10 perguntas para reavaliar seu ano e seguir em frente

Escrevi esse texto no início de 2019, quando nem sonhava com as reviravoltas e os desafios que 2020 traria! E ele segue tão atual que resolvi compartilhá-lo por aqui também. Espero que essas dicas sejam úteis para o seu ano novo. Boa leitura!

Mais um ano vem aí e promete ser conturbado. Todo ano faço questão de fazer meus rituais para alimentar em mim mesma a motivação de encarar os novos 365 dias como um ciclo cheio de oportunidades de crescimento. Ao longo dos anos, desenvolvi (tanto sozinha como com um grupo de amigas) uma série de exercícios para o final e início de ano que me ajudam a me manter focada durante o ano inteiro. Este ano resolvi primeiro fazer um balanço do que passou para melhor conseguir seguir em frente. Já vinha pensando nisso há um tempinho, quando um podcast me ofereceu uma ferramenta espetacular para realizar essa reflexão.

Imagem: Pixabay

O podcast Happy, Holy and Confident, que, apesar do nome em inglês, é em alemão, trata de temas relacionados à espiritualidade, equilíbrio emocional e desenvolvimento pessoal. Sua criadora, a coach Laura Malina Seiler, conta que uma amiga lhe ensinou este ritual que ela sempre realiza no dia de seu aniversário. Ele consiste em 10 perguntas que o membro mais velho da família faz ao aniversariante, que, por sua vez, tenta responder da forma mais sincera possível.

Eu achei a ideia fantástica, por isso fiz umas pequenas adaptações e agora acho que ele pode ser aplicado ao início de qualquer novo ciclo para relembrar e refletir sobre o que passou e determinar novos objetivos. Sendo assim, aqui estão 10 perguntas que podem nos ajudar a fazer uma avaliação pessoal de nosso 2020 e nos ajudar a ter clareza de para onde devemos dirigir nossa atenção em 2021. Eu sugiro que você pegue papel e caneta e anote suas respostas. Assim sempre poderá voltar a elas quando sentir que está perdendo o foco à medida que o ano for avançando.

Imagem: Pixabay

10 Perguntas para avaliar 2020 e achar sua direção para 2021

1. Quais foram minhas constatações mais importantes no ano que passou?
2. Pelo que eu posso agradecer?
3. Do que eu posso me orgulhar? 
4. Quais foram minhas decisões mais importantes?
5. Como foi meu relacionamento comigo e com as pessoas?
6. O que eu faria diferente se pudesse?
7. O que eu desejo para o novo ano?
8. Para o que eu quero contribuir este ano?
9. Para que eu gostaria de ter mais tempo?
10. O que eu gostaria de aprender?

Respire fundo e reserve tempo para responder com calma. Se for difícil, responda uma pergunta por dia para que você não se sinta sobrecarregada ou sobrecarregado com tanta reflexão de uma só vez. Se, com o passar do tempo, você se lembrar de mais coisas que não lhe ocorreram no início, não faz mal, simplesmente adicione o que lembrou à sua resposta. Você não precisa mostrar isso a ninguém já que se trata de um guia pessoal para começar o ano com o foco em seu próprio desenvolvimento. Encare suas respostas como um diálogo íntimo com você mesma ou com você mesmo e divirta-se com isso. 

Eu adoro rituais de fim de ano e de ano novo. Vocês tem algum? Como é? Me contem aí?

Pra quem entende alemão, aqui vai o podcast de Laura Malina Seiler. É uma injeção de ânimo e inspiração: https://lauraseiler.com/

*Por Cris Oliveira

*Este texto foi revisado por Marina Hatty e adaptado para 2020/2021 por Lali Souza.

*Imagem de destaque:  Free-Photos por Pixabay

Pessoas Migrantes: Antoni Porowski

Antoni Porowski é um dos protagonistas da série-reality da Netflix Queer Eye. Essa série vai fazer você sorrir e se emocionar com os cinco hilários e queridíssimos Karamo, Bobby, Johnathan, Tan e Antoni. Os cinco têm a missão de passar uma semana acompanhando uma pessoa (previamente indicada por algum/a amigo/a, familiar ou outra pessoa próxima) e ajudando-a em um processo de transformação.

