que fez essa música acontecer.

*Por Lali Souza

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FICHA TÉCNICA RETROVISOR

Composição:

Daniel Castelani, Eduardo Lubisco e Têco Lopes

Músicos:

Têco Lopes: voz e guitarras base

Lali Souza: voz

Luiz Caldas: guitarra solo

Luciano Leães: órgão hammond

Eduardo Lubisco: violão

Maul Beisl: baixo

Peu Deliege: bateria

Mixado e masterizado por Irmão Carlos no Estúdio Caverna do Som

Perspectivas para 2021

Depois da surpresa impactante que 2020 nos trouxe, devemos ter muita cautela com os planos e a empolgação com os projetos para 2021. Ainda assim, sabemos que a esperança é um elemento central na migração e, por isso, não podemos deixar de sonhar, planejar e projetar algumas expectativas para esse ano. Vamos com cuidado, mas vamos!

É nesse clima que compartilhamos com vocês alguns de nossos planos e desejos para 2021:

  • O ano passado nos obrigou a buscar formas diferentes de nos conectarmos. Sendo assim, aulas e eventos online passaram a fazer parte da normalidade. Claro que nós não poderíamos ficar de fora e também temos pensado em eventos que podemos oferecer este ano para nos mantermos conectadas com vocês, ouvintes e leitoras/es. Isso nos leva diretamente para o segundo ponto.

Nos mantermos conectadas é fundamental para superarmos as dificuldades, sejam elas geradas pela migração ou por uma pandemia inesperada. O fato de ainda termos que ter cautela e manter o distanciamento social fisicamente não nos impede de nos mantermos juntas/os através das tecnologias que estão disponíveis para nós. Mas nos conectarmos com quem? Há tanta gente produzindo conteúdo de qualidade sobre migração que, muitas vezes, esse pessoal acaba passando despercebido pelo nosso radar. Criar uma rede para indicar pessoas, grupos ou associações e ajudar a divulgar os trabalhos desses profissionais é uma das nossas missões para 2020. Assim, esperamos fazer com que cada vez mais pessoas consigam o apoio que melhor se encaixa aos seus perfis e necessidades.

Imagem: Gerd Altmann por Pixabay.
  • Outro plano do Continuidade para este ano é chegar ainda mais perto de vocês, que nos acompanham. Queremos ouvir e ler suas histórias, saber quais temas lhes interessam, incomodam e despertam a curiosidade. Que tal nos escrever sugerindo temas para os episódios e para o nosso site?  Com certeza, todo mundo vai sair ganhando com essa troca. Eis aqui algumas formas de participar:

– Conte sua história de migração.

– Indique intituições e projetos que lidam com a temática da migração e do empoderamento de pessoas migrantes.

– Sugira temas relacionados à migração.

– Indique filmes, livros, músicas, séries, cursos, palestras e eventos que tratem dessa temática.

  • Queremos fazer do Continuidade um espaço nosso, coletivo. Um acalanto para pessoas migrantes com as suas mais diversas biografias. Para isso, também esperamos fazer muitas parcerias durante este ano, para que possamos chegar a novas pessoas. E nós contamos com o seu apoio para amplificar nossas vozes, compartilhando nosso conteúdo e espalhando as palavras do Continuidade por aí.

No final das contas, o maior desejo do Continuidade para este ano, o desejo que está na base de tudo, é que a gente consiga ter um ano com muita saúde, informação e leveza. Vem fazer o Continuidade junto com a gente!

*Por Cris Oliveira

Imagem de destaque: Free-Photos por Pixabay.

Pessoas Migrantes: Antoni Porowski

Antoni Porowski é um dos protagonistas da série-reality da Netflix Queer Eye. Essa série vai fazer você sorrir e se emocionar com os cinco hilários e queridíssimos Karamo, Bobby, Johnathan, Tan e Antoni. Os cinco têm a missão de passar uma semana acompanhando uma pessoa (previamente indicada por algum/a amigo/a, familiar ou outra pessoa próxima) e ajudando-a em um processo de transformação.

Durante esse tempo, os Fab Five, como eles mesmo se identificam, ajudam a pessoa indicada a entrar num processo de autoconhecimento, lhe dão um banho de loja, fazem uma mudança no visual com corte de cabelo e os escambáu, reformam sua casa e lhe dão dicas de como se alimentar melhor e preparar um jantar bacana para a pessoa que o/a indicou. É nessa parte que Antoni Porowski, nossa pessoa migrante da vez, mostra seu talento.

