Canções de Migração: Na Volta Que o Mundo Dá

A canção Na Volta Que o Mundo Dá, que conhecemos na voz da cantora Vânia Abreu, parece ter sido feita para o Continuidade. A letra é linda e faz quase que um resumo das fases da migração, das quais a gente tanto falou nos primeiros episódios do nosso podcast.

A música retrata uma migração voluntária e começa falando daquele sentimento que, muitas vezes, não sabemos muito bem de onde vem. É aquele “chamado”, uma vontade de experimentar viver em outro lugar.

Um dia eu senti um desejo profundo

De me aventurar nesse mundo

Pra ver onde o mundo vai dar

Ao chegar no destino, é comum vivermos uma euforia deliciosa com as novas experiências. O novo pode ser bastante sedutor e a sensação de realizar um sonho é mesmo muito gostosa.

Pisei muito porto de língua estrangeira

Amei muita moça solteira

Fiz muita cantiga por lá

Varei cordilheira, geleira e deserto

O mundo pra mim ficou perto

E a terra parou de rodar

Passada a euforia inicial, vêm as dificuldades. É quando a realidade bate na porta e, muitas vezes, traz consigo a vontade de voltar para o que nos é familiar. Nesta fase, sempre alertamos sobre a importância de ter atenção aos nossos sentimentos e de buscar ajuda, se necessário. Mesmo que a tristeza seja algo normal e parte da vida, lembre-se que você não precisa enfrentar o mundo sozinha(o).

Com o tempo

Foi dando uma coisa em meu peito

Um aperto difícil da gente explicar

Saudade, não sei bem de quê

Tristeza, não sei bem por que

Vontade até sem querer de chorar

O luto na migração, como já vimos, pode vir de muitas formas. A dor de se sentir não pertencente a lugar nenhum pode ser uma delas. A gente fica meio perdido porque ainda não se sente em casa no país de acolhida, mas também percebe que já não se encaixa no lugar de onde viemos.

Angústia de não se entender

Um tédio que a gente nem crê

Anseio de tudo esquecer e voltar

Com o tempo (e com ajuda!) a gente espera que essas dores melhorem e que a gente possa, finalmente, chamar de lar o lugar onde escolhemos viver. Mesmo que esse lugar seja o mundo inteiro.

Agora aprendi por que o mundo dá volta

Quanto mais a gente se solta

Mais fica no mesmo lugar

Na Volta que o Mundo dá é uma canção de autoria de Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro e, em 1988, foi gravada pela cantora Mônica Salmaso no seu disco Trampolim. A versão de Vânia Abreu foi gravada em 1999 e faz parte do disco Seio da Bahia.

Aperta o play pra ouvir Vânia Abreu cantando Na Volta Que o Mundo Dá!

Giro Pelo Mundo: dicas imperdíveis para curtir Salvador

Salvador é uma cidade muito especial para o Continuidade. É a terra natal das nossas hosts Cris e Flora e é também de onde eu, Lali, venho. Por isso, esse giro pelo mundo está mais do que nostálgico! É com uma alegria enorme que apresentamos para vocês alguns dos nossos lugares preferidos da cidade. Simbora!

Porto da Barra

Praia do Porto da Barra / Imagem: Yuri Araujo por Pixabay

É uma das praias mais agradáveis da cidade, conhecida por um mar de água calma (como uma piscina) e quentinha. O Porto é tão bacana que dá pra chegar de manhã e passar o dia todo curtindo. O pôr do sol é um espetáculo à parte!

O Porto da Barra fica bem pertinho de um dos pontos turístico mais famosos de Salvador: o Farol da Barra. Dá pra ir andando pelo calçadão. É bem rapidinho!

Farol da Barra / Imagem: DEZALB por Pixabay

Largo de Santana – “Dinha”

O Rio Vermelho é considerado o bairro mais boêmio da cidade. Um dos pontos mais famosos é o Largo de Santana, também conhecido como “Dinha” em homenagem à baiana de acarajé que por anos montou ali o seu tabuleiro. Dinha, infelizmentente, já não está mais entre nós, mas suas filhas seguem mantendo o negócio e tradição da família. O Largo de Santana tem vários bares e é um ótimo lugar para sentar, beber uma cerveja e, é claro, saborear um dos acarajés mais famosos da Bahia.