Durante esse tempo, os Fab Five, como eles mesmo se identificam, ajudam a pessoa indicada a entrar num processo de autoconhecimento, lhe dão um banho de loja, fazem uma mudança no visual com corte de cabelo e os escambáu, reformam sua casa e lhe dão dicas de como se alimentar melhor e preparar um jantar bacana para a pessoa que o/a indicou. É nessa parte que Antoni Porowski, nossa pessoa migrante da vez, mostra seu talento.

Antoni, o especialista em culinária e vinhos da série, tem pais migrantes, assim como ele também é. Sua mãe polonesa e seu pai belga migraram para o Canadá antes de seu nascimento. Com isso, ele acabou sendo o primeiro da sua família a nascer e crescer fora da Europa. Nascido no Canadá em 1984, ele cresceu falando inglês, francês e polonês em casa. Essas habilidades linguísticas, que hoje em dia geralmente seriam vistas com admiração, foram motivo para estranhamento na escola quando ele se mudou com a família para os Estados Unidos. Isso foi o que ele descobriu quando estava no sétimo ano na escola e sua família resolveu migrar da cosmopolita cidade de Montreal, no Canadá, para uma cidade pequena da conservadora West-Virginia, nos Estados Unidos.

Antoni Porowski / Imagem: Instagram

Antoni conta que suas habilidades linguísticas eram vistas com estranheza pelos colegas de escola e até pela professora, que sempre perguntava porque que ele não podia simplesmente falar apenas inglês como os demais adolescentes. Essa não era a única diferença que seus colegas de escola não toleravam. Eles também faziam muitas piadas xenofóbicas e basicamente não tinham tolerância para as diferenças culturais que eles detectavam nos comportamentos e hábitos de Antoni. Até os lanches que ele levava para a escola eram motivo de piadas e comentários preconceituosos. Em uma entrevista, ele contou que a imagem que as pessoas daquele estado e naquela época tinham sobre imigrantes era realmente muito limitada. Para eles, ser imigrante significava automaticamente ser um refugiado fugindo de calamidades, guerras ou pobreza. Era como se não houvesse outra possibilidade.

Essa falta de compreensão e o sentimento de não pertencimento causados por ser constantemente excluído por causa de sua origem fez com que Antoni vivesse uma grande crise com sua identidade cultural. Por muito tempo ele desejou ter um nome diferente, mais americano, como Porter ou Portman. Quando ele estava começando a se aventurar na carreira de ator, chegou a considerar seriamente trocar de nome. Ele revela que fazer parte dos Fab Five do programa Queer Eye também o ajudou a se sentir mais tranquilo com sua identidade cultural. Hoje em dia, ser um homem com um sobrenome polonês, com sexualidade fluída e em um relacionamento homossexual, faz com que ele receba milhares de mensagens de jovens gays poloneses agradecendo pela visibilidade que o status de celebridade dele ajuda a dar à causa na Polônia, país onde a homossexualidade ainda é um enorme tabu.

Hoje em dia, Antoni celebra a mistura de culturas que compõem a sua identidade e sempre as mostra e tematiza com muito orgulho em entrevistas e episódios de Queer Eye.

*Por Cris Oliveira

Imagem de destaque: Paul Brissman / The Times

Fonte: https://www.thelist.com/134951/the-untold-truth-of-antoni-porowski/

Giro Pelo Mundo: dicas imperdíveis para curtir Salvador

Salvador é uma cidade muito especial para o Continuidade. É a terra natal das nossas hosts Cris e Flora e é também de onde eu, Lali, venho. Por isso, esse giro pelo mundo está mais do que nostálgico! É com uma alegria enorme que apresentamos para vocês alguns dos nossos lugares preferidos da cidade. Simbora!

Porto da Barra

Praia do Porto da Barra / Imagem: Yuri Araujo por Pixabay

É uma das praias mais agradáveis da cidade, conhecida por um mar de água calma (como uma piscina) e quentinha. O Porto é tão bacana que dá pra chegar de manhã e passar o dia todo curtindo. O pôr do sol é um espetáculo à parte!

O Porto da Barra fica bem pertinho de um dos pontos turístico mais famosos de Salvador: o Farol da Barra. Dá pra ir andando pelo calçadão. É bem rapidinho!

