Aprendendo Alemão

Aprendendo Alemão

Se você resolveu aprender alemão, a primeira coisa que deveria fazer é se perguntar se quer realmente passar por esse tipo de sofrimento. Depois de um breve período de reflexão, se insistir que quer fazer isso mesmo, vamos lá. Só não diga que a gente não avisou!

Alemão é um idioma que, por sua estrutura, pode acabar gerando umas certas dificuldades para o falante do português. Mas, com dedicação e empenho, você pode aprender muito bem a língua de Goethe. Algumas dicas práticas, e que servem para aprender qualquer idioma, podem te ajudar nessa tarefa.

  1. Der, die, das

No alemão, existem três gêneros gramaticais: o masculino (der), o feminino (die) e o neutro (das). Uma boa dica é aprender os substantivos sempre acompanhados desses artigos. Por exemplo, digamos que você aprendeu uma palavra nova: “mesa”. Ao invés de anotar a palavra isolada, anote “der Tisch”, ou seja, “a mesa” (traduzindo literalmente, “o mesa”).

Essa é a questão: os gêneros gramatícais não são iguais em todas as línguas e, no caso do alemão, é importante saber que gênero a palavra tem, porque outros elementos gramaticais que você vai aprender depois, como a flexão dos adjetivos e quais pronomes ou artigos usar em cada caso, variam também de acordo com isso.

  • Frases prontas

Anote e pratique algumas frases prontas que você escutar por aí. Quando aprendemos frases que se repetem no cotidiano, principalmente na fase inicial do aprendizado do idioma, a gente não só aumenta nosso vocabulário como nossa fluência. Ter frases prontas para as quais recorrer, evita aquela gagejada, longas pausas e hesitações das quais os iniciantes sempre se queixam.

  • Organização

Outra forma interessante de organizar seu material de estudo é fazendo listas temáticas com as novas expressões que você vai aprendendo. Dá pra fazer lista de frutas, verduras, bebidas, coisas que você precisa dizer quando vai ao supermercado, etc.

Se você combinar a dica número dois com essa aqui, em pouco tempo vai perceber que seu vocabulário vai aumentar bastante. Crie um sistema para anotar novas palavras e estruturas. Muitos livros didáticos de alemão recomendam anotar os substantivos em cores diferentes, de acordo com o gênero. Você também pode usar esse sistema para marcar os casos em uma frase. Assim, os gênreos e casos diferentes ficam logo em destaque ao olhar para suas anotações.

  • Foco

Existem muitos podcasts, sites, livros, aplicativos e canais no Youtube que podem te ajudar com dicas gramaticais. Mas cuidado! Muitas vezes, a gente se perde no meio de tantas opções e acaba não avançando no nosso aprendizado. Vale mais a pena escolher um ou dois meios pelos quais você aprende bem (um site, um canal, um livro, um aplicativo), se concentrar nisso e tentar manter uma certa constância. Um site muito legal é o da Deutsche Welle. Lá, você encontra uma série de impulsos que podem te acompanhar em seu aprendizado, como por exemplo, filmes, explicações gramaticais, exercícios, notícias e muito mais.

Clica aqui pra conhecer o Deutsche Welle!

  • Diário de conquistas

Muitos de meus alunos, e eu também, passamos a escrever diários de nossa conquistas em alemão, com o objetivo de praticar o idioma. Qualquer caderninho serve e não precisa de textos longos. O importante é que você crie o hábito de escrever, pelo menos uma frase por dia, sobre alguma coisa nova que você aprendeu ou um progresso em seu processo de aprendizagem. No início, eu escrevia coisas como: “Heute konnte ich die Fahrkarte für den Bus selbst kaufen”(“hoje eu consegui comprar uma passagem de ônibus sem ajuda!”).