Antoni, o especialista em culinária e vinhos da série, tem pais migrantes, assim como ele também é. Sua mãe polonesa e seu pai belga migraram para o Canadá antes de seu nascimento. Com isso, ele acabou sendo o primeiro da sua família a nascer e crescer fora da Europa. Nascido no Canadá em 1984, ele cresceu falando inglês, francês e polonês em casa. Essas habilidades linguísticas, que hoje em dia geralmente seriam vistas com admiração, foram motivo para estranhamento na escola quando ele se mudou com a família para os Estados Unidos. Isso foi o que ele descobriu quando estava no sétimo ano na escola e sua família resolveu migrar da cosmopolita cidade de Montreal, no Canadá, para uma cidade pequena da conservadora West-Virginia, nos Estados Unidos.

Antoni Porowski / Imagem: Instagram

Antoni conta que suas habilidades linguísticas eram vistas com estranheza pelos colegas de escola e até pela professora, que sempre perguntava porque que ele não podia simplesmente falar apenas inglês como os demais adolescentes. Essa não era a única diferença que seus colegas de escola não toleravam. Eles também faziam muitas piadas xenofóbicas e basicamente não tinham tolerância para as diferenças culturais que eles detectavam nos comportamentos e hábitos de Antoni. Até os lanches que ele levava para a escola eram motivo de piadas e comentários preconceituosos. Em uma entrevista, ele contou que a imagem que as pessoas daquele estado e naquela época tinham sobre imigrantes era realmente muito limitada. Para eles, ser imigrante significava automaticamente ser um refugiado fugindo de calamidades, guerras ou pobreza. Era como se não houvesse outra possibilidade.

Essa falta de compreensão e o sentimento de não pertencimento causados por ser constantemente excluído por causa de sua origem fez com que Antoni vivesse uma grande crise com sua identidade cultural. Por muito tempo ele desejou ter um nome diferente, mais americano, como Porter ou Portman. Quando ele estava começando a se aventurar na carreira de ator, chegou a considerar seriamente trocar de nome. Ele revela que fazer parte dos Fab Five do programa Queer Eye também o ajudou a se sentir mais tranquilo com sua identidade cultural. Hoje em dia, ser um homem com um sobrenome polonês, com sexualidade fluída e em um relacionamento homossexual, faz com que ele receba milhares de mensagens de jovens gays poloneses agradecendo pela visibilidade que o status de celebridade dele ajuda a dar à causa na Polônia, país onde a homossexualidade ainda é um enorme tabu.

Hoje em dia, Antoni celebra a mistura de culturas que compõem a sua identidade e sempre as mostra e tematiza com muito orgulho em entrevistas e episódios de Queer Eye.

*Por Cris Oliveira

Imagem de destaque: Paul Brissman / The Times

Fonte: https://www.thelist.com/134951/the-untold-truth-of-antoni-porowski/

Canções de Migração: De Volta Pro Meu Aconchego

De Volta Pro Meu Aconchego é uma música de amor, isso não podemos negar. Mas, se a gente olhar com cuidado, é possível interpretar a canção como sendo a fala de uma pessoa migrante que expressa uma sensação de alegria e acolhimento ao voltar pra casa. Isso também é amor.

“De Volta Pro Meu Aconhego” é uma composição de Dominguinhos e Nando Cordel.

Na música, o eu lírico deixa clara a sua felicidade ao voltar “pro seu aconchego” e retrata a saudade que sente do seu lugar de origem. Esse trecho da música leva à interpretação de que, talvez, este retorno seja algo sazonal, não definitivo. Talvez também não seja a primeira vez que acontece.


“É duro ficar sem você, vez em quando

Parece que falta um pedaço de mim

Me alegro na hora de regressar

Parece que eu vou mergulhar

Na felicidade sem fim

No entanto, como já falamos muitas vezes por aqui, voltar pra casa não significa necessariamente negar a vida como imigrante. É possível sentir-se bem no retorno e, ainda assim, gostar e se conectar com o país onde se vive. A migração muitas vezes é uma escolha, o que pode significar uma experiência bastante positiva, apesar dos inúmeros desafios.

