Que língua é essa? 5 dicas para aprender Espanhol

Aprender a língua local é um dos primeiros desafios que o imigrante encontra no seu país de destino. Acabou de chegar num país hispano falante? Pois pode soltar um suspiro aliviado: esse post é para você.

A professora espanhola Mari Paz separou umas dicas sensacionais, práticas e aplicáveis no dia a dia, que vão te ajudar muito no aprendizado do idioma castelhano.

Pega papel e caneta ou se prepare para os prints! Vamos lá?

1. Mude o idioma de equipamentos e aplicativos para o Espanhol

Essa é uma forma muito eficiente de inserir o novo idioma no seu dia a dia, além de aprender palavras e expressões úteis. O celular e o computador são ótimos para isso, pois você já sabe onde estão as coisas e não vai se confundir. O mesmo vale para o GPS, que pode ser usado mesmo em caminhos que já conhece, assim não vai se perder e ainda aprenderá vocabulário relacionado a receber e dar direções, por exemplo.

2. Escreva a lista de compras em Espanhol

Não precisa nem dizer o quanto essa dica é útil para aprender um vasto vocabulário sobre alimentos, itens de limpeza e tudo o mais que se pode encontrar num supermercado, né? É uma oportunidade não só de aprender e buscar palavras novas, mas também de praticar a escrita.

Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

3. Dedique um tempinho do seu dia para pensar em Espanhol

Essa dica demanda algum nível mínimo do idioma, claro, mas você pode fazer isso com as palavras que conhece. A ideia é: todos os dias, nem que seja por cinco minutos, pare um pouquinho para pensar em Espanhol. Pense, por exemplo, no que você fez naquele dia ou quais são seus planos para o fim de semana. O tema é livre e essa prática ajuda muito (e sem medo de errar). Ah! Se sentir falta de alguma palavra para completar o raciocínio, essa é a deixa para pesquisar e aprender ainda mais.

Pode ser até enquanto toma um sorvete. Boa ideia, hein? | Imagem: Tolu Bamwo por Nappy.

4. Invista tempo em ler e assistir séries, filmes e televisão em Espanhol

Parece óbvio, mas a verdade é que muita gente não dá o devido valor a essa dica. Lendo em espanhol, é possível aprender novas palavras e também se familiarizar com a sua grafia. Ler e escrever são duas habilidades totalmente conectadas.

Já os filmes, séries e programas de TV vão te ajudar muito na compreensão do idioma em sua forma oral. Colocar legendas em espanhol também pode ajudar a identificar aquela palavra que você não entendeu bem ou ainda aprender como se escreve. Anote as palavras e expressões desconhecidas para depois pesquisar o seu significado.

Imagem: Michal Jarmoluk por Pixabay.

5. Evite decorar listas extensas de palavras soltas

Um idioma não é puramente um monte de palavras, é preciso conhecer a forma de usá-las. Uma boa dica para aprender vocabulário é colocar as palavras dentro de um contexto. Pense nelas numa frase ou pequeno diálogo, assim fica muito mais fácil não só aprender a palavra (por conseguir chegar nela através de associações de ideias), mas também saber como e quando utilizá-la.

Esperamos que essas dicas sejam úteis no seu aprendizado. Se você tem mais alguma dica infalível para ajudar no aprendizado do castelhano, compartilha aqui com a gente nos comentários, ok? Até a próxima!

*Por Lali Souza

Imagem de Destaque: Cindy Parks por Pixabay.

Histórias de Migração: Mariana Riccio

Nascida e criada em terras soteropolitanas, apesar de ser bisneta de italiano, minha história de migração começou mesmo com uma pergunta que minha mãe me fez: “filha, por que você não faz um intercambio? ”

Até 2006, nunca havia pensando em sair do país, muito menos de Salvador. Na minha familia até tinha alguns casos de migração, mas eu vivia a vida tranquilamente, tinha questões internas em relação à cidade e a mim mesma, mas não era nada demais.  Adentrei 2007 embarcando para minha primeira viagem internacional e completamente sozinha, fui fazer um interncambio de 6 semanas em Malta.