Farol da Barra / Imagem: DEZALB por Pixabay

Largo de Santana – “Dinha”

O Rio Vermelho é considerado o bairro mais boêmio da cidade. Um dos pontos mais famosos é o Largo de Santana, também conhecido como “Dinha” em homenagem à baiana de acarajé que por anos montou ali o seu tabuleiro. Dinha, infelizmentente, já não está mais entre nós, mas suas filhas seguem mantendo o negócio e tradição da família. O Largo de Santana tem vários bares e é um ótimo lugar para sentar, beber uma cerveja e, é claro, saborear um dos acarajés mais famosos da Bahia.

Pelourinho

Pelourinho / Imagem: soel84 por Pixabay

O centro histórico de Salvador é considerado Patrimônio Imaterial da Humanidade e não é por acaso. O Pelourinho faz parte dele e carrega em si muita história. É um símbolo de Salvador, um lugar rico em vibração, cores, gente e cultura. Vale a pena passear pelas ruas e conhecer os artistas e artesão locais. Além do mais, o Pelourinho tem uma programação artística e musical bem agitada. Quando for a Salvador, procure saber!

Ah! E tem mais. É no Pelourinho que está a Igreja e o Convento de São Francisco. Marcada pelo estilo barroco, é uma coisa linda de ver.

Mercado Modelo

Mercado Modelo visto da Cidade Alta / Imagem: masteroblima por Pixabay

Outro cartão postal da cidade e que vale dar uma passadinha é o Mercado Modelo. É o paraíso do souvenir, então, vai com calma pra não deixar todo o seu dinheiro lá. Ele fica na Cidade Baixa e tem um montão de lojas de artesanato para você fazer a festa!

Sorvete na Cubana

Quando sair do Mercado Modelo, aproveite para subir o Elevador Lacerda e passar numa das sorveterias mais tradicionais da cidade: A Cubana. Ela fica bem na porta do elevador, já na Cidade Alta e, além de um sorvete delicioso, tem uma vista de tirar o fôlego!

Sorveteria Ribeira

Sorveteria da Ribeira / Imagem: Tripadvisor

Por falar em sorvete, pega essa dica que é muito boa! A Ribeira é um bairro que fica na Península de Itapagipe, na Cidade Baixa e é onde está outra sorveteria muito famosa da nossa cidade, fundada em 1931: a Sorteveria da Ribeira. São quase 100 opções de sabores, mas os de fruta dão um show à parte. Certeza que você não vai se arrepender de provar.

Dica de amiga: se você gosta de um doce bem doce, prove o Coco Espumante. É tipo um milkshake feito com sorvete de coco e muito, mas MUITO leite em pó. É maravilhoso!

Ilha de maré

A ilha fica na Bahia de Todos os Santos, mas pertence a Salvador. É um ótimo destino para curtir o dia nas suas praias lindíssimas.

A Bahia é linda e Salvador é uma cidade cheia de lugares incríveis. Porém, com certeza, o seu melhor cartão postal ainda é a sua gente. É clichê, mas é verdade: o soteropolitano é massa e a gente pode provar.

Sentiu falta de algum lugar incrível de Salvador nesse post? Conte pra a gente aqui nos comentários!

*Este texto é uma construção coletiva de Lali Souza, Cris Oliveira e Flora Regis Campe.

Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Mar%C3%A9

Imagem de destaque: ferreiracleber por Pixabay.

Histórias de Migração: Daniel Castelani

Olá. Meu nome é Daniel Castelani. Sou brasileiro, nascido em Campinas, interior de São Paulo, e editor deste podcast. E não, não é uma “carteirada” eu dizer logo de cara que edito o Continuidade. Na verdade, isto é importante pra caramba, pois foi tendo o privilégio de ouvir todos os episódios em primeiríssima mão que me dei conta do quão migrante sou e de quantas fases eu já vivi e revivi sem nem sentir. Mas deixe-me contar um pouco sobre minha história de migração.

Como disse lá em cima, sou natural de Campinas, onde vivi os primeiros 6 anos de minha vida. Meu pai recebeu, em 1982, uma oferta de emprego em Salvador, na Bahia, sua terra natal, e a família toda se mudou para terras soteropolitanas: eu, minha irmã de 3 para 4 anos, minha mãe, uma paulista de Valinhos, e meu pai, o baiano expatriado que já era mais paulista que nada.

Cresci em Salvador, onde cultivei amizades, aprendi a ser gente e recebi toda sorte de contribuições culturais, mas, no fundo, sempre me senti um “outsider”. Em casa, éramos paulistas e essa dicotomia sempre me acompanhou.