Estou de volta pro meu aconchego

Trazendo na mala bastante saudade

Essa saudade que vai na mala pode, sim, ser do país de origem; uma saudade acumulada pelo tempo em que se esteve fora. Mas também pode ser do local de acolhida, que vai junto com o eu lírico nessa viagem, apesar da felicidade latente pelo retorno.

Que bom poder tá contigo de novo

De Volta Pro Aconchego é uma composição de Dominguinhos e Nando Cordel e ficou eternizada na voz da cantora Elba Ramalho. Em 1985, a música foi tema do protagonista Roque (José Wilker) da novela Roque Santeiro.


Clica no play pra curtir essa música tão linda!

*Por Lali Souza

*Imagem de destaque: site oficial Elba Ramalho / divulgação.

Mulheres Migrantes: Liz Claiborne

Hoje, falaremos de um grande nome da moda internacional, que venceu barreiras e fundou sua marca numa indústria, até então, dominada por homens: Liz Claiborne.

Anne Elisabeth Jane Claiborne, mais conhecida como Liz Claiborne, nasceu em Bruxelas. Aos 20 anos, em 1949, imigrou para os Estados Unidos. A primeira cidade que recebeu a jovem foi Nova Orleans, mas ela também chegou a viver em Catonsville e, anos mais tarde, fixou residência em Nova Iorque.

Liz estudou Artes e trabalhou para nomes como Tina Leser e Omar Kiam até que, em 1979, fundou a sua própria empresa, que foi batizada de Liz Claiborne, Inc. Além de ser uma atitude à frente de seu tempo – naquela época havia poucas mulheres donas de seus próprios negócios, Liz ainda inovou no tipo de produto. Suas coleções estavam focadas na mulher trabalhadora. As peças tinham um toque elegante e clássico (mas sempre com um toque atual), a preços acessíveis.

Imagem: Liz Claiborne / Divulgação – https://www.lizclaiborne.com/about/

A Liz Claiborne, Inc. ganhou sucesso e notoriedade. Em 1986, a Liz Claiborne, Inc. se tornou a primeira empresa fundada por uma mulher a entrar na lista das 500 maiores da Fortune. A estilista também foi a primeira CEO mulher de uma empresa Fortune 500.

O negócio cresceu e abraçou também o vestuário masculino (sob a marca CLAIBORNE) e também uma linha de acessórios, com bolsas, sapatos, bijuterias e até um perfume.

Claiborne atribuiu seu senso de estilo à sua educação europeia e seu estudo de arte.

Fonte: Imigration to United States – https://immigrationtounitedstates.org/

Além do trabalho como estilista e dos famosos “terninhos” típicos da marca, Liz Claiborne também era conhecida por defender e lutar por mais espaço para a mulher dentro do mercado da moda.

Depois de algumas decisões ruins, o valor de mercado da Liz Claiborne, Inc. caiu muito e o negócio perdeu seu lugar de destaque no universo da moda. Muitas das marcas da empresa foram vendidas a outras companhias.

Liz Claiborne faleceu aos 78 anos no Hospital Presbiteriano de Manhattan, em Nova Iorque, no verão de 2007, vítima de um câncer contra o qual lutava há mais de uma década. A marca e o legado de Liz Claiborne permanecem vivos.

*Por Lali Souza

Fontes:
Liz Claiborne – Site Oficial
20 minutos
Mundo das Marcas
Imigration to United States

Imagem de Destaque: Liz Claiborne fashion designer |© Sara Krulwich/WikiCommons

A imigração japonesa no Brasil

A maior comunidade Japonesa fora do Japão está no Brasil. No entanto, pouco se fala sobre esse 1,6 milhão de pessoas no território brasileiro. Quando falamos na comunidade japonesa no Brasil, a primeira associação que se faz é o bairro da Liberdade, em São Paulo. Além disso, pensa-se também em comidas e bebidas como Sushi e Sakê, que ganharam muita popularidade nas cenas urbanas das grandes cidades brasileiras. Mas você sabe como se deu a imigração japonesa para o Brasil?

Depois de uma brasileira de descendência japonesa contar sua história para gente no segundo episódio da segunda temporada do nosso podcast (clica aqui pra ouvir!), decidimos que precisávamos saber mais sobre a comunidade japonesa no Brasil.

