Que língua é essa? Diferenças entre o Português Brasileiro e o Europeu

Quando pensamos no que Brasil e Portugal têm em comum, aposto: o primeiro que vem à sua mente é o idioma. Sim, ambos os países são falantes de língua portuguesa. Porém, existem algumas diferenças entre um e outro, e a gente vai te contar algumas delas neste post.

Começamos pelo sotaque em si, que é mesmo muito diferente do que estamos habituados. Quando os portugueses falam rápido ou baixinho demais, é comum termos um pouco de dificuldade para entendê-los. Além disso, algumas coisas têm nomes completamente diferentes dos que conhecemos e, é claro, isso pode render algumas confusões e até boas risadas!

Segue uma breve listinha de algumas diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Esperamos que seja útil para quem precisa e divertido para tem curiosidade!

Presunto? Não! Fiambre.

Em Portugal presunto é aquele cru, que chamamos de Parma.

Isso é Lima. Limão é o verdinho!

Falando em fruta, sabe o caqui? Em Portugal, é Dióspiro.

Uma de nossas palavras preferidas: Esferovite.

Esquece “isopor”. Ninguém conhece.

Para juntar as folhas de papel,  usa-se um Agrafador.

Dentro dele tem o quê? Agrafos.

Nossa baianidade se encheu de alegria quando conhecemos o primo português do nosso porreta: PORREIRO! O significado é o mesmo.

Imagem inspirada do filme Pulp Fiction.

Quando algo/alguém é muito bonito, podemos dizer que é GIRO/GIRA.

Taí um exemplo de mulher gira! hahahahaha. Não podia perder essa piada!

E quando uma coisa é muito legal? É FIXE!

Tipo o Continuidade, sabe?

Quem nasce no Canadá é CANADIANO/CANADIANA.

Alanis Morissette é uma RAPARIGA (mulher) canadiana.

O cafezinho, a gente bebe na CHÁVENA.

Quando for a Portugal, cuidado para não se atrapalhar no transporte público! Se ligue:

Ônibus é AUTOCARRO.
Trem é COMBOIO.
Metrô é METRO.

Lembra de mais alguma diferença entre o português do Brasil e o de Portugal? Comenta aqui! 

*Por Lali Souza

Histórias de Migração: Karina Nery

Oi, eu sou Karina e acho que a minha vontade de morar fora sempre existiu ou, pelo menos, desde quando fui intercambista na Califórnia, aos 15 anos, e ouvi minha avó me falar, depois da minha high school graduation, para casar com meu namorado/vizinho e ficar por lá mesmo! Mas um terremoto nos levou de volta ao Brasil mais cedo.

Anos depois, comecei a ensinar inglês como hobby, mas terminei me apaixonando por ser teacher! Quando se ensina línguas, acredito que o mundo se abre mais ainda. Você passa a ter contato com a cultura de outros países, sem falar nas novas amizades com pessoas viajadas. Junte a isso o fato de eu gostar muito de filmes, séries e músicas em inglês. Minha cabeça estava sempre em outros mundos.

Quando contei aos meus pais, a minha irmã e até ao meu chefe que estávamos no processo de morar fora, eles foram unânimes em dizer coisas do tipo “sempre achei que fosse você quem ia morar em outro país e não sua irmã” (que já mora há mais de 10 anos na Alemanha), “já não era sem tempo”, “é sua cara mesmo”.

Claro que todos sentiram um misto de felicidade e tristeza, mas isso fica para uma outra história. Essa aqui se mistura com outra, e conta que meu marido, companheiro de mais de 20 anos, não teve a chance de fazer intercâmbio aos 15, como eu, e foi ter sua experiência depois de casado na Nova Zelândia. Na verdade, essa foi nossa primeira tentativa de migrar.

A ideia era ele ir na frente, fazer um curso para aprimorar seu inglês, conseguir um emprego na área de TI (que é área de demanda em muitos países), trocar o visto de estudante por um de trabalho e dar o OK para eu ir atrás, levando meu mais velho, que na época tinha uns 11 anos. Simples assim e perfeito, não?

