Do Chimarrão ao Tucupi

O Brasil é enorme e plural. De norte a sul, segundo o Censo 2020 do IBGE, o nosso país possui mais de 211 milhões de habitantes vivendo em 5.570 municípios. Pouca coisa, né? Diante dessa enorme quantidade de pessoas e considerando a nossa história, marcada pela influência de diversos povos do mundo, como definir uma única cultura brasileira?

O idioma nos une, não podemos negar. Somos um país continental onde há somente uma língua oficial, o português. Mas os regionalismos são tão presentes na linguagem que é quase como se falássemos vários “portugueses” diferentes. Os diversos sotaques trazem uma riqueza cultural imensurável para o idioma que herdamos dos nossos antepassados europeus.

Quando vivemos no Brasil, nossa identidade cultural está muito ligada à região onde nascemos e/ou crescemos. Além do sotaque, o nosso vocabulário, os costumes, as crenças e até as comidas do dia a dia podem ser completamente diferentes se você, por exemplo, é de Manaus ou de Florianópolis.

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Tangerina, Mexirica, Bergamota? Como é o nome desta fruta na sua cidade?

Quando saímos do Brasil, isso muda um pouco de figura. A gente se depara com a visão do povo local, que não sabe da nossa missa a metade, e nos coloca a todos num único potinho: brasileiros. E não é só isso, a gente também acaba se identificando através da nação de onde viemos e nos unimos a nossos compatriotas vindos de tudo quanto é canto do Brasil.

Os perfis regionais já não fazem mais sentido e passamos a ser todos enquadrados dentro do mesmo estereótipo. Falando nisso, temos um episódio que fala um pouco sobre esse tema, dentro do triste contexto da xenofobia. Vale a pena escutar! É o episódio 18 da primeira temporada, clica aqui pra ouvir.

E você? Como vocês se sente vivendo no exterior? Como você lida com essas questões ligadas à sua identidade cultural? Conta para a gente aqui nos comentários!

*Por Lali Souza

Fonte:

Censo 2020 IBGE: https://censo2020.ibge.gov.br/sobre/numeros-do-censo.html

Morar Fora: Expectativa x Realidade

Migrar exige muita cautela, preparação e vai além dos aspectos apenas burocráticos. Cuidar de nossos documentos e das questões legais para viabilizar essa empreitada é apenas uma parte de algo bem maior. É muito importante, também, cuidar de nosso emocional. Muito desse cuidado vem de aprender a equilibrar a nossa expectativa e a realidade que estamos prestes a encontrar.

No segundo episódio do nosso podcast (Esperanças e Expectativas no Processo Migratório) falamos de como, na primeira fase da migração, as expectativas altas podem levar a grandes decepções. Quanto mais idealizamos a vida no novo país, mais difícil fica aceitar a realidade quando, finalmente, conseguimos percebê-la. O autocuidado, sob a forma de reflexão constante e atenção com nós mesmas(os), pode nos ajudar a mantermos a conexão com a realidade.

De forma semelhante, devemos atentar para certas comparações que fazemos. No processo de migração, a busca por informação é fundamental, mas nos compararmos com outras pessoas pode também atrapalhar. Sabe aquela sua conhecida que aprendeu a falar o idioma local rapidinho e já arrumou um emprego? Aquele seu conterrâneo que conseguiu tirar a cidadania em tempo recorde? Ficar se atormentando e procurando as razões pelas quais você ainda não conseguiu chegar ao mesmo patamar não vai ajudar em nada o seu processo.

Na migração, as pessoas podem até passar por processos psíquicos semelhantes (o estranhamento, as decepções, a euforia, a saudade, entre tantos outros), mas não podemos esquecer que, ainda assim, temos histórias de vida próprias e nossas trajetórias na imigração também são influenciadas por nossas individualidades.

Uma sugestão: se você está pensando em emigrar, ou já está morando fora, evite comparar sua trajetória com a de outras pessoas e qualificar suas conquistas de acordo com os marcos da vida dos outros.  Ao invés disso, procure se informar bastante, focando sua atenção nos aspectos práticos que, de fato, são relevantes para você (por exemplo, saber como deve ser um currículo de profissional da sua área, onde há cursos de idiomas, etc).  

Paralelo a isso, crie o hábito de refletir e de entrar em contato com você mesma(o). Você tem respeitado a sua maneira de resolver as coisas? Como você está se sentindo em meio a tudo isso? Você consegue pedir ajuda se precisar?