Pelourinho

Pelourinho / Imagem: soel84 por Pixabay

O centro histórico de Salvador é considerado Patrimônio Imaterial da Humanidade e não é por acaso. O Pelourinho faz parte dele e carrega em si muita história. É um símbolo de Salvador, um lugar rico em vibração, cores, gente e cultura. Vale a pena passear pelas ruas e conhecer os artistas e artesão locais. Além do mais, o Pelourinho tem uma programação artística e musical bem agitada. Quando for a Salvador, procure saber!

Ah! E tem mais. É no Pelourinho que está a Igreja e o Convento de São Francisco. Marcada pelo estilo barroco, é uma coisa linda de ver.

Mercado Modelo

Mercado Modelo visto da Cidade Alta / Imagem: masteroblima por Pixabay

Outro cartão postal da cidade e que vale dar uma passadinha é o Mercado Modelo. É o paraíso do souvenir, então, vai com calma pra não deixar todo o seu dinheiro lá. Ele fica na Cidade Baixa e tem um montão de lojas de artesanato para você fazer a festa!

Sorvete na Cubana

Quando sair do Mercado Modelo, aproveite para subir o Elevador Lacerda e passar numa das sorveterias mais tradicionais da cidade: A Cubana. Ela fica bem na porta do elevador, já na Cidade Alta e, além de um sorvete delicioso, tem uma vista de tirar o fôlego!

Sorveteria Ribeira

Sorveteria da Ribeira / Imagem: Tripadvisor

Por falar em sorvete, pega essa dica que é muito boa! A Ribeira é um bairro que fica na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa e é onde está outra sorveteria muito famosa da nossa cidade, fundada em 1931: a Sorteveria da Ribeira. São quase 100 opções de sabores, mas os de fruta dão um show à parte. Certeza que você não vai se arrepender de provar.

Dica de amiga: se você gosta de um doce bem doce, prove o Coco Espumante. É tipo um milkshake feito com sorvete de coco e muito, mas MUITO leite em pó. É maravilhoso!

Ilha de maré

A ilha fica na Bahia de Todos os Santos, mas pertence a Salvador. É um ótimo destino para curtir o dia nas suas praias lindíssimas.

A Bahia é linda e Salvador é uma cidade cheia de lugares incríveis. Porém, com certeza, o seu melhor cartão postal ainda é a sua gente. É clichê, mas é verdade: o soteropolitano é massa e a gente pode provar.

Sentiu falta de algum lugar incrível de Salvador nesse post? Conte pra a gente aqui nos comentários!

*Este texto é uma construção coletiva de Lali Souza, Cris Oliveira e Flora Regis Campe.

Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Mar%C3%A9

Imagem de destaque: ferreiracleber por Pixabay.

Histórias de Migração: Daniel Castelani

Olá. Meu nome é Daniel Castelani. Sou brasileiro, nascido em Campinas, interior de São Paulo, e editor deste podcast. E não, não é uma “carteirada” eu dizer logo de cara que edito o Continuidade. Na verdade, isto é importante pra caramba, pois foi tendo o privilégio de ouvir todos os episódios em primeiríssima mão que me dei conta do quão migrante sou e de quantas fases eu já vivi e revivi sem nem sentir. Mas deixe-me contar um pouco sobre minha história de migração.

Como disse lá em cima, sou natural de Campinas, onde vivi os primeiros 6 anos de minha vida. Meu pai recebeu, em 1982, uma oferta de emprego em Salvador, na Bahia, sua terra natal, e a família toda se mudou para terras soteropolitanas: eu, minha irmã de 3 para 4 anos, minha mãe, uma paulista de Valinhos, e meu pai, o baiano expatriado que já era mais paulista que nada.

Cresci em Salvador, onde cultivei amizades, aprendi a ser gente e recebi toda sorte de contribuições culturais, mas, no fundo, sempre me senti um “outsider”. Em casa, éramos paulistas e essa dicotomia sempre me acompanhou.