Só que não deu certo. Eu acredito que fomos ingênuos demais ao basear nossos planos apenas na experiência de alguém, acompanhando sua história através de um blog. Também porque acredito ter sido um desejo mais dele do que meu. Eu estava em outro momento de vida, assumindo um cargo importante, além de ficar preocupada com a adaptação do meu mais velho e de afastá-lo do seu pai. Todas essas coisas se embrulhavam dentro de mim. Resultado? Plano B: um mês viajando pela Nova Zelândia em lua-de-mel e retorno para o Brasil. Já de volta, mudamos totalmente nossos planos e passamos a falar em fazer uma cerimônia de casamento e um filho. Não necessariamente nessa ordem.

Depois de cumpridos os planos do retorno e nosso filho já com 4 anos, voltamos a falar sobre migração. Talvez inspirados em mais um casal de amigos que estava se preparando para deixar o país. Talvez pela situação de insegurança em que vivíamos. Talvez porque estávamos mais maduros. Só sei que, dessa vez, algo muito forte clicou em mim e quem saiu pesquisando, planilhando e se esforçando para juntar até o último centavo fui eu!

Não escolhemos a Alemanha, ela nos escolheu. Como disse, a minha irmã já morava há mais de 10 anos aqui. Quando meu cunhado soube do nosso plano de morar fora e que podia ser no outro lado do mundo, na Nova Zelândia, ou no lugar mais frio do mundo, no Canadá, me disse: “então venham logo pra cá! Pense bem, o outro lado do mundo significa que sua mãe vai ter de escolher entre visitar você ou a sua irmã. Você não vai querer fazer isso com ela, não é?”

Na verdade, percebi que eles ficaram muito felizes com a ideia de ter mais alguém da família por perto e ofereceram a casa deles até a gente se estabelecer, além de todo o suporte necessário. Assim é bem mais tranquilo, não é mesmo?

Eu nem consegui dormir mais direito porque a conversa fluiu de uma forma tão rápida e as coisas foram, ligeiramente, se encaixando. Tanto que, no outro dia, meu cunhado voltou para casa trazendo informações oficiais do site do governo. Nesse mesmo momento, começamos a discutir salários e custos de vida e, então, ele me levou pra conhecer o apartamento do seu irmão para eu ter uma ideia de outras possibilidades de moradia, também pra conversar e ouvir outras opiniões.

Na volta, volta liguei logo para o meu marido:

– Esquece o frio do Canadá e a distância da Nova Zelândia, eu já estou vendo apartamento pra gente morar aqui na Alemanha!

– Calma, vem pra cá que a gente conversa.

– Ah… Não tem nem o que pensar!

– Claro que tem! Tenho que pensar em um fato muito simples: a língua alemã é considerada por muitos uma das mais difíceis do mundo!

Mas, segundo meu cunhado, esse nosso desafio é comparável a passar -50°C de frio no Canadá ou a morar lá onde o vento faz a curva. Eu voltei pro Brasil (mas acho que, por mim, já ficava esperando meu marido e a mudança) e a gente conversou bastante, fizemos várias listinhas de prós e contras e começamos a gincana dos documentos, do desapego, das despedidas.

Eu sou Karina Nery e esta é a minha história de migração. Qual é a sua?

Continuidade Indica: Nada Ortodoxa

Migração, Feminismo e Religião são alguns dos temas sobre os quais podemos discutir a partir da minissérie Nada Ortodoxa. Para começar, vamos fazer uma contextualização, com um breve resumo da história. Esther (Shira Haas) é uma jovem de 19 anos, judia ultra ortodoxa, que vive na cidade de Nova Iorque. Para fugir de um casamento arranjado, ela foge para Berlim, na Alemanha, em busca de uma nova vida para além dos valores religiosos que regem a comunidade em que nasceu.