Deixar tudo para trás e se aventurar em outro país nos leva para dentro de um emaranhado burocrático e emocional. Olhar para dentro de si, nesse processo, ajuda a trilhar um caminho do seu jeito, sem pressão, evitando que você se perca. Sob essa perspectiva mais amorosa, a migração também pode te proporcionar uma gratificante viagem de autoconhecimento.

Clica aqui pra ouvir o episódio “Esperanças e Expectativas no Processo Migratório”.

*Por Cris Oliveira

25 de junho: Dia do Imigrante no Brasil

Que a migração é parte fundamental da história dos povos pelo mundo, não é novidade alguma. E, por sermos essa mistura de gentes e culturas, é tão importante reconhecer o papel dos imigrantes na construção das nações, além de compreender o que os levou até ali.

No dia 25 de junho, é celebrado o Dia do Imigrante no Brasil. Agora que você já sabe o que é um imigrante, resolvemos deixar aqui a nossa homenagem e, também, compartilhar um pouco de conhecimento do por que essa data existe e o que ela significa.

O decreto que determina o dia 25 de junho como o Dia do Imigrante foi emitido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e publicado no ano de 1957. A data foi escolhida para coincidir com o fim das celebrações da semana da Imigração Japonesa (iniciada no dia 18 de junho). O objetivo da data comemorativa é prestar uma homenagem àquelas pessoas que deixaram para trás o seu lugar de origem, suas famílias e amigos, em busca de uma nova vida em outro país.

O Brasil, ao longo de sua história, acolheu imigrantes de diversos lugares do mundo, seja através de migração voluntária ou não, como foi o caso dos imigrantes africanos que foram levados à força para trabalhar como escravos em terras brasileiras. De uma forma ou de outras, essas pessoas ajudaram a construir o que somos e são parte da nossa vida, da nossa cultura.

Sabemos que o ato de imigrar requer muita coragem e que, nem sempre (ou quase nunca), este é um processo fácil. Por isso, desejamos que o Dia do Imigrante seja uma oportunidade de refletirmos sobre a nossa história, sobre o que nos trouxe até aqui, através de uma homenagem não somente àqueles que chegaram ao Brasil, mas também a nós, brasileiros e brasileiras, que acolhemos essas pessoas em nosso lar.

Fontes:

Arquivo Nacional – Ministério da Jutiça

Calendarr Brasil

*Por Lali Souza

Brasil diferentão

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“O brasileiro precisa ser estudado”. Todo mundo, alguma vez na vida, já ouviu essa expressão. A verdade é que todas as culturas têm suas singularidades. São aquelas “coisinhas” bem típicas e que dão uma sensação gostosa de pertencimento. É o nosso jeitinho.

Sabemos, não é exatamente essa a intenção mais usada para falar de “jeitinho brasileiro”, mas, nesse post, vamos ressignificar essa expressão, ok? Aqui, vamos tratar esse “jeitinho” como aqueles hábitos corriqueiros da nossa gente, aquilo que é típico da nossa cultura em geral.

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Uma coisa comum no Brasil pode causar muito estranhamento para pessoas de outras nacionalidades. Um exemplo? Somos conhecidos (e até nos orgulhamos, né?) pelo nosso calor humano. Abraços e beijos são parte da nossa demonstração de afeto e não vemos nada demais em dar aquele abração numa pessoa que acabamos de conhecer. No entanto, há culturas em que o toque é algo bastante pessoal e esse nosso calor pode ser visto como uma invasão de privacidade, então, cuidado! Não saia por aí distribuindo abraços se você não tem certeza de que a outra pessoa está no mesmo clima.

“A gente se encontra sete e meia, oito horas”. É assim que você costuma marcar um horário para encontrar a galera? Pois saiba que, em muitos países, isso não faz o menor sentido. Como assim um intervalo de MEIA HORA no agendamento? Em muitas culturas, a pontualidade é sinal claro de boa educação e nem todo mundo está acostumado aos atrasos que consideramos perdoáveis. Se uma festa está marcada para às 20:00h, o anfitrião espera que você chegue no horário certinho.

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Ah! E não diga “vamos marcar” se você, de fato, não quiser agendar um compromisso com a outra pessoa, viu? Ela pode levar muito a sério esse “vamos” e ficar até ofendida caso você, simplesmente, suma depois. Na semana passada, nossa entrevistada, a Dra. Uju Anya, nos contou uma história que mostrou bem como outras culturas levam a sério esses convites. Clica aqui pra ouvir!