Fui pai muito cedo, aos 18 anos. Minha namorada, a Fran, também tinha um histórico de migração em sua família. Filha de pai gaúcho e mãe do interior da Bahia, foi levada para morar, com apenas dois aninhos, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Voltou com 6 anos para Salvador e acredito que sofreu da mesma dificuldade que eu: uma sensação de não pertencimento.

Após 3 anos de casados, resolvi fazer o caminho inverso de meu pai e voltar para Campinas. Fomos eu, Fran e Bia, minha filha que, com 3 anos, saía de sua terra natal para viver na minha (incrível como repetimos padrões de nossos pais mesmo que de forma inconsciente).

Vivemos por seis anos em Campinas e foram anos mágicos. A cidade é muito gostosa e nos sentimos pela primeira vez como uma família de verdade. Foi um tempo de crescimento e reafirmação para todos nós, mas, um dia, recebi um telefonema com uma proposta de trabalho irrecusável em Salvador. Após uma reunião familiar, decidimos voltar.

Mais 10 anos de Salvador, tempo em que obtive crescimento profissional, construímos uma casa, nos endividamos, enfim, a vida aconteceu.

No final de 2014, após uma série de acontecimentos que culminaram em desemprego e desespero, resolvemos tentar a vida em Santa Catarina, mais precisamente em Timbó, local de onde escrevo este texto para o site do Continuidade.

Estou convicto de que estas mudanças de estado e cidade moldaram boa parte de minha personalidade. Por vezes, me pego pensando em como seria se tivesse vivido na mesma cidade, no mesmo bairro, na mesma casa, como tantas pessoas que conheço. Como seria minha vida?

Mas sabe de uma? Com certeza não teria as experiências que tive, os sotaques que experimentei, nem a diversidade de pensamento e tolerância com o diferente que tenho hoje. De quebra, ainda acho que transmiti para minha filha este gosto por viver em cidades diferentes.

Sou, hoje, fruto das minhas vivências e escolhas e a migração, sem dúvida, faz parte de quem eu sou.

Eu sou Daniel Castelani e esta é minha história de migração, qual é a sua?

*Por Daniel Castelani

Sexta-feira 13 – Xô azar!

Hoje é sexta-feira 13. Essa data é internacionalmente conhecida como um dia de mau agouro, no entanto, culturas diferentes têm formas distintas de lidar com a carga pesada que esse dia traz consigo.

Surperstições são comuns em culturas diversas. Independente do dia da semana e do lugar do mundo, seres humanos tendem a querer assumir o controle de seus destinos e tentar se precaver ante o desconhecido. Como é difícil saber o que pode nos trazer sorte de verdade, o melhor é estarmos atentos/as sobre como nos precaver em diversas partes do mundo.

Por isso, nesta sexta-feira 13, o Continuidade vai trazer alguns fatos sobre esse dia que tanto alimenta as nossas imaginações e dicas de como evitar urucubacas pelo mundo afora.

  1. Mas como foi que a sexta-feira treze passou a ser associada a maus presságios? Alguns historiadores dizem que o dia pegou essa fama infame no século 19. Muitos outros atribuem a origem assombrada dessa data à tradição católica: na Santa Ceia, haviam 13 homens à mesa – os 12 apóstolos e Jesus Cristo. Bem, a gente sabe como aquele jantar terminou, né?

2. A história desse repudiado dia é mais complicada do que parece. Em muitos países hispânicos é a quinta-feira – e não a sexta – que é considerada um dia de azar. Sabe o que é ainda mais interessante? Muitos historiadores acreditam que o último jantar de Cristo com seus apóstolos tenha acontecido em uma quinta e não na sexta. Tão sentindo a relação lá com o fato numero 1? O negócio é começar a se ligar já na noite da quinta e manter o alerta até a sexta acabar!

3. Se você estiver na dúvida se é melhor usar todos os seus amoletos na quinta ou na sexta-feira, a coisa se complica um pouco se você estiver na Itália. Lá, azar mesmo só se for dia 17 e uma sexta-feira. O número 13, por sua vez, pode te trazer até sorte. Independente do dia, no entanto, evite a cor lilás, que no geral é associada a funerais e, por isso, pode te trazer um baita azar.