A minissérie original da Netflix é baseada em fatos reais. A história, contada em quatro episódios de, aproximadamente, 50 minutos, é uma adaptação do livro autobiográfico “Unorthodox: The Scandalous Rejection of My Hasidic Roots”, lançado em 2012 pela autora Deborah Feldman.

Nada Ortodoxa trata de uma migração ligada ao desejo de liberdade, em que a personagem principal rompe com a sua família, sua cultura, e parte para o outro lado do Oceano Atlântico em busca de uma vida melhor. O feminismo grita por todos os lados nessa história, já que Esther, ao fugir de casa e do seu casamento, desconstrói o seu estereotipado papel feminino, que, dentro daquela sociedade organizada em torno de valores religiosos bastante concretos, seria de esposa zelosa e mãe dedicada.

Trailer Oficial / Netflix

Segundo a revista Rolling Stone (e nós concordamos!), além de uma aula sobre a cultura judaica e da temática ligada à emancipação feminina, um dos motivos pelos quais Nada Ortodoxa é uma série muito bem recomendada é pela sua variedade de idiomas.  Além do inglês e do alemão, boa parte da história é falada em ídiche, um idioma derivado das línguas  germânicas e adotada por comunidades judaicas.

A fotografia da série também é um caso de amor à parte. As imagens são lindas e os ângulos muito bem explorados. O elenco da série tem perfil multicultural, com atores de nacionalidades diferentes e a atuação está de parabéns!

A história de Esther é inspiradora e achamos que é uma ótima dica para quem está buscando um bom conteúdo para assistir na Netflix. Mas não esquece o lencinho porque é de se emocionar, viu?

Assista e depois volte aqui pra nos contar o que achou!

*Por Lali Souza

Fontes:
Rolling Stone
Netflix
Adoro Cinema

25 de junho: Dia do Imigrante no Brasil

Que a migração é parte fundamental da história dos povos pelo mundo, não é novidade alguma. E, por sermos essa mistura de gentes e culturas, é tão importante reconhecer o papel dos imigrantes na construção das nações, além de compreender o que os levou até ali.

No dia 25 de junho, é celebrado o Dia do Imigrante no Brasil. Agora que você já sabe o que é um imigrante, resolvemos deixar aqui a nossa homenagem e, também, compartilhar um pouco de conhecimento do por que essa data existe e o que ela significa.

O decreto que determina o dia 25 de junho como o Dia do Imigrante foi emitido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e publicado no ano de 1957. A data foi escolhida para coincidir com o fim das celebrações da semana da Imigração Japonesa (iniciada no dia 18 de junho). O objetivo da data comemorativa é prestar uma homenagem àquelas pessoas que deixaram para trás o seu lugar de origem, suas famílias e amigos, em busca de uma nova vida em outro país.

O Brasil, ao longo de sua história, acolheu imigrantes de diversos lugares do mundo, seja através de migração voluntária ou não, como foi o caso dos imigrantes africanos que foram levados à força para trabalhar como escravos em terras brasileiras. De uma forma ou de outras, essas pessoas ajudaram a construir o que somos e são parte da nossa vida, da nossa cultura.

Sabemos que o ato de imigrar requer muita coragem e que, nem sempre (ou quase nunca), este é um processo fácil. Por isso, desejamos que o Dia do Imigrante seja uma oportunidade de refletirmos sobre a nossa história, sobre o que nos trouxe até aqui, através de uma homenagem não somente àqueles que chegaram ao Brasil, mas também a nós, brasileiros e brasileiras, que acolhemos essas pessoas em nosso lar.

Fontes:

Arquivo Nacional – Ministério da Jutiça

Calendarr Brasil

*Por Lali Souza

Migrante, Imigrante, Emigrante e Refugiado: qual é a diferença?