Nos bares brasileiros, ainda é comum aquela mesa cheia de gente e uma garrafa de 600ml no meio para todo mundo compartilhar. Um clássico? Nem sempre! Esse é um costume bem nosso mesmo, mas, em outros lugares, o “normal” é cada um pedir o seu copo (chopp) ou longneck. O brinde é coletivo, já a cerveja… É cada um no seu quadrado.

Desde criança, aprendemos sobre a importância da higiene bucal e, por isso, é a nossa cara levar escova e pasta para escovar os dentes no banheiro do trabalho depois do almoço. Esse é outro hábito que muitos gringos não entendem. O mesmo vale para tomar banho todos os dias, às vezes mais de um.

Como esses, muitos outros hábitos brasileiros são vistos como “diferentões” mundo afora. Além de render boas risadas, essa reflexão é importante para entendermos que, o que é comum para nós, pode ser estranho – e até mesmo rude – numa outra cultura. Se você mora em outro país, é muito bom manter vivas as suas raízes, mas também ter atenção ao que, naquele lugar, são valores fundamentais.

Lembre-se: adaptar-se com respeito não significa aculturação. E viva a multiculturalidade!

Imagens:
David Peterson / Pixabay
Stock Snap / Pixabay
Public Domain Pictures / Pixabay


Histórias de Migração: Clarisse Och

Irmã mais nova de uma família de 3 irmãos, nasci em João Pessoa, na Paraíba. A minha história de migração começou desde muito cedo e sempre fez parte da minha vida.

Aos 4 anos de idade, fui morar no Canadá. O meu pai, professor universitário, fez doutorado na área de Engenheira Biomédica numa província de difícil pronuncia: Saskatchewan. Apesar de muito nova, ainda consigo lembrar que, quando chegamos em casa depois de uma longa viagem, eu pedi para ligar a TV e colocar nos Trapalhões.

Foram quase 5 anos morando no Canadá. Na adolescência, eu sentia uma vontade enorme – até hoje, para mim, inexplicável – de morar fora novamente. Vivia insistindo para meus pais bancarem um intercâmbio, mas não rolava. Até que comecei a vida universitária e encontrei um leque de opções de intercâmbios. Munida de argumentos, conversei com meus pais, que autorizaram (e financiaram) a minha ida para Bremen, na Alemanha, para fazer um curso superior de Global Management durante um ano. Este ano foi muito intenso, conheci pessoas incríveis que fazem parte da minha vida até hoje.

Voltei ao Brasil, terminei o meu curso de Administração, comecei a trabalhar e quem disse que aquela vontade de morar fora tinha passado? Muito pelo contrário, piorou! A oportunidade apareceu: fui selecionada para uma bolsa de estudos na mesma universidade que tinha feito o intercâmbio em Global Management, mas, agora, para fazer um mestrado.

O tempo do mestrado também foi vivido com muita intensidade. E foi nessa época que conheci a Cris e a Flora. Tudo ia muito bem, concluí o mestrado e estava fazendo um estágio em Marketing. Com quase 3 anos morando na Alemanha, muito feliz com as minhas conquistas, eu conheci quem seria o meu futuro marido. E sabe o que ele me pediu? Não, não foi em casamento. Pediu para morar no Brasil! Era tudo o que eu NÃO queria, mas avaliei que, se estávamos querendo construir uma vida juntos, seria bom para o relacionamento se ele aprendesse a minha língua e a minha cultura.

Estava bem claro para todas as partes que a nossa ida ao Brasil seria temporária e lá vivemos por 8 anos. Ele se integrou bem, tínhamos estabilidade e nasceram ali os nossos 2 filhos. Mas eu ainda queria morar fora do Brasil, esse sentimento nunca tinha me largado. Colocamos todos os prós e contras no papel e decidimos que seria mesmo tempo de voltar para a Alemanha.

Há 5 anos voltamos à Bremen, a cidade onde nos conhecemos e onde temos amigos. A chegada foi tranquila, aos pouco as coisas foram se moldando e se estabilizando.

Atualmente, trabalho como Sales Manager com foco principal no mercado Brasileiro. Além disso, dedico uma parte do meu tempo com muito amor e carinho como colaboradora do Continuidade Podcast, este projeto maravilhoso de autoria de minhas amigas Cris e Flora. A minha responsabilidade é tratar de assuntos comerciais, assim como a criação dos posts para as redes sociais. Eu fico ansiosa para ouvir os novos episódios e adoro quando eles estão cheios de reflexões.