Fui pai muito cedo, aos 18 anos. Minha namorada, a Fran, também tinha um histórico de migração em sua família. Filha de pai gaúcho e mãe do interior da Bahia, foi levada para morar, com apenas dois aninhos, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Voltou com 6 anos para Salvador e acredito que sofreu da mesma dificuldade que eu: uma sensação de não pertencimento.

Após 3 anos de casados, resolvi fazer o caminho inverso de meu pai e voltar para Campinas. Fomos eu, Fran e Bia, minha filha que, com 3 anos, saía de sua terra natal para viver na minha (incrível como repetimos padrões de nossos pais mesmo que de forma inconsciente).

Vivemos por seis anos em Campinas e foram anos mágicos. A cidade é muito gostosa e nos sentimos pela primeira vez como uma família de verdade. Foi um tempo de crescimento e reafirmação para todos nós, mas, um dia, recebi um telefonema com uma proposta de trabalho irrecusável em Salvador. Após uma reunião familiar, decidimos voltar.

Mais 10 anos de Salvador, tempo em que obtive crescimento profissional, construímos uma casa, nos endividamos, enfim, a vida aconteceu.

No final de 2014, após uma série de acontecimentos que culminaram em desemprego e desespero, resolvemos tentar a vida em Santa Catarina, mais precisamente em Timbó, local de onde escrevo este texto para o site do Continuidade.

Estou convicto de que estas mudanças de estado e cidade moldaram boa parte de minha personalidade. Por vezes, me pego pensando em como seria se tivesse vivido na mesma cidade, no mesmo bairro, na mesma casa, como tantas pessoas que conheço. Como seria minha vida?

Mas sabe de uma? Com certeza não teria as experiências que tive, os sotaques que experimentei, nem a diversidade de pensamento e tolerância com o diferente que tenho hoje. De quebra, ainda acho que transmiti para minha filha este gosto por viver em cidades diferentes.

Sou, hoje, fruto das minhas vivências e escolhas e a migração, sem dúvida, faz parte de quem eu sou.

Eu sou Daniel Castelani e esta é minha história de migração, qual é a sua?

*Por Daniel Castelani

Canções de Migração: De Volta Pro Meu Aconchego

De Volta Pro Meu Aconchego é uma música de amor, isso não podemos negar. Mas, se a gente olhar com cuidado, é possível interpretar a canção como sendo a fala de uma pessoa migrante que expressa uma sensação de alegria e acolhimento ao voltar pra casa. Isso também é amor.

“De Volta Pro Meu Aconhego” é uma composição de Dominguinhos e Nando Cordel.

Na música, o eu lírico deixa clara a sua felicidade ao voltar “pro seu aconchego” e retrata a saudade que sente do seu lugar de origem. Esse trecho da música leva à interpretação de que, talvez, este retorno seja algo sazonal, não definitivo. Talvez também não seja a primeira vez que acontece.


“É duro ficar sem você, vez em quando

Parece que falta um pedaço de mim

Me alegro na hora de regressar

Parece que eu vou mergulhar

Na felicidade sem fim

No entanto, como já falamos muitas vezes por aqui, voltar pra casa não significa necessariamente negar a vida como imigrante. É possível sentir-se bem no retorno e, ainda assim, gostar e se conectar com o país onde se vive. A migração muitas vezes é uma escolha, o que pode significar uma experiência bastante positiva, apesar dos inúmeros desafios.

Estou de volta pro meu aconchego

Trazendo na mala bastante saudade

Essa saudade que vai na mala pode, sim, ser do país de origem; uma saudade acumulada pelo tempo em que se esteve fora. Mas também pode ser do local de acolhida, que vai junto com o eu lírico nessa viagem, apesar da felicidade latente pelo retorno.

Que bom poder tá contigo de novo

De Volta Pro Aconchego é uma composição de Dominguinhos e Nando Cordel e ficou eternizada na voz da cantora Elba Ramalho. Em 1985, a música foi tema do protagonista Roque (José Wilker) da novela Roque Santeiro.


Clica no play pra curtir essa música tão linda!

*Por Lali Souza

*Imagem de destaque: site oficial Elba Ramalho / divulgação.