4. E quando a criança nasce no dia treze? Terá uma vida marcada por azar? Não na  Inglaterra, que encontrou logo uma solução definitiva pra coisa. Antigamente, bebês nascidos nessa data eram rapidamente colocados em cima de uma bíblia para afastar a má sorte de uma vez por todas. Problem solved!

5. A Finlândia foi direto ao assunto e batizou logo a sexta-feira 13 como o “Dia Nacional dos Acidentes.”

6. Os venezuelanos têm uma forma mais fofa de lidar com a sexta-feira 13. Apesar de haver um consenso nacional de que não se deve casar, viajar ou sair de casa nesse dia, o povo que se encontra pela rua nessa ocasião fica brincando uns com os outros repetindo o seguinte versinho: “El viernes 13 ni te cases ni te embarques ni vayas a ninguna parte.” Cuidado!

7. Evitar viagens e casamentos no dia do azar é comum também na Espanha e em muitos outros países latinos. No entanto, na Espanha, o dia a ser evitado é mesmo a terça-feira 13 e não a sexta.

8. A má fama da sexta-feira 13 é levada tão a sério nos Estados Unidos que o país chega a registrar uma baixa de milhões de dólares em negócios neste dia porque pessoas se recusam a viajar ou tomar grandes decisões nessa data.

Imagem: Patrick Pascal Schauß @Pixabay

E como se precaver do azar? Melhor ficar atentas/os a essa superstições:

9. Na Polônia, presentear alguém com objetos perfurocortantes como faca ou tesouras pode trazer um baita azar. Para quebrar esse efeito, só mesmo transformando o presente em venda. A pessoa presenteada tem de “comprar” o presente por um valor simbólico. A quantia não importa muito. Pode ser até 1 centavo, mas o importante é pagar pra se livrar do perrengue que pode surgir com isso.

10. Na Turquia, eles resolvem esse problema colocando o presente em cima da mesa para outra pessoa pegar. Nada de entregar direto em mãos ou a amizade pode ser cortada.

11. Não invente de parabenizar uma pessoa alemã antes do dia do seu aniversário. Mesmo que seus desejos de felicidades sejam dados às 23:55h, o/a aniversariante vai se recusar a receber. O negócio é que é possível que demônios bisbilhoteiros estejam escutando e podem querer fazer qualquer coisa para impedir que os desejos de aniversário se realizem. Como dizemos na Bahia: lá ele!

12. A pior coisa que você pode fazer a uma pessoa do Brasil é ver que a sandália dela está com a sola virada pra cima e deixá-la assim. Quem presencia uma cena dessas na casa de um/a brasileiro/a deve consertar a posição do calçado imediatamente. Com isso, a morte da  mãe do/a dono/a da sandália pode ser evitada. Uma atitude simples que pode salvar vidas.

13. Quando você for à Suécia, preste bem atenção às tampas dos bueiros. Essa tampas podem ser marcadas por um “K” ou um “A”. Nunca pise em uma que esteja marcada com um “A”. Em suéco, existes várias pragas diferentes que começam com a letra “A” e que podem te pegar se você cometer esse deslize. Eu, hein?

Se você leu até aqui. Não se preocupe. O Continuidade funciona como um amuleto e é mais poderoso que pé de coelho ou trevo de quatro folhas. Pode ficar tranquilo/a que sexta-feira 13 aqui é só dia de leveza e de se divertir.

*Por Cris Oliveira

Canções de Migração: De Volta Pro Meu Aconchego

De Volta Pro Meu Aconchego é uma música de amor, isso não podemos negar. Mas, se a gente olhar com cuidado, é possível interpretar a canção como sendo a fala de uma pessoa migrante que expressa uma sensação de alegria e acolhimento ao voltar pra casa. Isso também é amor.

“De Volta Pro Meu Aconhego” é uma composição de Dominguinhos e Nando Cordel.

Na música, o eu lírico deixa clara a sua felicidade ao voltar “pro seu aconchego” e retrata a saudade que sente do seu lugar de origem. Esse trecho da música leva à interpretação de que, talvez, este retorno seja algo sazonal, não definitivo. Talvez também não seja a primeira vez que acontece.


“É duro ficar sem você, vez em quando

Parece que falta um pedaço de mim

Me alegro na hora de regressar

Parece que eu vou mergulhar

Na felicidade sem fim

No entanto, como já falamos muitas vezes por aqui, voltar pra casa não significa necessariamente negar a vida como imigrante. É possível sentir-se bem no retorno e, ainda assim, gostar e se conectar com o país onde se vive. A migração muitas vezes é uma escolha, o que pode significar uma experiência bastante positiva, apesar dos inúmeros desafios.