No mês de julho, duas datas comemorativas nos ajudam a refletir sobre questões relacionadas às migrações. Dia 20 foi o Dia Mundial do Refugiado e no 25 será comemorado o Dia do Imigrante no Brasil. Mas de quem estamos falando quando celebramos essas datas? Migrantes, imigrantes, refugiados… Tem diferença? É tudo a mesma coisa? No texto de hoje, responderemos a essas perguntas.

Vamos começar falando de migração, que é uma espécie de termo guarda-chuva para toda essa temática. Migrar é o ato de se deslocar de um país, estado, cidade ou região para outra. A pessoa que toma a decisão de fazer isso é, então, chamada de migrante. A partir disso, a gente pode entrar em outro detalhe: uma pessoa que migra para um outro país é imigrante ou emigrante.

A diferença entre esses dois termos é uma questão de perspectiva. Por exemplo, nós, do Continuidade, saímos do Brasil para morar na Alemanha e na Espanha. Somos, portanto, imigrantes nesses países. Nossas famílias, no Brasil, podem dizer que nós emigramos para a Europa.

Nós decidimos tentar uma vida diferente em outro país. Para muitas pessoas, emigrar não é uma questão de escolha e sim de sobrevivência. Quando uma pessoa deixa o seu país por causa de perseguições, sejam elas de ordem política, étnica, religiosa, em busca de segurança e proteção em outro país, ela passa a ser chamada de refugiada. O termo refugiado é importante porque evidencia a razão pela qual a pessoa (ou um grupo de pessoas) deixou o seu país de origem. A migração, nesta situação, apesar de muitas vezes ser planejada, no geral, é classificada como uma migração involuntária.

O Dia Mundial do Refugiado foi criado no ano 2000 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, com a intenção de chamar a atenção para a situação das pessoas refugiadas pelo mundo.

Aproveite esta data e acesse o site da ACNUR para saber mais sobre esse assunto. Clica aqui para visitar o site!

Muito além de A a Z

Quando resolvi encarar o desafio de ensinar alemão como segunda língua, mal sabia que a aventura estava apenas começando. Pouquíssimo tempo depois de ter assumido minha primeira turma de jovens refugiados, as conversas com outros professores e professoras sinalizavam uma necessidade específica surgindo nas escolas de ensino médio aqui em Bremen. Estou falando de Bremen porque esta é a minha realidade, mas é bem capaz que tenha sido assim na Alemanha inteira. De repente, o perfil dos alunos das classes de alemão como segunda língua começou a mudar: de altamente escolarizado para analfabeto .

Na minha primeira turma de Vorkurs, (como são chamadas as primeiras classes frequentadas pelos adolescentes refugiados em Bremen) tive alunos cheios de ambições. Seus pais eram médicos, advogados e empresários na Síria e muitos deles sonhavam em seguir os passos dos pais. Eles e elas se interessavam pelo que precisariam fazer para ter esse tipo de formação e tinham consciência da necessidade de aprender muito bem a língua para isso.

Além disso, essa galera se interessava por normas e valores da cultura que os acolhia, e, por isso, me faziam virar noites preparando aulas que satisfizessem a sede de aprendizado. Por aquela turminha, quebrei minha cabeça diversas vezes para preparar aulas compreensíveis a todos, de acordo com as competências linguísticas de cada pessoa. Era desafiador e muito divertido!

Foram diversas aulas nas quais, além de aprender gramática e vocabulário, discutíamos tolerância religiosa, diferentes formas de governo, falávamos sobre racismo e outros temas cabeludos. Não precisou de muito tempo com aquela turma para notar que, em sua grande maioria, a galerinha sabia bem como as escolas funcionam e suas famílias eram presentes e valorizavam a formação acadêmica.

Com o passar do tempo, o alunado começou a mudar. De repente, na minha classe, a maioria mal sabia assinar o próprio nome. Eram jovens de 13, 14 anos que nunca tínham vivenciado um momento sequer de paz em seus países de origem. Famílias que precisaram juntar tudo e fugir, porque o vilarejo foi bombardeado e não há como priorizar a escolaridade de suas crianças.