A emigração Japonesa teve início em 1868, tendo sempre pontos altos nos períodos pós-guerra. No Brasil, ela chegou apenas em 1908, em consequência das políticas emigratórias japonesas e de mudanças sociais no Brasil.

Para o Japão da época, fazia sentindo estimular uma nova política migratória, com objetivo amenizar tensões sociais que surgiam devido à escassez de terras e endividamento de trabalhadores rurais. O Brasil, por sua vez, buscava trabalhadores estrangeiros para substituir a mão-de-obra das pessoas escravizadas, depois da abolição da escravatura.

No início do século XX os Estados Unidos, que eram o destino preferido dos japoneses, vetaram a entrada desses imigrantes em seu território. Com isso, o Brasil acabou recebendo um fluxo ainda maior de pessoas vindas da Terra do Sol Nascente.

“Sakura”, a flor de cerejeira, é linda e muito típica do Japão.

A comunidade japonesa, no entanto, ao contrário dos emigrantes europeus, foram alvo de grande preconceito ao pisar em solo brasileiro. Não podemos esquecer que, nessa época, havia uma política de embranquecimento da população brasileira e os japoneses enfrentavam grande resistência vinda da sociedade local por serem considerados exóticos demais.

No Brasil reinava a ideia racista de que os asiáticos eram impossíveis de se adaptarem devido às diferenças étnicas, físicas e culturais e sua presença era sempre vista com desconfiança e restrições sistemáticas. Os desdobramentos da Segunda-Guerra Mundial também foram responsáveis por gerar um sentimento de grande hostilidade contra imigrantes japoneses pelo mundo.

Apesar dessa história meio conturbada, Brasil e Japão têm uma longa história de migração em ambas as direções. Hoje em dia, brasileiros são maior grupo étnico “não-asiático” dentro do Japão e a migração de descentes de japoneses para o Japão é ainda bastante expressiva.

*Por Cris Oliveira

Fonte: https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/japoneses/a-identidade-japonesa-e-o-abrasileiramento-dos-imigrantes.html

Continuidade Indica: filme Casamento Grego

Casamento Grego é um filme independente de comédia lançado em 2002, que trata de uma relação romântica intercultural entre a grega Toula (Nia Vardalos, que também escreveu o longa) e o “não-grego branco anglo-saxão protestante” Ian (John Corbett). O pai de Toula sonha em vê-la casada com um homem também grego. Já imagina que deu ruim, né?

Eu não vou falar muitos detalhes do filme, porque a intenção aqui não é fazer uma crítica nem, muito menos, dar spoiler, mas queria aproveitar o gancho da indicação para refletir um pouquinho sobre as tais relações interculturais que até já foram tema de episódio no nosso podcast (ainda não ouviu? Clica aqui!). No filme, o tema é tratado com muito bom humor, mas na vida real nem sempre é assim.

Ian (John Corbett) e Toula (Nia Vardalos) no filme O Casamento Grego

Os relacionamentos interculturais podem trazer grandes desafios não somente para as partes diretamente envolvidas (o casal), mas também para as suas famílias. Ainda usando como exemplo a história de Toula, a sua família relutou muito em aceitar que ela se casasse com um homem de uma cultura diferente da sua, como se essa atitude significasse um rompimento com a sua gente a sua origem.

Por outro lado, há também as dificuldades entre o par em questão, por terem que lidar no dia a dia com uma pessoa de costumes muito diferentes dos seus. Em Casamento Grego, Ian se viu diante de um grande obstáculo: convencer a família de Toula de que ele era digno de casar-se com ela – mesmo não tendo a mesma nacionalidade – e o de se adaptar aos costumes e aos valores dessa nova cultura.

É preciso muito respeito e cuidado para encontrar o equilíbrio e a harmonia numa relação intercultural. Um bom exercício é entender que o outro é apenas diferente de vocês, o que não significa que essa pessoa está errada. Muitas vezes, as diferenças até ajudam a alimentar o amor e a trazer dinâmica para as relações. Porém, se está muito difícil e você se sente mais triste do que feliz, acenda o sinal vermelho de alerta repense se vale a pena seguir ou não nesse relacionamento. Se precisar de ajuda, já sabe: conta com a gente!

Por fim, Casamento Grego é uma comédia romântica muito leve e divertida, ótima pedida para uma tarde de domingo. O sucesso foi grande tão grande que a história ganhou uma continuação, lançada em 2016: Casamento Grego 2.