Posso dizer que foi a partir daí que uma formiguinha me picou e a sensação de “preciso viver mais disso e conhecer mais lugares” nunca mais parou de coçar. Em 2008, me formei em jornalismo e, dois meses depois, embarquei para um novo intercambio, desta vez de um ano, em São Francisco, California. 

Depois que retornei ao Brasil, fiquei pingando de emprego em emprego, de cidade em cidade. Cheguei em Salvador, depois morei em São Paulo, passei um período no Rio procurando emprego, voltei pra Salvador, fiz campanha política no interior da Bahia.

Quando arranjei um emprego fixo, entrei em um ritmo de vida mais estável na minha cidade natal. Mas sabe aquela coceirinha? Continuava ali.  Comecei a pesquisar sobre migrar para a Califórnia, já que tinha feito grandes amigos por lá e conhecia bem o local. Depois, cheguei a estudar francês pensando em migrar para o Canadá. Enfim, pesquisava aqui e acolá, mas nada se concretizava.

E foi num show do Maroon 5, em março de 2016, que minha melhor amiga me disse que estava pensando em migrar para Portugal através dos estudos (confira o relato dela aqui). Quando ela acabou de falar qual era a sua ideia, eu disse sem dúvida alguma: “também vou”.

Neste mês de setembro, completo 4 anos em Portugal. Honestamente, posso dizer que tem sido uma relação agridoce. Aqui conheci pessoas muito especiais, ganhei o título de mestre pela Universidade do Porto, aprendi mais sobre pertencer, sobre como é díficil criar laços depois dos 30, passei o pão que o diabo amassou para consegui um emprego, bati de frente com as burocracias da migração e do dia-a-dia, ouvi muito “não sei como é no Brasil, mas aqui…”.

Mas também foi aqui, bem no inicio da minha aventura em terras lusitanas, que conheci um português muito tímido e gentil, que entrou na minha vida e fez tudo ficar mais leve e fácil. Hoje somos casados e estamos prestes a receber o nosso primeiro filho.

Eu sou Mariana Riccio e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?


*Por Mariana Riccio

Canções de Migração: Encontros e Despedidas

A migração é uma estrada de muitas vias. Quando nos debruçamos sobre o tema, nos deparamos com questões que vão além de “quem vai”. É preciso pensar “porque vai”, “como vai”, “quando vai”. Isso tudo sem falar de quem fica.

É sobre essa pluralidade toda que envolve o processo migratório que vamos refletir hoje, usando como base uma livre interpretação da música Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

“Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai, quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir”

Quando migramos, deixamos muito para trás, mas também vamos ao encontro do que é novo. O mesmo ato de ir é também o de chegar. A despedida depende do ponto de vista, porque, como diz a própria música:

“São só dois lados

Da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem

Da partida”

A música é o retrato de uma estação e dos diferentes olhares inseridos nesse contexto de chegadas e partidas: “tem gente que vem e quer voltar. Tem gente que vai e quer ficar. Tem gente que veio só olhar. Tem gente a sorrir e a chorar”. São as tantas motivações que nos levam a ir e a voltar, seja de forma voluntária ou não.

A migração faz parte do ser humano, é inerente à nossa história. Somos seres migrantes e é por isso que Encontros e Despedidas traça, por fim, um paralelo entre a estação e a própria vida.

“A hora do encontro

É também, despedida

A plataforma dessa estação

É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar

É a vida”

Encontros e Despedidas deu nome ao disco de Milton Nascimento lançado em 1985 e foi mais um grande sucesso da carreira do artista. Mais tarde, em 2003, a cantora Maria Rita gravou a sua interpretação, que virou tema de abertura da novela Senhora do Destino, da Rede Globo.

E tem mais: Encontros e Despedidas ganhou uma versão sueca! Em 2014, o cantor Johan Christher Schütz, gravou uma versão da canção, intitulada “Möten och avsked”.

Agora vem a parte mais legal…ouvir essa música tão linda!