Mulheres Migrantes: Liz Claiborne

Hoje, falaremos de um grande nome da moda internacional, que venceu barreiras e fundou sua marca numa indústria, até então, dominada por homens: Liz Claiborne.

Anne Elisabeth Jane Claiborne, mais conhecida como Liz Claiborne, nasceu em Bruxelas. Aos 20 anos, em 1949, imigrou para os Estados Unidos. A primeira cidade que recebeu a jovem foi Nova Orleans, mas ela também chegou a viver em Catonsville e, anos mais tarde, fixou residência em Nova Iorque.

Liz estudou Artes e trabalhou para nomes como Tina Leser e Omar Kiam até que, em 1979, fundou a sua própria empresa, que foi batizada de Liz Claiborne, Inc. Além de ser uma atitude à frente de seu tempo – naquela época havia poucas mulheres donas de seus próprios negócios, Liz ainda inovou no tipo de produto. Suas coleções estavam focadas na mulher trabalhadora. As peças tinham um toque elegante e clássico (mas sempre com um toque atual), a preços acessíveis.

Imagem: Liz Claiborne / Divulgação – https://www.lizclaiborne.com/about/

A Liz Claiborne, Inc. ganhou sucesso e notoriedade. Em 1986, a Liz Claiborne, Inc. se tornou a primeira empresa fundada por uma mulher a entrar na lista das 500 maiores da Fortune. A estilista também foi a primeira CEO mulher de uma empresa Fortune 500.

O negócio cresceu e abraçou também o vestuário masculino (sob a marca CLAIBORNE) e também uma linha de acessórios, com bolsas, sapatos, bijuterias e até um perfume.

Claiborne atribuiu seu senso de estilo à sua educação europeia e seu estudo de arte.

Fonte: Imigration to United States – https://immigrationtounitedstates.org/

Além do trabalho como estilista e dos famosos “terninhos” típicos da marca, Liz Claiborne também era conhecida por defender e lutar por mais espaço para a mulher dentro do mercado da moda.

Depois de algumas decisões ruins, o valor de mercado da Liz Claiborne, Inc. caiu muito e o negócio perdeu seu lugar de destaque no universo da moda. Muitas das marcas da empresa foram vendidas a outras companhias.

Liz Claiborne faleceu aos 78 anos no Hospital Presbiteriano de Manhattan, em Nova Iorque, no verão de 2007, vítima de um câncer contra o qual lutava há mais de uma década. A marca e o legado de Liz Claiborne permanecem vivos.

*Por Lali Souza

Fontes:
Liz Claiborne – Site Oficial
20 minutos
Mundo das Marcas
Imigration to United States

Imagem de Destaque: Liz Claiborne fashion designer |© Sara Krulwich/WikiCommons

Giro Pelo Mundo: 6 Dicas do Que Fazer em Madri

Madri é uma cidade encantadora não somente pela arquitetura, mas principalmente pela sua gente. Quando cheguei aqui pela primeira vez, bateu logo aquele “click” que dizia: eu bem que poderia morar aqui. Os anos passaram e, quem diria, cá estou!

Nesse post, quero dividir com vocês alguns dos meus cantinhos preferidos da cidade. Muitos são clichês, mas o que seria da vida sem eles, não é mesmo? Sabemos que o momento não está muito propício a viagens, mas já guarda aí as dicas para quando essa fase difícil passar.

1. Passeio no Parque do Retiro

Parque do Retiro. Imagem: Daniel Salazar por Pixabay

Com certeza, o Parque do Retiro é um dos lugares mais lindos da cidade. Ele é enorme e cheio de atrações de tirar o fôlego. Além de um passeio super agradável, lá você também vai encontrar os Palácios de Cristal e de Velazquez. O lago central e seus jardins também são muito lindos e cercados de bares e restaurantes.

2. Pôr do sol no Templo de Debod

Templo de Debod. Imagem: Flickr / jiuguangw / CC BY-SA 2.0

É, com certeza, a minha vista preferida da cidade. O monumento em si não é nada demais, mas vale muito o passeio para apreciar o pôr do sol incrível. Uma boa dica é levar uma canga para sentar na grama e aproveitar o espetáculo.