Estou de volta pro meu aconchego

Trazendo na mala bastante saudade

Essa saudade que vai na mala pode, sim, ser do país de origem; uma saudade acumulada pelo tempo em que se esteve fora. Mas também pode ser do local de acolhida, que vai junto com o eu lírico nessa viagem, apesar da felicidade latente pelo retorno.

Que bom poder tá contigo de novo

De Volta Pro Aconchego é uma composição de Dominguinhos e Nando Cordel e ficou eternizada na voz da cantora Elba Ramalho. Em 1985, a música foi tema do protagonista Roque (José Wilker) da novela Roque Santeiro.


Clica no play pra curtir essa música tão linda!

*Por Lali Souza

*Imagem de destaque: site oficial Elba Ramalho / divulgação.

Continuidade Indica: Um Brasileiro em Berlim

Em 1990, o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro foi convidado por um programa de intercâmbio de artistas do DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst; em português, Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) para passar uma temporada de aproximadamente um ano na capital alemã. Nesse período, ele assinava uma coluna no jornal Frankfurter Rundschau, que, posteriormente, se tornaria seu livro de crônicas “Um Brasileiro em Berlim”.

Em “Um Brasileiro em Berlim”, João Ubaldo consegue, de forma muito leve e divertida, expressar todo o estranhamento que sente enquanto brasileiro numa uma cultura – em muitos sentidos – tão diferente da sua. Nesse período, a Alemanha também estava passando por mudanças sociais muito profundas decorrentes da recente queda do muro de Berlim e da reestruturação dos países do leste europeu. Ubaldo Ribeiro retrata bem não só a sua experiência de estrangeiro tentando encontrar o seu lugar naquela nova cultura, como também faz uma interessante análise da sociedade alemã. Seu olhar curioso, cheio do humor e ironia típicos de sua escrita, faz de “Um Brasileiro em Berlim” um livrinho super leve e agradável. Você vai ler em uma sentada e ter vários momentos de risos e reflexão.

Boa leitura!

*Por Cris Oliveira

Crescer entre duas culturas

Crescer entre duas culturas é um privilégio incrível. Uma das grandes maravilhas da qual podemos desfrutar quando a vida nos oferece essa chance é a de crescermos falando duas ou mais línguas, mas as oportunidades que acessamos ao crescer entre duas culturas vão muito além do bilinguismo.

Uma pessoa que cresce com duas ou mais culturas desenvolve, de forma muito natural, a habilidade de entender o mundo de um jeito mais flexível e de aceitar mais facilmente a diversidade das pessoas. Isso é uma qualidade fundamental para a construção de uma sociedade mais tolerante e aberta às diferenças. Infelizmente, as coisas se complicam um pouco quando os adultos envolvidos na formação dessas crianças não têm uma relação muito bem equilibrada com essa multiculturalidade.

Quando adultos comparam, julgam, e desqualificam as culturas que fazem parte da identidade de uma criança, acabam contribuindo para gerar conflitos de lealdade na cabeça dela. Muitas vezes a gente alimenta esses conflitos com atitudes banais e impensadas do dia a dia, sem nem nos darmos conta de seus potenciais destrutivos. Isso acontece, por exemplo, quando insistimos em perguntar às crianças se elas se sentem mais “isso” ou “aquilo”, quando perguntamos de onde elas são e desacreditamos suas respostas (de onde você é? Mas de onde você é mesmo?) ou quando falamos mal de uma das culturas às quais ela pertence.

Imagem: Brad Dorsey por Pixabay

Crianças gostam de se sentirem pertencentes, de fazer parte do grupo e não de destoar dele. Por isso, numa sociedade que supervaloriza a monoculturalidade, uma criança que pertence a duas culturas pode se sentir envergonhada de uma elas, caso essa cultura não tenha grande aceitação e reconhecimento positivo dentro da sociedade majoritária. Cabe aos adultos responsáveis pela educação e formação dessas crianças mostrarem a elas que pertencerem a culturas diferentes é um presente e uma oportunidade e não motivo de se envergonhar.