Com o passar do tempo, comecei a escrever parágrafos. Depois, os tamanhos dos parágrafos foram aumentando. Essa prática, além de te colocar em permanente contato com o idioma, de oferecer uma forma direta de se confrontar com suas dúvidas sobre a gramática e vocabulário, ainda vai te ajudar a perceber seu progresso com clareza. É também uma forma de apreciar suas conquistas durante o aprendizado.

E ai? Está mais motivado(a) para aprender alemão? Dann los geht’s!

*Por Cris Oliveira

Imagens: Pixabay

Histórias de Migração: Clarisse Och

Irmã mais nova de uma família de 3 irmãos, nasci em João Pessoa, na Paraíba. A minha história de migração começou desde muito cedo e sempre fez parte da minha vida.

Aos 4 anos de idade, fui morar no Canadá. O meu pai, professor universitário, fez doutorado na área de Engenheira Biomédica numa província de difícil pronuncia: Saskatchewan. Apesar de muito nova, ainda consigo lembrar que, quando chegamos em casa depois de uma longa viagem, eu pedi para ligar a TV e colocar nos Trapalhões.

Foram quase 5 anos morando no Canadá. Na adolescência, eu sentia uma vontade enorme – até hoje, para mim, inexplicável – de morar fora novamente. Vivia insistindo para meus pais bancarem um intercâmbio, mas não rolava. Até que comecei a vida universitária e encontrei um leque de opções de intercâmbios. Munida de argumentos, conversei com meus pais, que autorizaram (e financiaram) a minha ida para Bremen, na Alemanha, para fazer um curso superior de Global Management durante um ano. Este ano foi muito intenso, conheci pessoas incríveis que fazem parte da minha vida até hoje.

Voltei ao Brasil, terminei o meu curso de Administração, comecei a trabalhar e quem disse que aquela vontade de morar fora tinha passado? Muito pelo contrário, piorou! A oportunidade apareceu: fui selecionada para uma bolsa de estudos na mesma universidade que tinha feito o intercâmbio em Global Management, mas, agora, para fazer um mestrado.

O tempo do mestrado também foi vivido com muita intensidade. E foi nessa época que conheci a Cris e a Flora. Tudo ia muito bem, concluí o mestrado e estava fazendo um estágio em Marketing. Com quase 3 anos morando na Alemanha, muito feliz com as minhas conquistas, eu conheci quem seria o meu futuro marido. E sabe o que ele me pediu? Não, não foi em casamento. Pediu para morar no Brasil! Era tudo o que eu NÃO queria, mas avaliei que, se estávamos querendo construir uma vida juntos, seria bom para o relacionamento se ele aprendesse a minha língua e a minha cultura.

Estava bem claro para todas as partes que a nossa ida ao Brasil seria temporária e lá vivemos por 8 anos. Ele se integrou bem, tínhamos estabilidade e nasceram ali os nossos 2 filhos. Mas eu ainda queria morar fora do Brasil, esse sentimento nunca tinha me largado. Colocamos todos os prós e contras no papel e decidimos que seria mesmo tempo de voltar para a Alemanha.

Há 5 anos voltamos à Bremen, a cidade onde nos conhecemos e onde temos amigos. A chegada foi tranquila, aos pouco as coisas foram se moldando e se estabilizando.

Atualmente, trabalho como Sales Manager com foco principal no mercado Brasileiro. Além disso, dedico uma parte do meu tempo com muito amor e carinho como colaboradora do Continuidade Podcast, este projeto maravilhoso de autoria de minhas amigas Cris e Flora. A minha responsabilidade é tratar de assuntos comerciais, assim como a criação dos posts para as redes sociais. Eu fico ansiosa para ouvir os novos episódios e adoro quando eles estão cheios de reflexões.

Eu me sinto muito em casa na Alemanha, apesar da saudade que sinto dos familiares, dos amigos e, especialmente, das festividades no Brasil, como a virada de ano na praia, o Carnaval e o São João.

Eu sou Clarisse Och e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?