*Por Lali Souza                                         

Imagem de Destaque: Milton Nascimento e Fernando Brant em 1980,  por Arquivo Estado de Minas Gerais.

Fontes:
Wikipedia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Encontros_e_Despedidas
Catraca Livre – https://catracalivre.com.br/agenda/maria-rita-live-show-online/
Estado de Minas Gerais – https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/06/13/interna_gerais,657792/letras-de-brant-encontraram-na-voz-de-milton-nascimento-o-casamento-pe.shtml

Mulheres Migrantes: Isabel Allende

A escritora Isabel Allende é filha de pais chilenos, mas nasceu no Peru, em 1942. Durante a infância, migrou com sua família para diferentes países por conta do trabalho do seu pai, que era diplomata. No entanto, foi a ditadura de Pinochet, no Chile, que obrigou Isabel a se afastar do seu país, imigrando de forma involuntária para a Venezuela.

Mas as migrações de Isabel não pararam por aí. A escritora premiada também chegou a morar em países da Europa e, depois de mais de uma década vivendo no Estados Unidos, em 1993, recebeu o título de cidadã norte-americana.

Considerada uma revelação da literatura latino-americana na década de 1990, a obra de Isabel Allende é muito marcada, justamente, pela ditadura no Chile. O regime foi implantado a partir do golpe militar que derrubou o governo do presidente Salvador Allende, primo-irmão do pai de Isabel. A carreira de Isabel consagra uma lista vasta de obras, entre peças de teatro, contos e romances – o mais recente é Longa Pétala de Mar (Largo Pétalo de Mar), lançado em 2019.

Imagem: Lori Barra / Divulgação

Em 1995, a escritora criou a Fundação Isabel Allende (Isabel Allende Foundation) com o objetivo de incentivar o empoderamento feminino ao redor do mundo. A Fundação nasceu em homenagem à memória de Paula, filha de Isabel, que morreu prematuramente aos 29 anos, mas dedicou uma parte de sua vida a trabalhos voluntários. Isabel queria continuar o trabalho iniciado pela filha.

“Investimos no poder das mulheres e das meninas para garantir seus direitos reprodutivos, sua independência econômica e proteção contra a violência”.

Isabel Allende

A Kind (Kids in Need of Defense)  é a principal organização beneficiada pela Fundação Isabel Allende. A Kind trabalha dando suporte legal para imigrantes não acompanhados ou crianças refugiadas nos Estados Unidos, oferecendo serviço gratuito de advogados que cuidam dos seus processos, garantindo que recebam o tratamento justo e todos os cuidados necessários, além de auxiliar na reintegração desses menores nas suas comunidades (em caso de deportação/repatriação). A Kind ainda atua ativamente na luta por mudanças nas leis de imigração estadunidenses, em busca de mais direitos e segurança, principalmente para as crianças.

Isabel Allende defende a importância de cuidar do outro além de si e milita pela força e autonomia das mulheres. Segundo ela, só foi possível chegar onde chegou porque teve acesso a educação, controle sobre a própria fertilidade e independência econômica.

Em sua biografia, Isabel divide um pouco de seu desejo de mudar o mundo e ajudar as pessoas: “eu olho para a minha vida e me sinto satisfeita porque houve poucos dias em que eu não tenha, pelo menos, tentado fazer a diferença”.  Obrigada, Isabel!

*Por Lali Souza

Fontes:

Diário de Noticias – https://www.dn.pt/artes/isabel-allende-75-anos-a-saudacao-feliz-ao-inverno-8678534.html

Wikipedia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_Allende#cite_note-dn17-1

Fundação Isabel Allende – https://isabelallende.org/es/mission

Isabel Allende (Site Oficial) – https://www.isabelallende.com/en/bio

Kind – https://supportkind.org/

Imagem de destaque: Lori Barra / Divulgação

Histórias de Migração: Paula Clemente

Desde pequena, algo sempre me dizia que Salvador, onde nasci, não seria onde eu iria morar para sempre.