Eu me sinto muito em casa na Alemanha, apesar da saudade que sinto dos familiares, dos amigos e, especialmente, das festividades no Brasil, como a virada de ano na praia, o Carnaval e o São João.

Eu sou Clarisse Och e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

Canções de Migração – La Vuelta (Los Cucas)

Certas canções nos marcam, nos emocionam e traduzem nossos sentimentos em forma de poesia. É mágico quando, em fases complexas de nossas vidas, encontramos uma música com a qual nos identificamos. A migração é uma dessas fases complexas e, por isso, não fica fora dessa lógica. Aposto que, se você pensar direitinho, vai encontrar alguma canção que marcou quando você estava no seu processo de mudança para uma nova vida em algum lugar distante.

“La Vuelta” é uma canção da banda espanhola Los Cucas e nos relembra algumas fases da migração. Muitos migrantes nutrem grandes expectativas em relação ao país de acolhida. Se, por um lado, ter esperança de uma vida melhor é fundamental para ter a motivação de se aventurar longe de casa, por outro lado, expectativas muito altas podem gerar uma série de decepções quando a gente se confronta com a realidade.

“Un nuevo lugar cubierto de hielo
Apaga de golpe el calor que me pude llevar
Si por trabajar hay gente que lo deja todo
A las víctimas de la nostalgia les voy a contar”


As decepções, a saudade e as dificuldades enfrentadas no país de acolhida acabam levando muitos de nós a desistir de continuar vivendo longe de casa. Com isso, muitos migrantes começam a tecer planos de voltar ao país de origem, nem que isto só possa acontecer nas últimas estações da vida.

“Una carretera que apunta directa hacia el sur
Allí el sol duerme y empieza la luz
De donde vengo y donde nací estas tú”

Essa canção expressa esse sentimento de forma muito poética, ao mesmo tempo que faz querer levantar para dançar. Mas cuidado! Ela tem um potencial de grudar na sua mente e fazer você cantarolar por dias.

Clica aí para escutar!

La vuelta (The Way) de Los Cucas

Quizas costó mas los primeros meses
Después las llamadas las cartas y la soledad
Mentí al decir que me iba tan ilusionado
Que con un billete sin vuelta me fui a embarcar

Un nuevo lugar cubierto de hielo
Apaga de golpe el calor que me pude llevar
Si por trabajar hay gente que lo deja todo
A las víctimas de la nostalgia les voy a contar

Una carretera que apunta directa hacia el sur
Allí el sol duerme y empieza la luz
De donde vengo y donde nací estas tú
No me importa nada todo lo que pude perder
Poquito a poco lo recuperaré
Hay viento en las velas, y un puerto que espera por
Mi, por miiiiiiiiiiiiiii

Fantasmas del mal acechan mi mente y me dicen
Mejor los recuerdos que ruinas de lo que ya fue
Tuve que explicar que ese era mi destino
Pero hay un camino de vuelta que me llevará

Una carretera que apunta…

Histórias de Migração: Lali Souza

Eu nasci numa família de raízes muito fortes ligadas ao seu lugar de origem. Meus pais são do recôncavo baiano, de uma cidade chamada Maragogipe, e, por muitos anos, esse foi o mais longe que cheguei da minha cidade natal, Salvador. No entanto, e contrariando essa nossa tradição familiar, o desejo de sair pelo mundo sempre foi muito presente em mim.

As tão sonhadas viagens entraram na minha vida somente no comecinho da idade adulta e, aos 20 anos, saí do Brasil pela primeira vez. Percebi que a vontade de ir mais além crescia e, em 2011, embarquei para um intercâmbio de 3 meses em Brighton, na Inglaterra.

Além de aprimorar o meu inglês, essa experiência serviu como um divisor de águas na minha vida, porque eu voltei para casa com uma certeza: queria sair outra vez. Durante anos vivi com a ideia fixa de ir morar na Inglaterra, talvez pelo apego nostálgico daquele intercâmbio que, seguramente, tinha sido a minha maior aventura até ali.

Depois de muita busca, decidi que o caminho para imigrar seria através do estudo e, numa visita despretensiosa a uma edição do Salão do Estudante, tive meu primeiro contato com um país que eu nunca tinha pensado sequer em visitar: Portugal. Descobri que a Universidade do Porto oferecia o curso de Mestrado que eu queria e cabia no meu orçamento. Naquele mesmo ano, 2016, embarquei para o Porto, onde morei por um ano e meio.