Assista e conte pra gente o que achou!

*Por Lali Souza

Fontes:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-45569/
https://pt.wikipedia.org/wiki/My_Big_Fat_Greek_Wedding

Mulheres Migrantes: Anousheh Ansari

O Mulheres Migrantes de hoje é dedicado a Anousheh Ansari. A fama da empresária veio depois de sua ida ao espaço, para uma estada de nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional em 2006. Ansari, mesmo não sendo a primeira mulher a sair da atmosfera terrestre, é considerada a primeira mulher a visitar o espaço como turista, já que foi ela mesma quem pagou pela sua passagem para fora do planeta Terra.

Anousheh Ansari nasceu e foi criada no Irã. Por ser um país com estudos limitados para meninas, a sua família a enviou para viver nos Estados Unidos com uma tia, aos 16 anos, para que pudesse seguir seus estudos na área da Ciência. Hoje, Anousheh fala fluentemente inglês e francês, além do seu primeiro idioma, o persa. Ela se formou em eletrônica e engenharia da computação, seguido de um mestrado em engenharia elétrica, ambos na Universidade George Washington. Ela ainda tem um doutorado honorário da International Space University.

Ansari foi naturalizada estadunidense e se tornou uma grande empresária no ramo digital. Para ajudar a impulsionar a comercialização da indústria espacial, Anousheh e sua família patrocinaram o Ansari X Prize, um prêmio em dinheiro de US$ 10 milhões para a primeira organização não governamental a lançar uma espaçonave tripulada reutilizável ao espaço por duas vezes no intervalo de duas semanas.

Imagem: Divulgação

Segundo a sua biografia, Anousheh é membro do Círculo de Visão da Fundação X Prize, bem como de seu Conselho de Curadores. Ela é membro vitalício da Association of Space Explorers e do conselho consultivo do projeto Teacher’s in Space. Ela já recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira e, hoje, dedica-se também a capacitar empreendedores sociais para a promoção de mudanças radicais em todo o mundo.

Olhando para toda a sua história de vida e conquistas, quando perguntada pelo portal Entrepreneur Middle East sobre que conselho daria às meninas e mulheres do oriente médio que têm sonhos tão grandiosos como os dela, disse: “nunca desista, porque o resto você dá um jeito. Se você desistir, nunca vai saber”.

*Por Lali Souza

Imagem de destque: X Prize

FONTES:

http://www.anoushehansari.com/about/

https://www.entrepreneur.com/article/339408

https://pt.wikipedia.org/wiki/Anousheh_Ansari

Que língua é essa? 5 dicas para aprender Espanhol

Aprender a língua local é um dos primeiros desafios que o imigrante encontra no seu país de destino. Acabou de chegar num país hispano falante? Pois pode soltar um suspiro aliviado: esse post é para você.

A professora espanhola Mari Paz separou umas dicas sensacionais, práticas e aplicáveis no dia a dia, que vão te ajudar muito no aprendizado do idioma castelhano.

Pega papel e caneta ou se prepare para os prints! Vamos lá?

1. Mude o idioma de equipamentos e aplicativos para o Espanhol

Essa é uma forma muito eficiente de inserir o novo idioma no seu dia a dia, além de aprender palavras e expressões úteis. O celular e o computador são ótimos para isso, pois você já sabe onde estão as coisas e não vai se confundir. O mesmo vale para o GPS, que pode ser usado mesmo em caminhos que já conhece, assim não vai se perder e ainda aprenderá vocabulário relacionado a receber e dar direções, por exemplo.

2. Escreva a lista de compras em Espanhol

Não precisa nem dizer o quanto essa dica é útil para aprender um vasto vocabulário sobre alimentos, itens de limpeza e tudo o mais que se pode encontrar num supermercado, né? É uma oportunidade não só de aprender e buscar palavras novas, mas também de praticar a escrita.

Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

3. Dedique um tempinho do seu dia para pensar em Espanhol

Essa dica demanda algum nível mínimo do idioma, claro, mas você pode fazer isso com as palavras que conhece. A ideia é: todos os dias, nem que seja por cinco minutos, pare um pouquinho para pensar em Espanhol. Pense, por exemplo, no que você fez naquele dia ou quais são seus planos para o fim de semana. O tema é livre e essa prática ajuda muito (e sem medo de errar). Ah! Se sentir falta de alguma palavra para completar o raciocínio, essa é a deixa para pesquisar e aprender ainda mais.