Buscando ensinar de forma alinhada às necessidades de meus alunos e alunas, acabei enveredando pelo terreno da alfabetização de jovens. Hoje, coordeno um centro de alfabetização para jovens refugiados.

Na nossa escola, primeiro se ensina a ler, escrever e entender como as demais instituições de ensino funcionam, bem como os possíveis caminhos a serem seguidos na trajetória escolar. Vencida esta etapa, eles e elas ainda têm dois anos de ensino de língua, sendo que, no segundo ano, na maioria dos casos, esses jovens já participam das aulas das demais matérias no turno da tarde. Até concluirem a escola, a galera enfrenta muitas incompreensões, sejam linguísticas ou culturais, inúmeros obstáculos e muito, mas muito preconceito e segregação.

Com tudo isso, passados dois anos que a minha primeira turma de alfabetização tinha terminado, recebi uma mensagem de um ex-aluno pelo WhatsApp. Em sua mensagem, escrita em um alemão muito bom, ele me contava que tinha conseguido passar em uma prova de História e outra de Matemática, feitas em sua turma regular na escola de ensino médio. Ele ainda me agradecia por sua conquista e dizia que estava adorando estudar, aprender e que já começava a considerar a possibilidade de fazer um curso profissionalizante para se tornar assistente de classe em uma escola de ensino fundamental. A mensagem terminava com ele me perguntando se eu achava que ele teria chance de conseguir levar esse plano adiante.

Respondi, primeiramente, celebrando sua conquista, mas logo tive que me confrontar com sua pergunta: será que ele tem chance de conseguir sua qualificação profissional?

Teria, se a escola e a sociedade conseguissem enxergá-lo além de sua origem. Se seus professores e professoras conseguissem entender o seu analfabetismo prévio e o analfabetismo de sua família objetivamente, ou seja, tão apenas como fatos ocorridos em decorrência da tragédia que se abateu em seu país de origem, ao invés de como falha de caráter ou impeditivos para seu futuro. Seria possível, se a sociedade pudesse resistir ao impulso de, constantemente, encaixá-lo em estereótipos múltiplos.Teria muita chance, se encontrasse pessoas dentro das instituições que, mesmo enxergando suas limitações, preferissem se concentrar em seus potenciais, de forma a motivá-lo.

Pensei em tudo isso, mas só respondi: “claro que você consegue. Me avise se eu puder ajudar de alguma forma”.

Este texto foi originalmente postado no blog A Saltimbanca, em 1 de setembro de 2019.

Brasil diferentão

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“O brasileiro precisa ser estudado”. Todo mundo, alguma vez na vida, já ouviu essa expressão. A verdade é que todas as culturas têm suas singularidades. São aquelas “coisinhas” bem típicas e que dão uma sensação gostosa de pertencimento. É o nosso jeitinho.

Sabemos, não é exatamente essa a intenção mais usada para falar de “jeitinho brasileiro”, mas, nesse post, vamos ressignificar essa expressão, ok? Aqui, vamos tratar esse “jeitinho” como aqueles hábitos corriqueiros da nossa gente, aquilo que é típico da nossa cultura em geral.

abraço_continuidade podcast

Uma coisa comum no Brasil pode causar muito estranhamento para pessoas de outras nacionalidades. Um exemplo? Somos conhecidos (e até nos orgulhamos, né?) pelo nosso calor humano. Abraços e beijos são parte da nossa demonstração de afeto e não vemos nada demais em dar aquele abração numa pessoa que acabamos de conhecer. No entanto, há culturas em que o toque é algo bastante pessoal e esse nosso calor pode ser visto como uma invasão de privacidade, então, cuidado! Não saia por aí distribuindo abraços se você não tem certeza de que a outra pessoa está no mesmo clima.