A melhor forma de conseguir fazer com que a multiculturalidade seja uma coisa natural, ao invés de representar um peso para as crianças, é trabalhar os nossos sentimentos em relação à nossa própria pluralidade e também à pluralidade dos outros. Crianças aprendem através dos modelos que damos a elas. Quando elas perceberem que seus pais celebram a própria multiculturalidade, que identificam nelas as suas potencialidades e as encaram com o mesmo respeito e aceitação, há grandes chances de as crianças se espelharem em seus exemplos.

Imagem: edsavi30 por Pixabay

*Por Cris Oliveira

Imagem de Destaque: Alexas_Fotos por Pixabay

Mulheres Migrantes: Liz Claiborne

Hoje, falaremos de um grande nome da moda internacional, que venceu barreiras e fundou sua marca numa indústria, até então, dominada por homens: Liz Claiborne.

Anne Elisabeth Jane Claiborne, mais conhecida como Liz Claiborne, nasceu em Bruxelas. Aos 20 anos, em 1949, imigrou para os Estados Unidos. A primeira cidade que recebeu a jovem foi Nova Orleans, mas ela também chegou a viver em Catonsville e, anos mais tarde, fixou residência em Nova Iorque.

Liz estudou Artes e trabalhou para nomes como Tina Leser e Omar Kiam até que, em 1979, fundou a sua própria empresa, que foi batizada de Liz Claiborne, Inc. Além de ser uma atitude à frente de seu tempo – naquela época havia poucas mulheres donas de seus próprios negócios, Liz ainda inovou no tipo de produto. Suas coleções estavam focadas na mulher trabalhadora. As peças tinham um toque elegante e clássico (mas sempre com um toque atual), a preços acessíveis.

Imagem: Liz Claiborne / Divulgação – https://www.lizclaiborne.com/about/

A Liz Claiborne, Inc. ganhou sucesso e notoriedade. Em 1986, a Liz Claiborne, Inc. se tornou a primeira empresa fundada por uma mulher a entrar na lista das 500 maiores da Fortune. A estilista também foi a primeira CEO mulher de uma empresa Fortune 500.

O negócio cresceu e abraçou também o vestuário masculino (sob a marca CLAIBORNE) e também uma linha de acessórios, com bolsas, sapatos, bijuterias e até um perfume.

Claiborne atribuiu seu senso de estilo à sua educação europeia e seu estudo de arte.

Fonte: Imigration to United States – https://immigrationtounitedstates.org/

Além do trabalho como estilista e dos famosos “terninhos” típicos da marca, Liz Claiborne também era conhecida por defender e lutar por mais espaço para a mulher dentro do mercado da moda.

Depois de algumas decisões ruins, o valor de mercado da Liz Claiborne, Inc. caiu muito e o negócio perdeu seu lugar de destaque no universo da moda. Muitas das marcas da empresa foram vendidas a outras companhias.

Liz Claiborne faleceu aos 78 anos no Hospital Presbiteriano de Manhattan, em Nova Iorque, no verão de 2007, vítima de um câncer contra o qual lutava há mais de uma década. A marca e o legado de Liz Claiborne permanecem vivos.

*Por Lali Souza

Fontes:
Liz Claiborne – Site Oficial
20 minutos
Mundo das Marcas
Imigration to United States

Imagem de Destaque: Liz Claiborne fashion designer |© Sara Krulwich/WikiCommons

Histórias de Migração: Svenja Fritsch

Olá, eu sou Svenja e nasci em Lübeck, uma cidade no estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha. Morar fora sempre foi um desejo meu. Eu sempre fui muito curiosa para conhecer outras culturas, outras realidades e outros contextos geográficos também.

A migração está muito presente na minha história familiar. Minha mãe é austríaca e meu pai nasceu em uma cidade que, hoje, pertence à Polônia. Ainda quando bebê, ele e sua família fugiram para o sul da Alemanha. Viagens para visitar a família sempre foram muito comuns na minha infância, ou seja, desde muito cedo eu tinha consciência de que existiam outras realidades e outras culturas. Eu sou uma pessoa com um histórico de migração, mas isso frequentemente passa despercebido aqui na Alemanha pelo fato de eu ser uma mulher branca que fala alemão sem sotaque.

Minha primeira experiência morando fora da Alemanha foi através de um estágio de 6 semanas em Viena, na Áustria. Este estágio, em uma agência de intercâmbio internacional, fez aumentar em mim a vontade que já existia de viajar e conhecer novas culturas. Nessa época eu conheci pessoas muitos legais, mas eu senti uma conexão toda especial com as da América do Sul.