As dificuldades eram muitas e eu fui sobrevivendo como pude. Pela primeira vez, tive contato direto com a xenofobia. Ser falante de língua portuguesa, que eu pensava ser uma grande vantagem para arranjar trabalho, na verdade atrapalhou um pouco, pois o nosso sotaque brasileiro, muitas vezes, não é tão bem quisto assim por lá.

Apesar de não ter sido um mar de rosas, levo Portugal e o Porto no coração. Conheci pessoas incríveis, fui muito feliz e vivi uma experiência de autoconhecimento muito forte por lá. Voltei pra Salvador por uns meses, mas sabia que não seria para ficar.

Ao decidir voltar pra Europa, por que não arriscar outro lugar? Madri foi onde pousei para mais uma aventura e é a cidade que, hoje, eu chamo de lar. Eu já conhecia e gostava muito daqui, onde também tenho família, o que traz um aconchego todo especial. Por outro lado, eu também queria atrelar essa mudança à possibilidade de aprender um novo idioma.

Ainda sou uma imigrante “bebê”, com apenas 1 ano e 9 meses de vida madrileña. Sigo na luta para encontrar meu lugar ao sol e conquistar a tão sonhada estabilidade emocional (obrigada, Continuidade) e financeira, mas me sinto cheia de garra e esperança de, talvez, ter finalmente encontrado o meu lugar.

Porém, o futuro é muito incerto. Por isso, trago comigo a ideia de que a minha casa vai ser sempre onde eu me sinta feliz. O CEP é só um detalhe!

Nessas idas e vindas, a vida me apresentou Cris e Flora que, mais tarde, criaram o Continuidade. Hoje, tenho a alegria e o orgulho de fazer parte dessa família.

Eu sou Lali Souza e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

Lost in Translation

O idioma alemão tem umas palavras enormes. Algumas delas justificam o tamanho porque significam uma infinidade de coisas diferentes, ao passo que outras decepcionam depois que você descobre o que querem dizer. Por exemplo, você lê a palavra “Streichholzschachtel” em algum lugar e pensa imediatamente que aí vem bomba. Prende a respiração em expectativa antes de ler sua definição no dicionário. Uma palavra dessas só pode ter um teor altamente filosófico. Chega a ser ridículo quando a pessoa acaba descobrindo que esse barulho todo era só por causa de uma “caixa de fósforo”.

A língua alemã parece ter uma palavra específica para cada coisa do universo. É como se dar nome às coisas fosse uma questão de honra. Os substantivos são tão importantes que estão sempre se exibindo em maiúsculas ao longo dos textos. Por mais insignificante que algo possa parecer, por mais estranho que seja o sentimento, por mais imprecisa que seja a cor, o alemão dá um jeito de nomear.

Foi assim que me deparei com a diferença entre “pink” e “rosa” e com o incompreensível sentimento de “Fernweh” que hoje em dia eu entendo como sendo uma vontade imensa de sair por aí conhecendo outras culturas, outras pessoas, outros mundos. É quando você não aguenta mais o seu dia a dia e precisa viajar pra muito longe, deixar tudo pra trás, nem que seja por alguns meses ou mesmo por poucos dias. “Fernweh” é uma saudade ao contrário que, pelo visto, eu sempre tive, mas precisei chegar aqui pra saber exatamente como explicar.

Você, assim como a gente, teve de aprender outras línguas? Por quais palavras das suas línguas estrangeiras você já se encantou?

Foto: Sarah Lötscher (via Pixabay)

Migração faz história – Museu Deutsche Auswandererhaus

O Deutsche Auswandererhaus é um museu localizado na cidade de Bremerhaven, no norte da Alemanha, dedicado exclusivamente à história da emigração e imigração alemã. Apesar de não ser o único museu com esta temática no mundo, a sua peculiaridade está na riqueza de detalhes e na forma como se mantém em sintonia com os debates atuais sobre esse assunto.

O Auswanderhaus (que significa Casa do Emigrante) está localizado em um antigo porto que, a partir do ano 1683, foi o ponto de partida de mais de 7 milhões de emigrantes que se aventuravam no “Novo Mundo”, com a esperança de uma vida mais promissora. No museu, o visitante é convidado a participar de uma encenação rica em detalhes que o leva a acompanhar a trajetória de pessoas que partiram, exatamente daquele lugar, para destinos diversos, como Estados Unidos, Argentina, Brasil, entre outros.