“A gente se encontra sete e meia, oito horas”. É assim que você costuma marcar um horário para encontrar a galera? Pois saiba que, em muitos países, isso não faz o menor sentido. Como assim um intervalo de MEIA HORA no agendamento? Em muitas culturas, a pontualidade é sinal claro de boa educação e nem todo mundo está acostumado aos atrasos que consideramos perdoáveis. Se uma festa está marcada para às 20:00h, o anfitrião espera que você chegue no horário certinho.

atrasado_continuidade podcast

Ah! E não diga “vamos marcar” se você, de fato, não quiser agendar um compromisso com a outra pessoa, viu? Ela pode levar muito a sério esse “vamos” e ficar até ofendida caso você, simplesmente, suma depois. Na semana passada, nossa entrevistada, a Dra. Uju Anya, nos contou uma história que mostrou bem como outras culturas levam a sério esses convites. Clica aqui pra ouvir!

Nos bares brasileiros, ainda é comum aquela mesa cheia de gente e uma garrafa de 600ml no meio para todo mundo compartilhar. Um clássico? Nem sempre! Esse é um costume bem nosso mesmo, mas, em outros lugares, o “normal” é cada um pedir o seu copo (chopp) ou longneck. O brinde é coletivo, já a cerveja… É cada um no seu quadrado.

Desde criança, aprendemos sobre a importância da higiene bucal e, por isso, é a nossa cara levar escova e pasta para escovar os dentes no banheiro do trabalho depois do almoço. Esse é outro hábito que muitos gringos não entendem. O mesmo vale para tomar banho todos os dias, às vezes mais de um.

Como esses, muitos outros hábitos brasileiros são vistos como “diferentões” mundo afora. Além de render boas risadas, essa reflexão é importante para entendermos que, o que é comum para nós, pode ser estranho – e até mesmo rude – numa outra cultura. Se você mora em outro país, é muito bom manter vivas as suas raízes, mas também ter atenção ao que, naquele lugar, são valores fundamentais.

Lembre-se: adaptar-se com respeito não significa aculturação. E viva a multiculturalidade!

Imagens:
David Peterson / Pixabay
Stock Snap / Pixabay
Public Domain Pictures / Pixabay


Histórias de Migração: Clarisse Och

Irmã mais nova de uma família de 3 irmãos, nasci em João Pessoa, na Paraíba. A minha história de migração começou desde muito cedo e sempre fez parte da minha vida.

Aos 4 anos de idade, fui morar no Canadá. O meu pai, professor universitário, fez doutorado na área de Engenheira Biomédica numa província de difícil pronuncia: Saskatchewan. Apesar de muito nova, ainda consigo lembrar que, quando chegamos em casa depois de uma longa viagem, eu pedi para ligar a TV e colocar nos Trapalhões.

Foram quase 5 anos morando no Canadá. Na adolescência, eu sentia uma vontade enorme – até hoje, para mim, inexplicável – de morar fora novamente. Vivia insistindo para meus pais bancarem um intercâmbio, mas não rolava. Até que comecei a vida universitária e encontrei um leque de opções de intercâmbios. Munida de argumentos, conversei com meus pais, que autorizaram (e financiaram) a minha ida para Bremen, na Alemanha, para fazer um curso superior de Global Management durante um ano. Este ano foi muito intenso, conheci pessoas incríveis que fazem parte da minha vida até hoje.

Voltei ao Brasil, terminei o meu curso de Administração, comecei a trabalhar e quem disse que aquela vontade de morar fora tinha passado? Muito pelo contrário, piorou! A oportunidade apareceu: fui selecionada para uma bolsa de estudos na mesma universidade que tinha feito o intercâmbio em Global Management, mas, agora, para fazer um mestrado.

O tempo do mestrado também foi vivido com muita intensidade. E foi nessa época que conheci a Cris e a Flora. Tudo ia muito bem, concluí o mestrado e estava fazendo um estágio em Marketing. Com quase 3 anos morando na Alemanha, muito feliz com as minhas conquistas, eu conheci quem seria o meu futuro marido. E sabe o que ele me pediu? Não, não foi em casamento. Pediu para morar no Brasil! Era tudo o que eu NÃO queria, mas avaliei que, se estávamos querendo construir uma vida juntos, seria bom para o relacionamento se ele aprendesse a minha língua e a minha cultura.