Aproveitando as oportunidades que a minha faculdade proporcionava, tratei logo de organizar mais um estágio, desta vez no Chile. A minha temporada no Chile deveria durar uns 6 meses e eu acabei estendendo por um ano para realmente poder viver de forma bem intensa tudo o que Valparaíso tinha para me oferecer. Uma curiosidade: Valparaíso me lembra muito Salvador, mas deixa que eu já conto como foi que se deu a minha experiência com o Brasil.

Em agosto de 2009, eu tinha terminado a faculdade e estava muito cansada do mundo acadêmico. Sentia que precisava ganhar distância. Estava numa fase meio de crise, sem saber exatamente o que eu queria para a minha vida. Eu meditava muito. Um dia, escutando uma música de um documentário, eu tive uma espécie de visão. As imagens que me vinham naquele momento me lembravam a Bahia. Não tive dúvida: comprei a passagem para o Brasil e, por via das dúvidas, marquei a viagem de volta pra seis meses depois, saindo de Santiago do Chile, que eu já conhecia e onde tinha amigos.

Minha ida para a Bahia foi como uma espécie de chamado. Depois disso, foram muitas coisas se sincronizando e me mostrando que seria a decisão certa ir para lá. Chegando no Brasil, eu fui me deixando levar pelos acontecimentos. Prorroguei meu visto de turista, deixei minha passagem vencer e fui ficando. Morei em Salvador, na Chapada Diamantina, e em Imbassaí, que pertence ao município de Mata de São João. Eu trabalhava em troca de alojamento e ia me virando como dava.

Voltei para a Alemanha somente porque meu pai estava completando 70 anos e eu queria fazer uma surpresa para ele. Nessa ocasião, já estava bem claro para mim que, depois da festa de meu pai, eu organizaria minhas coisas e migraria de vez para o Brasil. Foi exatamente isso o que eu fiz. Voltei pra Bahia e fiquei lá por um ano. Acabei voltando outra vez para a Alemanha porque, depois de um término bem complicado de relacionamento, eu precisava me recuperar tanto emocionalmente quanto economicamente.

Morar no Brasil, para mim, foi como um processo de cura. A Bahia e a Alemanha estão, no meu ponto de vista, em dois polos extremos e eu gostei muito de ter aprendido uma forma diferente de conviver. Aprendi muito sobre solidariedade, gostei da leveza que as pessoas têm para se entregarem às coisas e como a arte é presente em tudo na Bahia. Além disso, eu gosto muito da culinária baiana e até hoje sinto falta.

A religiosidade de matriz africana da Bahia também me encanta. A presença de rituais que têm um sentido mais profundo. A conexão com a natureza e com a vida é muito mais forte no Brasil. Fico muito tocada em ver como as pessoas de lá se conectam com suas ancestralidades. Acho que, aqui na Alemanha, a gente vive de forma muito desconectada com nossas origens. Morar fora me ajudou a refletir sobre a minha própria origem. A Bahia me fez entender muito sobre a minha própria cultura.

Por outro lado, é muito difícil conviver com tanta violência. O forte racismo, assaltos, ataques contra a população LGBTQIA+ e a presença sempre constante da polícia me incomodavam muito. Uma vez, eu presenciei uma perseguição policial na qual os policiais dispararam tiros contra os fugitivos, sem se importarem com as pessoas (muitas crianças) que estavam em volta. Também não me sentia muito bem com a constante desconfiança das pessoas, resultado da sua história violenta, de uma realidade marcada por tanta injustiça social e pela clara corrupção.

Mesmo assim, o Brasil continua sendo muito importante para mim. Eu falo cinco idiomas e sinto que cada parte de minha personalidade se revela de forma diferente quando falo cada um deles.

Com o português, eu sinto que posso expressar uma parte muito forte de minha personalidade. O Brasil tem um status muito especial para mim, pois foi lá que eu consegui entrar em contato com minhas paixões de dança, de música e de culinária. O Brasil me ajudou a me conectar com minha alma. Aqui na Alemanha muita gente me pergunta se eu sou brasileira e eu respondo “não no passaporte, mas no sentimento sim”.

Eu sou Svenja e essa é a minha história de migração. Qual é a sua?

*Depoimento transcrito por Cris Oliveira