3. Domingo na Feira do Rastro

El Rastro. Imagem: OLMO CALVO por elmundo.es

O Rastro é uma feita livre que acontece todos os domingos de manhã no bairro de La Latina. A feira se espalha por várias ruas e há uma variedade enorme de produtos: utensílios para casa, roupas, bijuterias, artigos em couro, prata, além de sebos de livros e artigos vintage. Mas é preciso ter atenção aos bolsos e bolsas, viu? O Rastro costuma ser muito cheio e é comum haver pequenos furtos, principalmente de aparelhos celulares.

4. Noite de Malasaña

Um dos bairros mais badalados de Madri, cheio de bares e discotecas. Não faltam boas opções de onde tomar um drink e provar as famosas tapas.

5. Compras na Gran Vía

Gran Vía. Imagem: donfalcone por Pixabay

A Gran Vía é uma avenida enorme e cheia de prédios com uma arquitetura lindíssima. Concentra um número enorme de lojas e é também onde estão os grandes teatros musicais de Madri. Mesmo que o seu objetivo não seja o de ir às compras, vale muito a pena dar uma volta pela Gran Vía.

6. Visita aos Museus do Prado e Reina Sofia

Um passeio pelos museus do Prado e Reina Sofia também é um programa imperdível para quem gosta de arte. No Museu do Prado você vai encontrar, por exemplo, obras de artistas renomados como Salvador Dalí. No Reina Sofia, um dos astros é o famoso quadro Guernica, de Pablo Picaso.  

Dica bônus: Escapada para Toledo

Imagem: Anne & Saturnino Miranda por Pixabay

Ué, mas Toledo nem é Madri! Verdade. Mas a cidade é tão  linda que vale a pena tirar um dia para ir lá. O centro histórico Toledo está elevado e a vista de seus miradouros é maravilhosa. A cidade está bem pertinho de Madri, a uma hora de ônibus.

E você? Conhece Madri? Qual o seu cantinho preferido da cidade?

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Juan Miguel González por Pixabay.

Canções de Migração: Asa Branca

Asa Branca, de Luiz Gonzaga, é uma canção que retrata uma realidade difícil, em que o eu lírico não vê outra solução que não deixar sua terra e sua gente e partir em busca de uma vida melhor em outro lugar. É um exemplo de um tipo de migração muito comum no Brasil: o êxodo rural.

A música toca pela sinceridade e simplicidade, além de descrever uma situação de grande sofrimento. Num contexto de pobreza e seca, a constatação de que migrar é única solução possível para a sobrevivência.

Que braseiro, que fornaia

Nem um pé de plantação

Por falta d’água perdi meu gado

Morreu de sede meu alazão

O luto está presente em todas as estrofes da canção, seja na tristeza ao se deparar com a realidade, seja dor de deixar para trás sua terra, sua gente e até mesmo um amor.

Inté mesmo a asa branca

Bateu asas do sertão

Entonce eu disse, adeus Rosinha

Guarda contigo meu coração

Assim como muitos migrantes que deixam seu local de origem não por vontade, mas por necessidade, o desejo de voltar pra casa se faz presente na canção. O retorno é amparado na esperança de dias melhores.

Quando o verde dos teus olhos

Se espalhar na plantação

Eu te asseguro não chore não, viu

Que eu voltarei, viu

Meu coração

Luiz Gonzaga viveu o êxodo rural, quando saiu de sua terra natal, a cidade de Exu, no sertão pernambucano. Luiz viveu em Fortaleza, no Ceará, e, depois, no Rio de Janeiro. Gonzagão, como também era chamado, ficou conhecido como o Rei do Baião e levava a cultura sertaneja nas roupas, na música e na sua história.

A música Asa Branca foi um dos primeiros sucessos do artista, lançada em 1947. Até hoje é considerada um dos grandes clássicos da música brasileira.