Estava bem claro para todas as partes que a nossa ida ao Brasil seria temporária e lá vivemos por 8 anos. Ele se integrou bem, tínhamos estabilidade e nasceram ali os nossos 2 filhos. Mas eu ainda queria morar fora do Brasil, esse sentimento nunca tinha me largado. Colocamos todos os prós e contras no papel e decidimos que seria mesmo tempo de voltar para a Alemanha.

Há 5 anos voltamos à Bremen, a cidade onde nos conhecemos e onde temos amigos. A chegada foi tranquila, aos pouco as coisas foram se moldando e se estabilizando.

Atualmente, trabalho como Sales Manager com foco principal no mercado Brasileiro. Além disso, dedico uma parte do meu tempo com muito amor e carinho como colaboradora do Continuidade Podcast, este projeto maravilhoso de autoria de minhas amigas Cris e Flora. A minha responsabilidade é tratar de assuntos comerciais, assim como a criação dos posts para as redes sociais. Eu fico ansiosa para ouvir os novos episódios e adoro quando eles estão cheios de reflexões.

Eu me sinto muito em casa na Alemanha, apesar da saudade que sinto dos familiares, dos amigos e, especialmente, das festividades no Brasil, como a virada de ano na praia, o Carnaval e o São João.

Eu sou Clarisse Och e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

Continuidade Indica: Pessoas Negras Produtoras de Conteúdo

continuidade antirracista

O último episódio do Continuidade Podcast trouxe uma entrevista fantástica com a Dra. Uju Anya. Inspiradas no papo enriquecedor que tivemos com essa mulher negra, pesquisadora, professora, mãe, feminista (como ela mesma de descreve) e também na tão necessária luta antirracista que vivemos cotidianamente, decidimos dedicar o post de hoje a perfis e blogs de criadores negros.

Nosso objetivo não é dar voz, porque essas pessoas são donas de vozes poderosíssimas, mas ceder o nosso espaço para fazer eco ao que elas têm a dizer e, com isso, compartilhar conhecimento. Nos unimos ao movimento de fazer ressoar vozes negras, pois, como disse Angela Davis “numa sociedade racista, não ser racista não é o bastante. Temos que ser antirracistas”.

Uju Anya

Começamos com a nossa entrevistada da semana no podcast: Uju Anya. Uju é professora universitária e atua, principalmente, na área de linguística aplicada crítica e pedagogia equitativa. É antirracista e feminista. Clique aqui para comprar o seu livro “Racialized Identities in Second Language Learning. Speaking Blackness in Brazil” ou clique aqui para ir até o perfil de Uju no Twitter.

Djamila Ribeiro

Filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira. Esse é o resumo do currículo de Djamila Ribeiro, uma das vozes mais ativas do feminismo negro no Brasil. É pesquisadora e mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo. Super ativa nas redes sociais, atualmente também assina uma coluna no jornal Folha de São Paulo e na revista Elle Brasil. Clique aqui pra seguir Djamila no Instagram.

Maíra Azevedo (Tia Má)

María Azevedo, mais conhecida como Tia Má, é jornalista, humorista, palestrante e milita ativamente pelas causas antirracistas e feministas. Atualmente, também é parceira do programa de televisão Encontro com Fátima Bernardes. Nas redes sociais, Tia Má compartilha muita informação e vale a pena acompanhar o seu trabalho. Clica pra ver!

Blogueiras Negras

Blogueiras Negras é um coletivo formado por mulheres negras e afrodescendentes. Com as suas palavras, são “blogueiras com estórias de vida e campos de interesse diversos; reunidas em torno das questões da negritude, do feminismo e da produção de conteúdo”. Recomendamos muito a leitura do blog. Basta clicar aqui pra ir lá visitar.

