Histórias de Migração: Daniele Stivanin

Olá! Moin Moin! (como dizemos de forma bem simpática e cantada aqui no Norte da Alemanha!).  Eu sou Daniele Stivanin, sou mineira de Poços de Caldas e estou morando em Hamburg, na Alemanha, há 02 anos. Nós aterrissamos aqui depois de muito pensar e desejar vivenciar outros estilos de vida e de uma boa oportunidade profissional que nos deu a possibilidade de escolher as terras germânicas como novo lar.

Colocamos dentro da mala, as nossas expectativas, ansiedades, dores e sonhos e mais algumas coisas queridas que nos lembrariam da nossa casa e dos nossos trabalhos no Brasil. Com uma saudade já antecipada, eu e meu esposo nos demos as mãos, e sentimos que não estamos entrando em um avião, mas sim topando pular de paraquedas.  Lá vamos nós!

Chegando aqui, encontramos uma rede de brasileiros, primeiramente da própria empresa (eram 05 casais), com os quais podíamos dividir as novas descobertas (como alugar um apartamento e dar conta dos documentos com tantos nomes diferentes). Juntos fizemos declarações de amor à IKEA, somamos os braços para carregar e montar os novos móveis, dividimos os receios e as saudades, e nos reunimos para brindar, conversar e cozinhar.  Encontramos amparo para iniciar a nossa caminhada e não nos sentirmos sós. E destes amigos, vieram outros tão queridos. A internet também nos ajudou muito a encontrar novos grupos e projetos por aqui. E como isso tem nos fortalecido!

O Continuidade foi um grande apoio, com as falas no podcast que me acompanhavam nas minhas caminhadas, ampliando o meu foco e me ajudando a nomear os inúmeros sentimentos e pensamentos.  Em seguida, vieram as trocas no workshop entre mulheres imigrantes, que me ajudaram a ampliar demais as minhas perspectivas e o meu aconchego. Seguimos juntas através do grupo de whatsapp e de outras trocas virtuais (que espero que em breve sejam presenciais também!). E agora, com uma felicidade sem fim, me somo à equipe!

Com essas redes  de apoio, me senti mais fortalecida para vivenciar alguns desafios, como não saber como as coisas funcionam, os costumes, não conhecer a língua e ver o alcance de se comunicar, opinar, e se explicar muito limitados, assim como algumas possibilidades de lazer que gostava tanto (como cinema, teatro, etc). Porém, tudo bem, hoje já conheço um pouco mais o funcionamento das coisas (embora tenha muito ainda para aprender) e com o tempo vamos nos desenvolvendo na língua e na participação social aqui.

Acho que já somos felizes e gratos por já ter aprendido tanto, por ver as nossas habilidades sociais e emocionais e o conhecimento de mundo (externo e interno) sendo refinados com essas experiências. Eu revi tantas coisas nestes últimos dois anos, de valores, história e perspectivas, que eu já não sou mais a mesma. Isso é um ganho permanente da imigração para mim!

Tanto que me sinto conectada com aqui, talvez porque me conectei aqui dentro. Espero estar aqui por um bom tempo, viver a vida, sabe, e cada vez mais pegando o jeito, escorregando no alemão, em alguns combinados sociais e culturais que não conheço, mas seguindo em frente. E no caminho, desejo encontrar satisfações, resiliência, condições de me desenvolver, de ter segurança no espaço público e ter um estilo de vida mais simples e orgânico, de me reencontrar profissionalmente e ampliar a minha rede de contato social. Desejo me sentir vivendo e participando da sociedade em que vivo. Sempre acompanhada da minha rede do Brasil, dessa terra que me tornou quem eu sou. E agora com refinamentos e com o coração já dividido entre os dois lares que temos, um brasileiro e um alemão!

Se precisasse usar uma única palavra para resumir a minha história de migração, acho que seria esperança. Acho que ela aquece o meu coração desde o primeiro frio na barriga da possibilidade de vir e quando acordo todas as manhãs aqui e escuto “ Moiinn” cantandinho!

Eu sou Daniele e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

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