*Por Lali Souza

Fontes:
e biografia – Luiz Gonzaga
Brasil Escola

Continuidade Indica: filme Casamento Grego

Casamento Grego é um filme independente de comédia lançado em 2002, que trata de uma relação romântica intercultural entre a grega Toula (Nia Vardalos, que também escreveu o longa) e o “não-grego branco anglo-saxão protestante” Ian (John Corbett). O pai de Toula sonha em vê-la casada com um homem também grego. Já imagina que deu ruim, né?

Eu não vou falar muitos detalhes do filme, porque a intenção aqui não é fazer uma crítica nem, muito menos, dar spoiler, mas queria aproveitar o gancho da indicação para refletir um pouquinho sobre as tais relações interculturais que até já foram tema de episódio no nosso podcast (ainda não ouviu? Clica aqui!). No filme, o tema é tratado com muito bom humor, mas na vida real nem sempre é assim.

Ian (John Corbett) e Toula (Nia Vardalos) no filme O Casamento Grego

Os relacionamentos interculturais podem trazer grandes desafios não somente para as partes diretamente envolvidas (o casal), mas também para as suas famílias. Ainda usando como exemplo a história de Toula, a sua família relutou muito em aceitar que ela se casasse com um homem de uma cultura diferente da sua, como se essa atitude significasse um rompimento com a sua gente a sua origem.

Por outro lado, há também as dificuldades entre o par em questão, por terem que lidar no dia a dia com uma pessoa de costumes muito diferentes dos seus. Em Casamento Grego, Ian se viu diante de um grande obstáculo: convencer a família de Toula de que ele era digno de casar-se com ela – mesmo não tendo a mesma nacionalidade – e o de se adaptar aos costumes e aos valores dessa nova cultura.

É preciso muito respeito e cuidado para encontrar o equilíbrio e a harmonia numa relação intercultural. Um bom exercício é entender que o outro é apenas diferente de vocês, o que não significa que essa pessoa está errada. Muitas vezes, as diferenças até ajudam a alimentar o amor e a trazer dinâmica para as relações. Porém, se está muito difícil e você se sente mais triste do que feliz, acenda o sinal vermelho de alerta repense se vale a pena seguir ou não nesse relacionamento. Se precisar de ajuda, já sabe: conta com a gente!

Por fim, Casamento Grego é uma comédia romântica muito leve e divertida, ótima pedida para uma tarde de domingo. O sucesso foi grande tão grande que a história ganhou uma continuação, lançada em 2016: Casamento Grego 2.

Assista e conte pra gente o que achou!

*Por Lali Souza

Fontes:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-45569/
https://pt.wikipedia.org/wiki/My_Big_Fat_Greek_Wedding

Mulheres Migrantes: Anousheh Ansari

O Mulheres Migrantes de hoje é dedicado a Anousheh Ansari. A fama da empresária veio depois de sua ida ao espaço, para uma estada de nove dias a bordo da Estação Espacial Internacional em 2006. Ansari, mesmo não sendo a primeira mulher a sair da atmosfera terrestre, é considerada a primeira mulher a visitar o espaço como turista, já que foi ela mesma quem pagou pela sua passagem para fora do planeta Terra.

Anousheh Ansari nasceu e foi criada no Irã. Por ser um país com estudos limitados para meninas, a sua família a enviou para viver nos Estados Unidos com uma tia, aos 16 anos, para que pudesse seguir seus estudos na área da Ciência. Hoje, Anousheh fala fluentemente inglês e francês, além do seu primeiro idioma, o persa. Ela se formou em eletrônica e engenharia da computação, seguido de um mestrado em engenharia elétrica, ambos na Universidade George Washington. Ela ainda tem um doutorado honorário da International Space University.

Ansari foi naturalizada estadunidense e se tornou uma grande empresária no ramo digital. Para ajudar a impulsionar a comercialização da indústria espacial, Anousheh e sua família patrocinaram o Ansari X Prize, um prêmio em dinheiro de US$ 10 milhões para a primeira organização não governamental a lançar uma espaçonave tripulada reutilizável ao espaço por duas vezes no intervalo de duas semanas.