Talvez isso fosse relacionado, ainda que de uma forma subconsciente, ao fato de correrem nas minhas veias o sangue espanhol. A ditadura de Franco fez com que meu pai saísse de sua cidade natal, Alicante, na Espanha, e fosse se aventurar em terras brasileiras nos anos 70. Ele gostou do clima tropical da Bahia e por ali decidiu ficar. Lá, conheceu minha mãe, que é baiana, e eu nasci dessa união.

A minha vontade de desbravar o mundo também pode se dever ao meu fascínio pela língua inglesa, idioma que sempre tive muita facilidade e gosto por aprender. Comecei a estudar english com 10 anos de idade e era a “nerd” da sala, não nego!

Na verdade, acho que uma soma de diversos fatores contribuiu com essa vontade latente e constante de ir “pra fora”. Por exemplo, gostar Geografia e História; amar aprender sobre diferentes culturas; querer trabalhar na ONU – algo que, diga-se de passagem, não se concretizou (mas quem sabe um dia, né?).  Enfim, só sei que o fato de não me sentir “encaixada” na minha cidade natal alimentava esse desejo profundo de conhecer outras terras.

Quando novinha, costumava passar férias na Espanha, onde tenho família por parte de meu pai, e mais tarde, embarquei para um intercâmbio de 6 meses no Canadá. Foi aí que a minha vida deu um giro de 180º.

Eu escolhi a cidade de Toronto justamente por seu caráter anglo-saxão, mas também por seu grande número de imigrantes. Eu sentia que poderia vivenciar uma experiência realmente internacional, em todos os sentidos, e acabaria conhecendo muitas pessoas interessantes por lá. Isso de fato aconteceu, pois foi onde conheci o meu marido!

Marido este que, por sinal, não era canadense, mas sim inglês! Quando nos conhecemos, lembro que tinha dificuldade de entender seu sotaque, que é naturalmente e “britanicamente” mais fechado, e cheguei a questionar se meu nível de inglês, mesmo após tantos anos de dedicação e estudos, era tão bom quanto eu imaginava! Com o tempo, o incidente do sotaque (ou “accent gate”) foi se resolvendo e eu fui me acostumando também com o senso de humor dele, bem diferente do nosso.

Meu intercâmbio acabou e eu tive que retornar ao Brasil. Precisava concluir a faculdade e continuar o meu estagio em Salvador. Mas o sonho de imigrar persistiu e isto, somado ao fato de que agora me encontrava oficialmente em um relacionamento a distancia, fez com que eu decidisse fazer faculdade fora. Por diversas razões, decidi finalizar meus estudos na Espanha, terra de meu pai e que, desde pequenina, me chamava.

Em Alicante, tornei-me “Licenciada en Publicidad & Relaciones Publicas”. Logo após me formar, engatei um Masters of Science na University of Bristol, na Inglaterra, podendo, finalmente, residir no mesmo país que o meu então namorado (atual marido).

Hoje, sigo morando na Inglaterra, mas no condado de Berkshire. Continuo casada com aquele inglês irreverente que conheci no Canadá e sou mãe de um menino de 4 anos.

Eu sou Paula Clemente e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

Canções de Migração: Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos

A música nos inspira e nos faz viajar pelo tempo. Músicas especiais despertam emoções e são capazes de nos fazer reviver lugares e momentos guardados na memória. No “Canções de Migração” de hoje, vamos falar de uma belíssima composição de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que traz muita história junto com ela: Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos.

Essa canção foi composta em 1971, quando o Brasil enfrentava a Ditadura Militar. A música é uma homenagem ao cantor e compositor Caetano Veloso, que foi exilado do país e emigrou para Londres, na Inglaterra.

Caetano e Roberto Carlos. Imagem: Divulgação.

Na canção, Roberto e Erasmo fazem uma projeção do que seria o retorno de Caetano à sua terra natal e, com emoção, descrevem o momento em que o artista pisaria novamente nas areias das praias brasileiras.

“Um dia a areia branca

Seus pés irão tocar

E vai molhar seus cabelos

A água azul do mar”

A música toca, principalmente, por se tratar de uma migração involuntária, já que Caetano deixou o Brasil como exilado, vítima de uma perseguição política que colocava sua vida em risco. A música não apenas fala da alegria de Caetano ao chegar, mas também da felicidade com que a sua terra o receberia, retratando uma saudade recíproca, como se o Brasil também sentisse a sua falta.