Pode ser até enquanto toma um sorvete. Boa ideia, hein? | Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

4. Invista tempo em ler e assistir séries, filmes e televisão em Espanhol

Parece óbvio, mas a verdade é que muita gente não dá o devido valor a essa dica. Lendo em espanhol, é possível aprender novas palavras e também se familiarizar com a sua grafia. Ler e escrever são duas habilidades totalmente conectadas.

Já os filmes, séries e programas de TV vão te ajudar muito na compreensão do idioma em sua forma oral. Colocar legendas em espanhol também pode ajudar a identificar aquela palavra que você não entendeu bem ou ainda aprender como se escreve. Anote as palavras e expressões desconhecidas para depois pesquisar o seu significado.

Imagem: Michal Jarmoluk por Pixabay.

5. Evite decorar listas extensas de palavras soltas

Um idioma não é puramente um monte de palavras, é preciso conhecer a forma de usá-las. Uma boa dica para aprender vocabulário é colocar as palavras dentro de um contexto. Pense nelas numa frase ou pequeno diálogo, assim fica muito mais fácil não só aprender a palavra (por conseguir chegar nela através de associações de ideias), mas também saber como e quando utilizá-la.

Esperamos que essas dicas sejam úteis no seu aprendizado. Se você tem mais alguma dica infalível para ajudar no aprendizado do castelhano, compartilha aqui com a gente nos comentários, ok? Até a próxima!

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Cindy Parks por Pixabay.

Histórias de Migração: Mariana Riccio

Nascida e criada em terras soteropolitanas, apesar de ser bisneta de italiano, minha história de migração começou mesmo com uma pergunta que minha mãe me fez: “filha, por que você não faz um intercambio? ”

Até 2006, nunca havia pensando em sair do país, muito menos de Salvador. Na minha familia até tinha alguns casos de migração, mas eu vivia a vida tranquilamente, tinha questões internas em relação à cidade e a mim mesma, mas não era nada demais.  Adentrei 2007 embarcando para minha primeira viagem internacional e completamente sozinha, fui fazer um interncambio de 6 semanas em Malta.

Posso dizer que foi a partir daí que uma formiguinha me picou e a sensação de “preciso viver mais disso e conhecer mais lugares” nunca mais parou de coçar. Em 2008, me formei em jornalismo e, dois meses depois, embarquei para um novo intercambio, desta vez de um ano, em São Francisco, California. 

Depois que retornei ao Brasil, fiquei pingando de emprego em emprego, de cidade em cidade. Cheguei em Salvador, depois morei em São Paulo, passei um período no Rio procurando emprego, voltei pra Salvador, fiz campanha política no interior da Bahia.

Quando arranjei um emprego fixo, entrei em um ritmo de vida mais estável na minha cidade natal. Mas sabe aquela coceirinha? Continuava ali.  Comecei a pesquisar sobre migrar para a Califórnia, já que tinha feito grandes amigos por lá e conhecia bem o local. Depois, cheguei a estudar francês pensando em migrar para o Canadá. Enfim, pesquisava aqui e acolá, mas nada se concretizava.

E foi num show do Maroon 5, em março de 2016, que minha melhor amiga me disse que estava pensando em migrar para Portugal através dos estudos (confira o relato dela aqui). Quando ela acabou de falar qual era a sua ideia, eu disse sem dúvida alguma: “também vou”.

Neste mês de setembro, completo 4 anos em Portugal. Honestamente, posso dizer que tem sido uma relação agridoce. Aqui conheci pessoas muito especiais, ganhei o título de mestre pela Universidade do Porto, aprendi mais sobre pertencer, sobre como é díficil criar laços depois dos 30, passei o pão que o diabo amassou para consegui um emprego, bati de frente com as burocracias da migração e do dia-a-dia, ouvi muito “não sei como é no Brasil, mas aqui…”.

Mas também foi aqui, bem no inicio da minha aventura em terras lusitanas, que conheci um português muito tímido e gentil, que entrou na minha vida e fez tudo ficar mais leve e fácil. Hoje somos casados e estamos prestes a receber o nosso primeiro filho.

Eu sou Mariana Riccio e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?


*Por Mariana Riccio