Aline Djokic

Aline é poetisa e Mestre em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de Hamburgo. É parte do time de colaboradoras do coletivo Blogueiras Negras e é autora do livro de poesias “Mitomaníaca”. O livro de Aline pode ser adquirido clicando aqui.

Série Olhos que Condenam

A série original Netflix conta o caso real de jovens negros condenados e presos por anos injustamente pelo estupro de uma mulher branca. Na Netflix, há também um documentário do caso, feito por Oprah Winfrey.

Nath Finanças

Nath é administradora e produz conteúdo sobre orientação financeira para públicos de baixa renda. Seu conteúdo é super educativo e útil para o dia a dia das pessoas. Clique aqui para seguir Nath lá no Instagram!

Cris Oliveira

Para fechar a nossa listinha, não poderíamos deixar de indicar o blog da nossa Cris Oliveira, também conhecida como A Saltimbanca. Como vocês já sabem, Cris é professora e linguista. Mulher negra, baiana, nordestina. No seu blog, fala sobre reflexões pessoais e, é claro, sobre as suas experiências como imigrante brasileira negra na Alemanha. Clique aqui para ler mais.

Indique perfis e blogs de pessoas negras para a gente aqui nos comentários!

*Imagem de destaque: Samir Basante V. por Pixabay.

Canções de Migração – La Vuelta (Los Cucas)

Certas canções nos marcam, nos emocionam e traduzem nossos sentimentos em forma de poesia. É mágico quando, em fases complexas de nossas vidas, encontramos uma música com a qual nos identificamos. A migração é uma dessas fases complexas e, por isso, não fica fora dessa lógica. Aposto que, se você pensar direitinho, vai encontrar alguma canção que marcou quando você estava no seu processo de mudança para uma nova vida em algum lugar distante.

“La Vuelta” é uma canção da banda espanhola Los Cucas e nos relembra algumas fases da migração. Muitos migrantes nutrem grandes expectativas em relação ao país de acolhida. Se, por um lado, ter esperança de uma vida melhor é fundamental para ter a motivação de se aventurar longe de casa, por outro lado, expectativas muito altas podem gerar uma série de decepções quando a gente se confronta com a realidade.

“Un nuevo lugar cubierto de hielo
Apaga de golpe el calor que me pude llevar
Si por trabajar hay gente que lo deja todo
A las víctimas de la nostalgia les voy a contar”


As decepções, a saudade e as dificuldades enfrentadas no país de acolhida acabam levando muitos de nós a desistir de continuar vivendo longe de casa. Com isso, muitos migrantes começam a tecer planos de voltar ao país de origem, nem que isto só possa acontecer nas últimas estações da vida.

“Una carretera que apunta directa hacia el sur
Allí el sol duerme y empieza la luz
De donde vengo y donde nací estas tú”

Essa canção expressa esse sentimento de forma muito poética, ao mesmo tempo que faz querer levantar para dançar. Mas cuidado! Ela tem um potencial de grudar na sua mente e fazer você cantarolar por dias.

Clica aí para escutar!

La vuelta (The Way) de Los Cucas

Quizas costó mas los primeros meses
Después las llamadas las cartas y la soledad
Mentí al decir que me iba tan ilusionado
Que con un billete sin vuelta me fui a embarcar

Un nuevo lugar cubierto de hielo
Apaga de golpe el calor que me pude llevar
Si por trabajar hay gente que lo deja todo
A las víctimas de la nostalgia les voy a contar

Una carretera que apunta directa hacia el sur
Allí el sol duerme y empieza la luz
De donde vengo y donde nací estas tú
No me importa nada todo lo que pude perder
Poquito a poco lo recuperaré
Hay viento en las velas, y un puerto que espera por
Mi, por miiiiiiiiiiiiiii

Fantasmas del mal acechan mi mente y me dicen
Mejor los recuerdos que ruinas de lo que ya fue
Tuve que explicar que ese era mi destino
Pero hay un camino de vuelta que me llevará

Una carretera que apunta…