“Janelas e portas vão se abrir

Pra ver você chegar

E ao se sentir em casa

Sorrindo vai chorar”

Caetano é retratado na canção através de uma característica marcante de sua juventude: os cabelos cacheados. Apesar de reconhecer que a migração traz aprendizados e muitas histórias também felizes, a música trata claramente de um processo de luto migratório, fruto da migração involuntária, e da vontade constante de voltar para casa.

“Você olha tudo e nada

Lhe faz ficar contente

Você só deseja agora

Voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Uma história pra contar

De um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Um soluço e a vontade

De ficar mais um instante”

Anos mais tarde, em 1992, o próprio Caetano Veloso gravou a música “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos” no disco do show Circuladô Vivo. É emocionante ouvi-la na voz de Caetano. Sugiro pegar um lencinho antes de apertar o play!

*Por Lali Souza

Fontes:
Centro América FM
Wikipedia
Nova Brasil FM
Discos do Brasil

As Fases da Migração

No Continuidade Podcast falamos muito sobre como o processo de migração é composto por algumas fases comuns à maioria das pessoas. Decidimos revisitar e registrar aqui também as nossas reflexões sobre quais são essas fases e como elas influenciam na adaptação dos imigrantes no país de acolhida.

A primeira fase está ligada aos emaranhados psicológicos que vivemos ao chegar no novo país e tudo o que envolve o início dessa adaptação. Nesta fase, revisitamos o nosso sentimento de identidade, lidamos com as perdas e com o luto que elas trazem.

Somos fruto de nossa história de vida e cada um de nós tem a sua bagagem cultural. Ao mudar de país, muitas vezes nos deparamos com uma cultura totalmente diferente da nossa, o que pode levar algum tempo até nos acostumarmos. É neste processo que enfrentamos dificuldades relacionadas ao nosso sentimento de identidade, afinal é preciso compreender os hábitos locais e estabelecer uma relação com eles.

Adaptar-se não significa negar suas origens, mas aprender a conviver com a cultura local. Quando nos sentimos bem onde vivemos, estabelecemos relações mais saudáveis não somente com o lugar em si, mas também com as pessoas que nos cercam.

A migração é uma despedida e as perdas são inerentes a ela. Perdemos, por exemplo, o convívio com os amigos e a família que ficaram no país de origem, os lugares onde costumávamos ir, as comidas, as festividades e, com o tempo, até mesmo as nossas referências e alguns vínculos.

É preciso estar alerta para as consequências que essas perdas podem causar à nossa psique, como a tendência de responsabilizar os outros, a culpa e a negação da dor. É importante reconhecer que a dor existe para entender como lidar com ela. Estabelecer novos vínculos afetivos com pessoas e com o lugar de acolhida pode ajudar muito no enfrentamento dessas dores. Aprender o idioma local também auxilia na construção da sensação de pertencimento.

Ao enfrentar essas perdas, entramos na fase de processamento dos lutos migratórios. Nesta fase, é comum que haja uma desorganização da nossa psique, que se reflete numa necessidade urgente de reaver o que deixamos para trás. Podemos incorrer numa romantização do nosso passado, do lugar de origem, e, até mesmo, passar a negar o país de acolhida.

Mas como saber se estamos passando por uma fase de luto? O desligamento emocional das pessoas à sua volta, passar a enxergar apenas o lado ruim da nova vida, estabelecer grandes barreiras entre si e o novo são sinais claros dessa fase. Se você se encontra nesse momento, não tenha medo de vivê-lo. Passar pelo luto faz parte do processo de recuperar o sentimento de continuidade da própria vida.[INSERIR IMAGEM INTEGRATION]

Aproveite esse período mais reflexivo para encontrar estratégias de como se sentir melhor. Buscar abrigo emocional com pessoas que passaram (ou estão passando) pelo mesmo processo que você costuma ser uma ótima ideia.