Imagem: Divulgação

Segundo a sua biografia, Anousheh é membro do Círculo de Visão da Fundação X Prize, bem como de seu Conselho de Curadores. Ela é membro vitalício da Association of Space Explorers e do conselho consultivo do projeto Teacher’s in Space. Ela já recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira e, hoje, dedica-se também a capacitar empreendedores sociais para a promoção de mudanças radicais em todo o mundo.

Olhando para toda a sua história de vida e conquistas, quando perguntada pelo portal Entrepreneur Middle East sobre que conselho daria às meninas e mulheres do oriente médio que têm sonhos tão grandiosos como os dela, disse: “nunca desista, porque o resto você dá um jeito. Se você desistir, nunca vai saber”.

*Por Lali Souza

Imagem de destque: X Prize

FONTES:

http://www.anoushehansari.com/about/

https://www.entrepreneur.com/article/339408

https://pt.wikipedia.org/wiki/Anousheh_Ansari

Que língua é essa? 5 dicas para aprender Espanhol

Aprender a língua local é um dos primeiros desafios que o imigrante encontra no seu país de destino. Acabou de chegar num país hispano falante? Pois pode soltar um suspiro aliviado: esse post é para você.

A professora espanhola Mari Paz separou umas dicas sensacionais, práticas e aplicáveis no dia a dia, que vão te ajudar muito no aprendizado do idioma castelhano.

Pega papel e caneta ou se prepare para os prints! Vamos lá?

1. Mude o idioma de equipamentos e aplicativos para o Espanhol

Essa é uma forma muito eficiente de inserir o novo idioma no seu dia a dia, além de aprender palavras e expressões úteis. O celular e o computador são ótimos para isso, pois você já sabe onde estão as coisas e não vai se confundir. O mesmo vale para o GPS, que pode ser usado mesmo em caminhos que já conhece, assim não vai se perder e ainda aprenderá vocabulário relacionado a receber e dar direções, por exemplo.

2. Escreva a lista de compras em Espanhol

Não precisa nem dizer o quanto essa dica é útil para aprender um vasto vocabulário sobre alimentos, itens de limpeza e tudo o mais que se pode encontrar num supermercado, né? É uma oportunidade não só de aprender e buscar palavras novas, mas também de praticar a escrita.

Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

3. Dedique um tempinho do seu dia para pensar em Espanhol

Essa dica demanda algum nível mínimo do idioma, claro, mas você pode fazer isso com as palavras que conhece. A ideia é: todos os dias, nem que seja por cinco minutos, pare um pouquinho para pensar em Espanhol. Pense, por exemplo, no que você fez naquele dia ou quais são seus planos para o fim de semana. O tema é livre e essa prática ajuda muito (e sem medo de errar). Ah! Se sentir falta de alguma palavra para completar o raciocínio, essa é a deixa para pesquisar e aprender ainda mais.

Pode ser até enquanto toma um sorvete. Boa ideia, hein? | Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

4. Invista tempo em ler e assistir séries, filmes e televisão em Espanhol

Parece óbvio, mas a verdade é que muita gente não dá o devido valor a essa dica. Lendo em espanhol, é possível aprender novas palavras e também se familiarizar com a sua grafia. Ler e escrever são duas habilidades totalmente conectadas.

Já os filmes, séries e programas de TV vão te ajudar muito na compreensão do idioma em sua forma oral. Colocar legendas em espanhol também pode ajudar a identificar aquela palavra que você não entendeu bem ou ainda aprender como se escreve. Anote as palavras e expressões desconhecidas para depois pesquisar o seu significado.

Imagem: Michal Jarmoluk por Pixabay.

5. Evite decorar listas extensas de palavras soltas

Um idioma não é puramente um monte de palavras, é preciso conhecer a forma de usá-las. Uma boa dica para aprender vocabulário é colocar as palavras dentro de um contexto. Pense nelas numa frase ou pequeno diálogo, assim fica muito mais fácil não só aprender a palavra (por conseguir chegar nela através de associações de ideias), mas também saber como e quando utilizá-la.

Esperamos que essas dicas sejam úteis no seu aprendizado. Se você tem mais alguma dica infalível para ajudar no aprendizado do castelhano, compartilha aqui com a gente nos comentários, ok? Até a próxima!

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Cindy Parks por Pixabay.