As histórias reais das famílias migrantes escolhidas pelo museu dão conta de transmitir 300 anos de migração alemã de forma emocionante e elucidativa. A intenção do museu é informar e despertar a empatia dos visitantes sobre os diferentes motivos que levaram – e ainda levam – as pessoas a deixarem seus países de origem em busca de uma vida melhor em algum lugar distante.

No Auswanderehaus é também possível fazer uma extensa busca na sua própria história familiar de migração. Através disso, muitas pessoas acabam descobrindo suas origens e fatos inusitados sobre suas famílias. Além da viagem histórica que se faz no Auswandererhaus e das diversas exposições que se pode ver por lá, o museu ainda tem diversos projetos com a temática da migração. Tudo sempre com um olhar sensível para a migração dentro e fora da Alemanha.

Um bom exemplo é o Studio Migration, ou Estúdio Migração, cujo objetivo é animar os visitantes a entrarem em um estúdio e participarem de uma conversa sobre suas impressões acerca do museu e do que está acontecendo de atual em relação ao tema no país e no mundo. Os participantes podem também contar suas histórias de migração e, com isso, ajudam a criar um extenso arquivo oral para as próximas gerações.

Visitar o Auswandererhaus é um excelente programa para se fazer em família, aprendendo e se emocionando com as histórias de migração de quem, um dia, apostou tudo na esperança de uma vida melhor longe das certezas do conhecido. Desde o dia 8 de maio de 2002 ele está reaberto ao público, mas, como está seguindo um protocolo rígido para garantir a segurança dos visitantes, antes de ir, é melhor se certificar sobre os horários de funcionamento e possibilidades de visita guiada no site.

Para quem prefere ainda ter cautela e não frequentar lugares com muitas pessoas, vale a pena conferir as ofertas digitais do museu e o canal deles no Youtube. Tours virtuais, textos e muito mais sobre o  Auswandererhaus podem ser encontrados no site do museu, que também está disponível em língua inglesa.

SITE DO DEUTSCHE AUSWANDERERHAUS: https://dah-bremerhaven.de/news/

CANAL NO YOUTUBE: https://www.youtube.com/channel/UCquw6xwYTQBx2FXfeITOtSg

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/deutsches.auswandererhaus/

Foto: Wikipedia

Continuidade Indica: Mães Mundo Afora

Mães_Mundo_Afora

Domingo passado, 10 de maio, foi comemorado o dia das mães em diversos países do mundo, incluindo o Brasil. Nesse dia especial, entrevistamos Carol Medeiros, uma mãe brasileira que vive há 3 anos na Holanda, descobrindo os desafios e as delícias de ser uma mãe migrante. Carol nos contou, entre muitas outras coisas, sobre a experiência de educar uma brasileirinha longe de seu país. Para ela, o melhor e o pior dessa experiência residem no mesmo fato: criar sua filha longe de suas próprias referências.

Oferecer uma educação multicultural para os nossos filhos pode ser delicioso, mas, em alguns momentos, isso também pode significar uma vivência muito solitária para uma mãe expatriada. Viver em um país estrangeiro, sem contar com as experiências compartilhadas com outras pessoas que entendem de que lugar estamos falando, pode gerar uma sensação de alienação e sofrimento. Foi exatamente por isso que Carol, junto com duas outras mães empreendedoras – a jornalista Maila-Kaarina Rantanen e a administradora Carol Rodrigues – fundou a plataforma Mães Mundo Afora.

A missão do Mães Mundo Afora é “construir coletivamente um espaço aberto e estimulante de informação, formação, conscientização e troca de experiências entre mulheres que vivem no exterior, no intuito de criar uma rede virtual de apoio, acolhida e empoderamento feminino”. Construir pontes é um dos objetivos do Continuidade e, por isso, nos identificamos tanto com esse projeto.

No site do Mães Mundo Afora você vai encontrar textos inspiradores, escritos por mais de 50 mulheres brasileiras em diversas partes do mundo, que abordam temas como o ensino do português como língua de herança, a manutenção das raízes brasileiras sob a perspectiva da maternidade e os desafios da maternidade de mulheres brasileiras pelo mundo.


Vão lá conferir essa iniciativa maravilhosa!

https://www.maesmundoafora.com/

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