Processar o luto é fundamental para atingir a multiculturalidade. Aqui, usamos este termo para tratar da fase em que já estamos bem no nosso novo lar. É quando, finalmente, nos sentimos em casa e conseguimos estabelecer uma relação equilibrada entre o passado e o presente.

Uma coisa muito importante é saber que essas fases não seguem uma linha reta. O processo migratório é muito complexo e podemos, ao longo da vida, entrar e sair dessas fases várias vezes. Entender as diferentes fases da migração e saber reconhecer o lugar onde estamos nos ajuda a olhar com clareza a realidade à nossa volta e a traçar as estratégias necessárias para seguir adiante, em busca de uma vida mais feliz.

E nem precisamos dizer que você pode contar com a gente nessa sua jornada, né? Se você tem alguma dúvida ou apenas gostaria de compartilhar o seu momento, a sua história, manda uma mensagem para a gente e faremos o possível para te ajudar. Estamos juntos!

*Por Lali Souza

Imagens: Gerd Altmann por Pixabay.

Mulheres Migrantes: Natalie Portman

Você, provavelmente já ouviu falar de Natalie Portman, atriz renomada, vencedora de um Oscar, um BAFTA, dois Prêmios Globo de Ouro e um Screen Actors Guild. Hoje, vamos contar um pouco sobre a sua história de vida, de luta e, é claro, de migração.

Natalie tem dupla nacionalidade. Ela nasceu na cidade de Jerusalém, em Israel, e é a filha única de seus pais: um israelita e uma estadunidense. A sua família foi viver nos Estados Unidos quando Natalie era ainda pequena, com apenas 3 anos. Além dos dois primeiros idiomas, o hebraico e o inglês, a atriz também fala fluentemente francês, espanhol, alemão e, pasmem: japonês.

A carreira como atriz começou aos 12, com o filme León. De lá para cá, ela apresenta um currículo vasto, fazendo parte do elenco de grandes produções audiovisuais, como Stars Wars (Episódios I, II e III), V de Vingança, Cisne Negro e muito mais. Como se tudo isso já não fosse o bastante, Natalie ainda é formada Psicologia pela Universidade de Harvard e também estudou antropologia da violência na Universidade Hebraica em Jerusalém.

Tá achando pouco? Tem mais!

Em 2018, Natalie Portman foi uma das celebridades que se posicionaram firmemente contra a separação de crianças migrantes de seus pais refugiados nos Estados Unidos. A atriz é bastante ativa na luta pelos direitos de crianças refugiadas permanecerem junto às suas famílias e apoia o movimento “Families Belong Together”.

Mas é na causa feminista que Natalie mais se destaca. A atriz, ativista contra a violência de gênero e pelos direitos das mulheres, é uma das fundadoras do movimento Times’s Up, que busca combater a desigualdade e apoiar o trabalho justo, seguro e digno para mulheres.

Imagem: Instagram de Natalie Portman

Há poucos dias, Natalie ganhou novamente os holofotes da imprensa mundial. Desta vez, em parceria com outras celebridades do cinema, como Eva Longoria, America Ferrera, Jennifer Garner e Jessica Chastain, Portman tornou-se uma das principais proprietárias do time de futebol feminino Angel City (nome provisório), que jogará pela cidade de Los Angeles (Califórnia, Estados Unidos). Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, a atriz diz que “acredita que é muito importante ter modelos a seguir e heróis que sejam mulheres, tanto para meninos como para meninas”.

Se a gente já admirava Natalie Portman por suas incríveis atuações no cinema, agora somos ainda mais fãs pelo trabalho que ela realiza na vida real.

*Por Lali Souza

Fontes:

Adoro Cinema

Wikipedia

Guia do Estudante

UnoTV

Families Belong Together

We.org

El País

Do Chimarrão ao Tucupi

O Brasil é enorme e plural. De norte a sul, segundo o Censo 2020 do IBGE, o nosso país possui mais de 211 milhões de habitantes vivendo em 5.570 municípios. Pouca coisa, né? Diante dessa enorme quantidade de pessoas e considerando a nossa história, marcada pela influência de diversos povos do mundo, como definir uma única cultura brasileira?

O idioma nos une, não podemos negar. Somos um país continental onde há somente uma língua oficial, o português. Mas os regionalismos são tão presentes na linguagem que é quase como se falássemos vários “portugueses” diferentes. Os diversos sotaques trazem uma riqueza cultural imensurável para o idioma que herdamos dos nossos antepassados europeus.

Quando vivemos no Brasil, nossa identidade cultural está muito ligada à região onde nascemos e/ou crescemos. Além do sotaque, o nosso vocabulário, os costumes, as crenças e até as comidas do dia a dia podem ser completamente diferentes se você, por exemplo, é de Manaus ou de Florianópolis.

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Tangerina, Mexirica, Bergamota? Como é o nome desta fruta na sua cidade?

Quando saímos do Brasil, isso muda um pouco de figura. A gente se depara com a visão do povo local, que não sabe da nossa missa a metade, e nos coloca a todos num único potinho: brasileiros. E não é só isso, a gente também acaba se identificando através da nação de onde viemos e nos unimos a nossos compatriotas vindos de tudo quanto é canto do Brasil.

Os perfis regionais já não fazem mais sentido e passamos a ser todos enquadrados dentro do mesmo estereótipo. Falando nisso, temos um episódio que fala um pouco sobre esse tema, dentro do triste contexto da xenofobia. Vale a pena escutar! É o episódio 18 da primeira temporada, clica aqui pra ouvir.

E você? Como vocês se sente vivendo no exterior? Como você lida com essas questões ligadas à sua identidade cultural? Conta para a gente aqui nos comentários!

*Por Lali Souza

Fonte:

Censo 2020 IBGE: https://censo2020.ibge.gov.br/sobre/numeros-do-censo.html

Que língua é essa? Diferenças entre o Português Brasileiro e o Europeu

Quando pensamos no que Brasil e Portugal têm em comum, aposto: o primeiro que vem à sua mente é o idioma. Sim, ambos os países são falantes de língua portuguesa. Porém, existem algumas diferenças entre um e outro, e a gente vai te contar algumas delas neste post.

Começamos pelo sotaque em si, que é mesmo muito diferente do que estamos habituados. Quando os portugueses falam rápido ou baixinho demais, é comum termos um pouco de dificuldade para entendê-los. Além disso, algumas coisas têm nomes completamente diferentes dos que conhecemos e, é claro, isso pode render algumas confusões e até boas risadas!

Segue uma breve listinha de algumas diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Esperamos que seja útil para quem precisa e divertido para tem curiosidade!

Presunto? Não! Fiambre.

Em Portugal presunto é aquele cru, que chamamos de Parma.

Isso é Lima. Limão é o verdinho!

Falando em fruta, sabe o caqui? Em Portugal, é Dióspiro.

Uma de nossas palavras preferidas: Esferovite.

Esquece “isopor”. Ninguém conhece.

Para juntar as folhas de papel,  usa-se um Agrafador.

Dentro dele tem o quê? Agrafos.

Nossa baianidade se encheu de alegria quando conhecemos o primo português do nosso porreta: PORREIRO! O significado é o mesmo.

Imagem inspirada do filme Pulp Fiction.

Quando algo/alguém é muito bonito, podemos dizer que é GIRO/GIRA.

Taí um exemplo de mulher gira! hahahahaha. Não podia perder essa piada!

E quando uma coisa é muito legal? É FIXE!

Tipo o Continuidade, sabe?

Quem nasce no Canadá é CANADIANO/CANADIANA.

Alanis Morissette é uma RAPARIGA (mulher) canadiana.

O cafezinho, a gente bebe na CHÁVENA.

Quando for a Portugal, cuidado para não se atrapalhar no transporte público! Se ligue:

Ônibus é AUTOCARRO.
Trem é COMBOIO.
Metrô é METRO.

Lembra de mais alguma diferença entre o português do Brasil e o de Portugal? Comenta aqui! 

*Por Lali Souza